Por um clube que almejava uma vaga na Libertadores de 2015, como disse o próprio dirigente Cláudio Gomes, passaram cinco técnicos, mais de 60 jogadores e três diretores diferentes, o que só pôde resultar em um fim: o time catarinense com a maior folha salarial foi rebaixado em último lugar.
O início do ano do único clube catarinense que tinha disputado a Série A em 2013 começou turbulento. Após uma excelente campanha que tirou o clube da zona de rebaixamento, o treinador Argel Fucks não teve seu contratado renovado pelo novo diretor de futebol e ex-diretor de marketing, Cláudio Gomes. A justificativa era a de que Argel era um treinador "para apagar incêndios", não um formador de elenco. Para isso, foi contratado Ricardo Drubscky, ex-Joinville, que sabia lidar bem com jovens. Porém, ele já chegou com a desconfiança da torcida e da diretoria, e, depois de um mês de catarinense, foi demitido.
Para não sofrer da mesma pressão que aconteceu em 2013, o presidente Antenor Angeloni resolveu abrir os cofres e contratar já para o catarinense vários jogadores experientes, de alto escalão e salário, como o ídolo do clube Paulo Baier, o lateral Eduardo, a renovação do zagueiro Fábio Ferreira e dos volantes João Vitor e Serginho, entre outros. Também foram trazidos jogadores que foram destaques em seus clubes na Série B, como os atacantes Fernando Karanga e Rodrigo Silva, que, em todo catarinense, somaram 1 gol e foram dispensados.
Após a saída de Drubscky - que fez excelente campanha no Goiás um pouco depois -, a diretoria foi atrás de um treinador de renome nacional para comandar o bom elenco que a equipe teoricamente tinha e trouxe Caio Júnior. O treinador paranaense não conseguiu classificar o Tricolor Predestinado à final do Catarinense, foi eliminado pelo Londrina na Copa do Brasil e foi demitido após duas derrotas no início do Brasileiro. Mais um treinador que ficou pouco tempo no clube e foi demitido sem ter muito tempo para mostrar seu trabalho. Neste momento, surgiu outra crítica ao diretor de futebol do Criciúma, Cláudio Gomes, quando, em entrevista ao programa Arena Sportv, Caio Júnior disse que foi demitido pois quem comanda o time era um diretor que não sabia de futebol.
Com a saída de Caio, a diretoria resolveu fazer uma aposta com a Série A em pleno andamento, e trouxe Wagner Lopes, que havia treinado o Botafogo-SP no Campeonato Paulista. Após um bom início, o treinador não conseguiu manter os mesmos resultados e a harmonia da equipe e foi demitido após 15 jogos, sendo o técnico que mais tempo ficou no clube em 2014. Depois, Wagner Lopes foi ao Atlético-GO e fez excelente campanha, tirando o clube de perto da zona do rebaixamento e não conseguindo o acesso por pouco.
Em seguida, veio Gilmar Dal Pozzo, que tinha feito um bom e longo trabalho na Chapecoense, e, enquanto a troca de treinadores acontecia, mais jogadores chegavam para compor o elenco do Criciúma, alguns que praticamente nem jogaram, como Higor, Michael, Maicon Silva e Eli Sabiá. Dal Pozzo conseguiu dar por pouco tempo uma característica ofensiva para a equipe quando jogava em seus domínios, mas nos jogos fora de casa isso não acontecia e o clube não saía do rebaixamento, fazendo com que ele fosse demitido em menos de dois meses.
Em um momento de desespero, foi contratado Toninho Cecílio, para que ele tentasse fazer um milagre nos últimos jogos, porém ele foi mais uma vítima de um planejamento mal feito e teve o mesmo destino dos seus companheiros de trabalho. Abro aqui um espaço para falar da torcida carvoeira. Embora a situação do time não fosse nada favorável, a torcida sempre o apoiava com todas as forças, deixando as vaias para os finais dos jogos. Porém, na derrota em casa para o Bahia, o destino do tigre já estava traçado e os torcedores pararam de se manifestar a favor e resolveram protestar de maneira mais veemente, pedindo a saída dos vários jogadores descomprometidos e do maior culpado por tudo isso, o diretor Cláudio Gomes.
Com a equipe já rebaixada, o técnico do sub-20 assumiu o time profissional e o encheu de garotos, conseguindo bons resultados, mostrando que, por mais dinheiro que o clube tenha, são necessários jogadores comprometidos com o clube para o projeto dar certo. Com esse bom desempenho, o técnico Luizinho Vieira foi mantido no cargo para o ano que vem e o presidente já anunciou que, como ocorreu grande perda de dinheiro, o elenco vai ser composto na sua maior parte por garotos da base. Já é um bom começo.
Peço desculpas pelo texto ter ficado longo, mas era impossível fazer essa retrospectiva sem apontar os principais erros que ocorreram nessa caminhada desastrosa do Criciúma em 2014, e ainda tiveram vários outros que não comentei. Esperamos que parte deles não se repita no próximo ano e que possamos voltar à Série A, que é o lugar onde o maior clube catarinense e sua torcida apaixonada merecem estar.
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