Rogério Ceni - Relembrando os sucessos de uma trajetória #14


 Esta era uma coluna para homenagear aquele que, até o momento, era praticamente certo como o único ano de Rogério Ceni como jogador do São Paulo. Acontece que ele renovou de novo e talvez esse texto não faça mais sentido. Porém, ainda sim não se sabe o que acontecerá amanhã. O futuro nos reserva grandes coisas, mas precisamos saber que nem tudo o que virá será bom. Este deveria ser um texto sobre o último título de Rogério como jogador profissional, mas agora quem garante que será? Bom, o show tem que continuar e se eu não usasse essa temática, eu teria que escrever o último texto da série. Eu não quero acabar com isso, mas ainda quero escrever sobre esse tema, por isso adicionarei a interrogação no subtítulo abaixo.

 
(reprodulçao estadao.com.br)

2012 – São Paulo 2x0 Tigre – O último (?) título

O time de 2012, talvez, foi o que mais me agradou da era pós-Tri. Ney Franco soube usar jogadores ruins de maneira que eles rendessem muito acima do esperado e formou assim uma boa base para as disputas do segundo semestre - nos primeiros seis meses fomos eliminados da Copa do Brasil e do Paulistão para Coritiba e Santos. Além de jogadores do naipe de Paulo Miranda, Bruno Cortez, Wellington e Osvaldo rendendo muito acima do que eles rendem atualmente, o time tinha também como destaques jogadores como Luis Fabiano, Jadson e Lucas. Com o Brasileirão já fora de cogitação, o foco foi a Copa Sul-Americana, que conforme o time ia avançando, as chances de sair do jejum de títulos iam aumentando.

Um fato importante a ser dito é que no início do ano, Rogério se machucou no ombro, a maior de sua carreira livre desse mal. Depois de seis meses parados, o arqueiro voltou aos campos na estreia da competição, contra o Bahia, em Pituaçu. E como ele não se cansa de ser o maior ser humano da história, RC abriu o placar em um golaço de falta. Ademilson aumentou e 2 a 0 foi o placar final. Mesmo placar do jogo de volta em casa, com gols de Willian José e Maicon.

Na fase seguinte, o adversário seria a LDU... De Loja. Contra os equatorianos paraguaios, dois empates foram o suficiente, apesar do sufoco. No jogo de ida no Equador, Bermúdez colaborou para o Tricolor com um gol contra, enquanto Larrea empatou. No Brasil, um 0 a 0 que apesar de tudo foi o suficiente.

Nas quartas-de-final um temido adversário, que vinha de um 2011 sensacional e era uma das sensações da América do Sul: a Universidad do Chile, popularmente conhecida como "La U". Mas poderiam ser chamados de "Los Cinco" porque combinaria perfeitamente. No primeiro jogo fora de casa, um 2 a 0 que praticamente definiria o confronto, 2 a 0 com dois (!) gols de Willian José. No jogo de volta no Pacaembu, um dos melhores jogos que vi o São Paulo jogar em toda a minha vida.

Um time que simplesmente dominou aquele que era tido como uma das potências sul-americanas, o atual campeão. Quando se marcavam 28 minutos, o placar já estava em 3 a 0 para o Soberano, com gols de Jadson, Lucas e Luis Fabiano. No segundo tempo, um golaço de falta de Rafael Toloi e outro de Jadson definiram o 5 a 0, 7 a 0 no agregado e vaga nas semifinais. O adversário seria novamente chileno e outra Universidad, agora a Católica.

Novamente dois empates foram o suficiente. Fora de casa, Toloi abriu o placar, mas Castillo empatou e trouxe o jogo para o Morumbi com os anfitriões precisando de apenas um empate sem gols para garantir a vaga nas finais. Foi exatamente isso o que aconteceu: 0 a 0 suado, com o time jogando mal, mas a vaga na final veio.

Na primeira partida da final, todos lembramos daquele surto de Luis Fabiano, que acabou sendo expulso e quase comprometeu a conquista. Por sorte, os argentinos eram fracos e não aproveitaram a vantagem, saindo de campo com o 0 a 0.

No jogo de volta (ou seria meio jogo?) aprendemos como não se perde uma competição. Com 27 minutos, Osvaldo e Lucas, que fazia seu último jogo pelo São Paulo antes de se transferir para o PSG, anotaram os dois primeiros gols de um jogo pegado, com os argentinos sendo desleais, batendo muito e, já que não ganhariam na bola, decidiram partir pra porrada e chegando até a sangrar o nariz de Paulo Miranda.

Esse aliás foi o lance capital do jogo, pois o zagueiro-lateral-ruim-em-ambos-mas-mito-naquele-ano foi em direção a Ángel Gastón Diaz e mostrou a ele o algodão ensanguentado. A partir daí se deu início ao tumulto que teve participação da polícia, indo aos vestiários do Tigre e aumentando ainda mais a confusão. Os visitantes se recusaram a voltar ao gramado e assim, do jeito mais estranho possível, o São Paulo Futebol Clube se sagrou campeão da Copa Sul-Americana de 2012.

Na comemoração, Rogério deu o direito de erguer a taça para Lucas, entregando a faixa de capitão ao camisa 7. A festa foi grande e foi merecida, por mais que tenha tomado alguns sustos, que os adversários não sejam do nível dos que se enfrentam na Libertadores e que fosse necessário apenas um tempo para o título tenha sido oficial - porque, sejamos sinceros, com o desenrolar da partida, o jogo já estava ganho a partir do segundo gol.

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Autor: Allan Jones

Projeto de hipster que vive negando o rótulo. Viciado em música boa e em esportes de qualidade. Atleti desde 2008 (chupem modinhas), Chelsea, 49ers, Celtics e claro, o São Paulo, o que interessa no final das contas. Escritor do C11 e do Britfoot.
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