Cinco fatos marcantes do Mundial de Clubes de 2014


Chegou ao fim o Mundial de Clubes da FIFA de 2014. A competição, disputada no Marrocos pela segunda vez, teve um desfecho previsível: o Real Madrid levou o caneco - na decisão, bateu o San Lorenzo por 2 a 0, com gols de Sergio Ramos e Gareth Bale - e igualou o Al-Ahly, do Egito, e o Milan, da Itália, como clubes com mais títulos internacionais (20) em toda a história do futebol.

Apesar de o final ter sido tudo aquilo que esperávamos, é importante destacar alguns fatos que certamente marcaram o torneio interclubes. Separei cinco, os quais serão apresentados em ordem crescente. Este post não representa necessariamente a opinião do site. É única e exclusivamente a minha opinião.

5 - O "caçula" Western Sydney Wanderers

Divulgação/AFC
Fundado em 2012, campeão continental em 2014. Difícil pensar em um time com crescimento tão meteórico quanto o do Western Sydney Wanderers, da Austrália. O clube da mais famosa cidade australiana conquistou o melhor resultado do futebol do país desde a filiação da Austrália à AFC, fato decorrido após a Copa de 2006, quando os Socceroos disputaram ainda como membros da OFC. A presença da equipe no Mundial de Clubes era, sem dúvidas, um fato a ser observado.

Na AFC Champions League 2014, o WSW liderou o Grupo H, que também tinha Kawasaki Frontale (Japão), Ulsan Hyundai (Coreia do Sul) e Guizhou Renhe (China). No mata-mata, despachou os tradicionais Sanfrecce Hiroshima (Japão) e FC Seoul (Coreia do Sul) e o endinheirado Guangzhou Evergrande, atual campeão da ACL àquela época. Na decisão, desbancou outro grande clube da Ásia, o Al-Hilal (Arábia Saudita).

E adivinhem, tem brasileiro no clube. Trata-se do meia Vitor Saba, meia-atacante que jogou nas categorias de base do Vasco da Gama, foi revelado pelo Flamengo e também já defendeu as cores de Macaé, Vitória e Boavista, além do Brescia, da Itália.

Os rubro-negros vinham sendo um exemplo de gestão no futebol. Todavia, a fase atual não é boa. A equipe milita na lanterna da A-League - para a sorte deles, não há rebaixamento no campeonato - e vem sofrendo com salários atrasados. Os jogadores até ameaçaram boicotar o Mundial, mas desistiram da ideia.

Na competição, caíram diante do Cruz Azul nas quartas, em jogo com arbitragem polêmica, e, na disputa do quinto lugar, perderam para o Sétif (Argélia) na "loteria" dos pênaltis - Victor Saba, inclusive, marcou gol neste jogo. Atuações dignas para quem passa por um período deveras turbulento.

4 - Recordes e grandes feitos alcançados

Final do Mundial de Clubes foi a partida de número 700 do multi-campeão Iker Casillas com a camisa do Real Madrid (Foto: Divulgação/Real Madrid)
O Marrocos tornou-se palco especial para algumas pessoas. O volante alemão Toni Kroos, por exemplo, chegou ao seu terceiro título mundial em um intervalo de um ano: campeão com o Bayern de Munique em dezembro de 2013, campeão com a Alemanha em julho de 2014 e, agora, campeão com o Real Madrid.

As presenças do zagueiro espanhol Sergio Ramos nas tradicionais seleções da Uefa são sempre questionadas, mas é inegável que o ano de 2014 está sendo especial para o defensor. Ele balançou as redes na semifinal e na final da Uefa Champions League - contra Bayern de Munique e o arquirrival Atlético de Madrid -, bem como na semifinal e na final do Mundial de Clubes - frente ao Cruz Azul e ao San Lorenzo. Aliás, se formos reparar, os gols nas decisões continental e intercontinental são parecidos: após cobrança de escanteio, Ramos cabeceia para o fundo das redes.

