Fala, seus Tony Romo!
Continuando com a série sobre o futebol nos EUA, onde estamos abordando o início, crescimento e perspectivas de futuro do "soccer" na terra do Tio Sam.
No texto de hoje, falaremos sobre os grandes ídolos norte-americanos, como Landon Donovan e Alexi Lalas. Além de olharmos com carinho para o crescimento gradativo e com um planejamento ambicioso de tornar a MLS uma das maiores ligas do mundo até o final da próxima década. Longe? Vai sonhando...
Começando pelos grandes nomes da seleção dos EUA, você pode perguntar: quais foram os grandes craques da história americana no soccer?
Elementar, meu caro Watson!
Ao analisarmos a história da seleção norte-americana nas Copas, 3ª colocada em 1930, autora da maior zebra das Copas com a vitória por 1-0 sobre a Inglaterra em 1950 e que só retornou aos mundiais 40 anos depois, na Itália, e foi eliminada na primeira fase com três derrotas.
Que em 1994 sediou o Mundial e fez jogo duro com o futuro campeão, Brasil, vendendo caro uma derrota por 1-0 nas oitavas de final... porém, em 2002, classificou-se no grupo da co-anfitriã, Coreia do Sul e parou somente nas quartas de final, com uma polêmica derrota para a Alemanha por 1-0.
No Mundial disputado na África do Sul, em 2010, os EUA foram campeões de um grupo pela primeira vez em sua história, ficando à frente da Inglaterra, porém parando nas oitavas com uma derrota para Gana, por 2-1. Enfim...
A história dos EUA em Copas mostra que eles sempre foram obrigados a surpreender e demostraram que podem e sabem fazer isso. Ao longo da história, muitos jogadores se destacaram, mas nenhum deles foi tão ídolo como Landon Donovan.
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| Landon Donovan. Camisa 10 da seleção norte-americana e o grande nome do futebol norte-americano. (Fonte: Fanpop) |
Recém aposentado após faturar o seu sexto título da MLS pelo Los Angeles Galaxy, Donovan é o maior artilheiro da história da seleção com 57 gols em 153 partidas, sendo o melhor jogador da Copa Ouro da CONCACAF por 3 oportunidades (2002, 2003 e 2005).
Porém, Donovan nunca foi artilheiro de uma edição da MLS e poderia ter feito muito mais no futebol europeu. Teve oportunidades para isso, tanto no Bayer Leverkusen quanto no Everton, entretanto suas passagens pela Bundesliga e Premier League foram bem discretas, ao contrário do que ocorreu durante toda a sua carreira na liga de seu país.
Sem dúvida nenhuma, o gol marcado aos 46' do segundo tempo, em Pretória, contra a Argélia, que garantiu os americanos nas oitavas da Copa do Mundo realizada na África do Sul, foi o grande momento dele com a camisa da seleção. A classificação sofrida obtida através desse gol foi só mais um motivo para o país começar a olhar o futebol com outros olhos, de investimento e emoção.
Donovan é um dos principais responsáveis pela mudança de status do futebol nos EUA: de "ausente" para "disponível", mesmo estando ocupado estudando formas de transformá-lo numa potência mundial como a Premier League.
Existe uma relevância que eu, particularmente, vejo no futebol norte-americano e não no futebol inglês. Categoria de base ou como eles chamam: academia de formação.
A seleção inglesa está longe de ser uma das principais da Europa e do mundo. O nível técnico de exigência para os criadores do esporte bretão é alto, porém a dependência do craque do Manchester United, Wayne Rooney, faz com que o time que recentemente teve os irmãos Neville, Sol Campbell, Rio Ferdinand, Ashley Cole, Hargreaves, Gerrard, Lampard, Joe Cole e Michael Owen, atualmente possui uma geração jovem e aquém do que esperamos do English Team. Resultado: eliminado na primeira fase do Mundial deste ano e nenhuma saudade deixada nos campos brasileiros.
Já o planejamento norte-americano também passa por fortalecer a sua seleção e fazer dela uma das mais fortes do mundo, não apenas para vencer uma Copa, mas para chegar e permanecer entre as grandes, como Alemanha, Itália, Argentina e Brasil. Fortalecer o futebol local com academias de formação "sub-14" e "sub-12" fazem com que esses meninos já sejam trabalhados para 2022, onde já estarão com 22 e 20 anos e até lá já estejam atuando profissionalmente.
Contratar craques do exterior é sempre fundamental para promover o futebol local, arrecadar cada vez mais e trazer mais adeptos para os estádios, mas a ideia é fazer com que o futebol norte-americano possua os seus próprios ídolos, de casa, como acontece na NBA, MLB, NHL e NFL, mesclando com estrangeiros de topo para fortalecer ainda mais o esporte, como acontece na NBA, que entre os principais destaques vemos o francês Tony Parker (San Antonio Spurs), o alemão Dirk Nowitzki (Dallas Mavericks) e o espanhol Ricky Rubio (Minnesota Timberwolves).