O corrente ano também vem consagrando o meia galês Gareth Bale, autor de gol em três decisões com a presença dos merengues: Copa del Rey, Uefa Champions League e, agora, o Mundial de Clubes. E sempre o segundo gol dos madridistas nestas partidas.

Favorito à Bola de Ouro da Fifa, Cristiano Ronaldo não marcou um gol sequer neste Mundial. Ainda assim, o português chegou a uma interessante marca na competição: tornou-se o primeiro jogador na história a conquistar todos os títulos coletivos e a Bola de Ouro por dois clubes distintos - Manchester United e Real Madrid. A informação é do Info Cristiano.

Além disso, um dado exposto por Alberto Egea aponta um feito histórico alcançado pelo técnico Carlo Ancelotti: o italiano igualou o espanhol Pep Guardiola e o escocês Sir Alex Ferguson como técnicos europeus com mais títulos internacionais. Cada um tem oito taças deste porte.

E como não falar do goleiro Iker Casillas neste tópico? Depois do fiasco com a Espanha na Copa do Mundo, o arqueiro precisava se reerguer. Suas últimas atuações - na semifinal, contra o Cruz Azul, ele defendeu um pênaltis - demonstram que a boa forma está voltando. Além do mais, a final contra o San Lorenzo foi o jogo de número 700 de Iker com a camisa do Real. Nada mal comemorar a marca com uma taça, né?

O 2010 Mister Chip, uma das contas mais confiáveis em termos de estatística, informa que Casillas tornou-se o primeiro jogador de futebol da história a conquistar Liga Nacional, Copa Nacional, Supercopa Nacional, Copa Continental de Clubes, Mundial de Clubes da Fifa, Torneio Intercontinental - o precursor do Mundial Fifa -, supercopa continental, Eurocopa e Copa do Mundo. Um gigante do nobre esporte bretão™, sem dúvidas.

O futebol tem um curioso paradoxo: não é uma ciência exata, mas, como vemos, os números são importantes.

3 - A consagração do Real Madrid de Carlo Ancelotti

Divulgação/Real Madrid
O atual plantel do Real Madrid é considerado o melhor desde o famoso elenco dos "Galáticos" na década passada, que tinha jogadores estelares como Roberto Carlos, Zidane, Figo, Ronaldo, entre outros craques. E todo o investimento feito pela diretoria vem fazendo justiça a todas as expectativas criadas sobre o time.

Casillas, remanescente da época dos "Galáticos", vem acompanhando de perto as consagrações de Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo (o trio BBC™) com a camisa merengue. Toni Kroos e James Rodríguez vieram na última janela de transferências para somar mais qualidade à equipe. Também há jogadores de alto nível no banco de reservas, com nomes como Keylor Navas, Varane e Fábio Coentrão.

O Mundial de Clubes foi o quarto título madridista do ano. Veio após a Copa del Rey, a Uefa Champions League e a Supercopa da Uefa.

Os méritos também são do técnico Carlo Ancelotti. O italiano vem jogando por terra a fama de retranqueiro que lhe foi dada em outros tempos. O time de Madrid é extremamente ofensivo - não só na questão de ser eficiente no ataque, mas também por ofender demais os adversários, né, porque é muito gol. Anotou seis gols no Mundial e até o momento assinalou 55 (!) em La Liga (15 jogos) e 16 na UCL (6 jogos).

Mais provas de que a fama era injusta: o Chelsea de 2009/2010, primeiro time a marcar mais de 100 gols em uma edição de Premier League - foi campeão, claro -, e o PSG de 2012/2013, que colocou 69 bolas na rede na Ligue 1 - também conquistou o título nacional -, foram plantéis treinados por Ancelotti.