Embora o planejamento seja em longo prazo, já existe uma posição no futebol que os americanos se saem muito bem: goleiro e tudo começou com o lendário Tony Meola, arqueiro nas Copas de 1990, 1994 e 2002 (essa última como reserva), chamava a atenção pelo seu peculiar rabo de cavalo, mas também pelas grandes defesas, inclusive contra o Brasil na Copa realizada nos States, fez uma atuação quase irrepreensível, fazendo o possível para classificar sua seleção para as quartas, sem sucesso graças ao gol de Bebeto.
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| Tony Meola. Goleiro da seleção dos EUA nas Copas de 1990 e 1994. (Fonte: Dailymotion) |
Um detalhe curioso é que antes de disputar esse Mundial, Meola aventurou-se na NFL, onde exercia a função de kicker do New York Jets e antes de profissionalizar-se no soccer, quase migrou para o beisebol, já que foi escolhido no draft pelo tradicionalíssimo New York Yankees. Preferiu o futebol e como naquela época de ausência do torneio nacional, os jogadores assinavam um contrato com a federação (US Soccer), foi emprestado para o futebol inglês onde realizou apenas duas partidas pelo Brighton & Hove Albion, sendo que também foi emprestado ao Watford, onde sequer atuou.
Apenas em 1995, defendendo o Long Island Rough Riders em pequenas ligas regionais teve mais regularidade, até estrearem a MLS no ano seguinte e Meola transferir-se para o MetroStars, atual New York Red Bulls. Lá, virou ídolo e por duas temporadas seguidas tornou-se o melhor goleiro da liga americana.
Aposentou-se em 2008, com reverências e 100 partidas disputadas pela seleção. Uma lenda, assim como o zagueiro Alexi Lalas, o "barba vermelha" que possuía um grande espírito de liderança na seleção de 1994. Tal destaque o levou ao futebol italiano, onde Lalas tornou-se o primeiro estadunidense a atuar no Calcio, com a camisa do Padova.
Lalas inclusive chegou a presidência do time cujo encerrou a carreira: O Los Angeles Galaxy, em 2006.
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| Alexi Lalas #22. Zagueiro tornou-se referência na Copa de 1994 e ídolo do futebol nos EUA. (Fonte: Bleacherreport) |
No gol, além de Tony Meola, vemos Kasey Keller, Brad Friedel e atualmente defendendo a meta norte-americana, Brad Guzan que atua no Aston Villa e o já lendário Tim Howard, arqueiro do Everton e titular na última Copa.
Mas FH, quem foi o jogador que mais atuou com a camisa da seleção dos EUA?
Trata-se de Cobi Jones, ex-lateral-esquerdo que atuou nas Copas de 1994, 1998 e 2002 e que inclusive, teve uma passagem pelo Vasco da Gama em 1996, não fazendo grandes coisas em apenas 4 partidas disputadas.
Foram 164 jogos e 15 gols com a camisa da seleção, que deram-lhe o apelido de "Cobi Legend". Além disso, disputou as Olimpíadas de 1992 em Barcelona, após estar no grupo que conquistou a medalha de ouro no PAN de 1991, em Havana (Cuba). A primeira e única medalha dourada na história dos esporte em jogos pan-americanos.
Jones é um dos maiores ídolos do Los Angeles Galaxy, tendo a sua camisa homenageada e aposentada (13) e sendo até hoje o principal artilheiro e jogador que mais atuou com a camisa do clube (306 jogos e 70 gols). Números dignos de uma verdadeira lenda.
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| Cobi Jones. O lateral-esquerdo tem o recorde de partidas com a camisa da seleção norte-americana. (Fonte: USAToday) |
Os ídolos do futebol norte-americano já existem para serem espelhados. A meta agora é fazer os novos ídolos, num novo momento de glória e potencia mundial do esporte bretão nos EUA. Alguém duvida?
Investimentos já estão ocorrendo, como o Orlando City, que tem um brasileiro como presidente: o empresário carioca Flávio Augusto da Silva, fundador da escola de idiomas Wise-Up, avaliada em R$ 1 bilhão, virando uma holding e tendo o valor pago pelo Grupo Abril de educação. Além disso, fundou o projeto Geração de Valor, onde ele prepara jovens empreendedores através de livros e palestras. Em 2013, comprou o Orlando City Soccer Club e contratou o meia Kaká, por 3 anos e meio, uma das principais atrações da próxima temporada na MLS.
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| Apresentação de Kaká ao Orlando City, em Julho desse ano. Fonte: (VEJA) |
Mas não foi só o Flávio que adquiriu um time nos EUA: David Beckham, em Miami e, recentemente, o ex-atacante Ronaldo, com o Fort Lauderdale Strikers na Flórida, também compraram o seu time de futebol nos EUA. A diferença é que o time comprado pelo artilheiro da Copa em 2002 disputará a NASL, que nos anos 1970 era a principal liga norte-americana, mas atualmente é a segunda divisão da MLS.
Inclusive, esse time tem sido gerido pela Traffic Sports, empresa de marketing esportivo que negocia direitos televisivos de torneios sul-americanos e comanda clubes e carreiras de jogadores no Brasil e no exterior. Porém trocou o seu foco de jogadores brasileiros para o futebol nos EUA. Por que será, né?
NÃO, PEREIRA!
Já o projeto de Beckham é realmente disputar a liga principal do país, contando com o fato de existirem muitos latinos em Miami, que já teve uma franquia de futebol recentemente, mas que não deu muito certo. Inclusive, o extinto Miami FC atualmente é o time adquirido pelo Ronaldo e que na época teve entre outras contratações, o baixinho Romário e o meia Zinho.
Romário foi artilheiro da USL (última divisão dos EUA) com 19 gols, mas jogou pouco tempo na equipe e o projeto não teve muito sucesso nos anos posteriores. Atualmente, o projeto não é apenas promover o atual, mas fazer a equipe crescer dentro do cenário local.
A forma de disputa entre março e novembro, além de ser disputada com sistema de conferências e playoffs, tradicional no país nas outras modalidades gerou uma identidade para atrair o seu próprio público, já que o calendário europeu seria concomitante a NFL, NHL e NBA, ligas que atraem públicos maiores. Porém, a estratégia de utilizar esse calendário concorrendo apenas com a MLB, faz com que o futebol tenha o seu próprio público. Adaptar o calendário atual ao europeu, diminuiria esse crescimento e traria prejuízos na ambição. A ideia é permanecer no sistema atual e para quem acha que lá eles estão querendo mudar as coisas, estão muito enganados. Os diretores da MLS questionam porque a Europa não muda o seu calendário para o ano corrido, como é feito aqui no Brasil, por exemplo e inclusive já sinalizam para 2022, onde a Copa do Mundo não será disputada no meio do ano, como de costume.
Eles ainda revelam que em conversa com alguns diretores da Bundesliga, os alemães questionam porque o campeonato tem partes disputadas no rigoroso inverno e não no verão...
Fato é que a NBA tem regras independentes e ainda influencia a FIBA, como no caso da adoção da cesta de três pontos, que começou na liga nacional americana de basquete. Não duvido da MLS dar de ombros para algumas coisas da FIFA e UEFA, inclusive sendo modelo para as principais entidades de futebol.
Não se espantem: a expectativa segundo análises feitas nos EUA, é que o futebol seja tão popular quanto o beisebol, esporte tradicionalmente americano e que há muitos anos é o mais popular do país. Apenas trazer torcida? Não, o objetivo também é arrecadar até mais do que a NBA até meados da próxima década.
Vocês têm noção do que representa para o mundo do futebol, ter uma liga que fature anualmente mais do que a principal liga americana do mundo? A única liga futebolística que consegue superá-la é a Premier League, desde 2009, segundo a Folha de São Paulo: (US$ 3,9 bilhões x US$ 3,8 bilhões). Apenas pensem em como seria isso para o mundo do futebol, com uma liga nacional forte que represente a força de sua seleção... Apenas pensem, sem esquecer que os americanos costumam transformar em ouro, o que antes não passava de sucata.
Na época, a NFL apresentava um faturamento superior a 7 bilhões de dólares, enquanto a MLB apresentava um faturamento superior a 5 bilhões de dólares. Com investimentos e apostas de nomes consagrados do futebol mundial que facilitaria a vinda de craques do mais alto calibre, como Frank Lampard e David Villa no New York City, a tendência é só aumentar os lucros, a arrecadação com direitos televisivos e na venda de ingressos.
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| Frank Lampard disputará a próxima MLS pelo New York City, ao lado do atacante espanhol David Villa. (Fonte: MLS) |
Concluindo, acho que, em breve, veremos a Major League Soccer ser uma das principais ligas do mundo, junto com a Premier League. Sim, eu disse junto e não próximo, pois não vejo muitas chances das ligas italiana, francesa, alemã e até mesmo espanhola (Onde temos Real Madrid e Barcelona) de frearem esse crescimento gradativo, porém muito forte da liga nacional americana.
Tão pouco da seleção brigar pelo título nas Copas e conquistá-la daqui há alguns anos. Numa época onde o futebol é cada vez mais corporativo e visto como um negócio, um investimento junto com a paixão, não podemos desprezar os americanos.
Se nessa Copa fez esse barulho a ponto de dar orgulho ao presidente Barack Obama, futuramente o orgulho será com a conquista de um Mundial inédito.
Não duvidem: yes, they can!
E então? O que achou do segundo texto da série “Yes, we love soccer”? Curta, comente e compartilhe! Aqui é C11, meu filho!
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