Dizem que treinar um time com ótimas peças é fácil, mas isso está longe de ser verdade. Até porque fora de campo os jogadores recebem muitos mimos e, consequentemente, apresentam um ego elevado. Para conciliar tais questões com suas atuações em campo é necessário muita competência. Caso contrário, a moral sobre o grupo é perdida. Competência e moral é o que Carlo tem de sobra na instituição madrilenha.

Além do mais, o italiano conseguiu extrair um brilhante futebol de um Real extremamente pressionado, que necessitava urgentemente de títulos - especialmente da tão almejada La Décima, a décima taça Champions League. Não à toa está entre os postulantes ao prêmio Fifa de melhor técnico de 2014, juntamente com Diego Simeone, do Atlético de Madrid, e Joachim Löw, da seleção alemã. Concorrência pesada.

2 - A torcida apaixonada do San Lorenzo

Getty Images
As torcidas argentinas são sempre um show à parte. Muito se fala da paixão das torcidas europeias, mas as da América do Sul não ficam muito atrás, não. Uruguai e Argentina que o digam... Pois bem, o San Lorenzo, um dos grandes clubes da terra dos lendários Di Stéfano, Maradona e Messi, fez justiça à boa fama dos hinchas argentinos.

O Marrocos parecia um pedaço da América do Sul na África, tamanha era a demonstração de paixão dos cuervos pelo clube de Buenos Aires. Aliás, a festa começou desde o embarque da delegação no Aeroporto de Ezeiza, na capital argentina. A euforia em terras marroquinas era só a continuação de todo o apoio que a equipe receberia durante a competição.




O time que tem como torcedor mais ilustre o Papa Francisco, chefe de Estado do Vaticano, ficou com a medalha de prata no torneio intercontinental, mas bem que a torcida merecia uma Bola de Ouro, né?

Torcedores do San Lorenzo em Marrakech (Foto: Reprodução/Twitter)

1 - O surpreendente Auckland City

Getty Images
Os finalistas Real Madrid e San Lorenzo que me perdoem, mas o time mais glorioso do Mundial de Clubes deste ano foi o Auckland City, da Nova Zelândia. Papa-títulos da OFC Champions League (é o maior campeão com seis taças), o City é figura carimbada na competição intercontinental, mas nunca havia chegado tão longe.

Antes da sexta participação no "Mundialito", os Navy Blues tinham como melhor colocação o quinto lugar em 2009, nos Emirados Árabes Unidos. Àquela ocasião, venceram o Al-Ahli de Dubai na primeira rodada, perderam para o Atlante nas quartas e ganharam do Mazembe na disputa do quinto lugar.

Em 2014, o Auckland estreou contra o Moghreb Tétouan, atual campeão marroquino. Os neozelandeses suportaram a pressão dentro - da equipe adversária - e fora - da torcida, afinal o Moghreb era o anfitrião - dos gramados e seguraram o 0 a 0. Tal triunfo já era considerado surpreendente, mas era só o início de uma histórica performance.



Nas quartas, a equipe da Oceania defrontou outro clube africano: o Sétif, campeão da CAF Champions League. Veio um novo triunfo, dessa vez no tempo normal. Este belo gol do defensor John Irving deu a vaga nas semifinais ao time da cidade homônima.


Nas semifinais, o ACFC tinha o San Lorenzo pela frente. Franco favorito, o time argentino penou para se classificar. Saiu na frente com Barrientos, porém cedeu o empate. Berlanga instituiu a igualdade no marcador e o 1 a 1 levou o jogo para a prorrogação, na qual Matos, autor do gol do inédito título da Libertadores, anotou o tento que levou o Ciclón à decisão. O Auckland caiu, mas caiu de pé.


Restava a decisão do terceiro lugar, contra o Cruz Azul. O clube da Nova Zelândia ficou em vantagem com o gol de De Vries. Rojas empatou e forçou a prorrogação. A contagem de um gol para cada lado persistiu no marcador e o bronze foi decidido nos pênaltis. O  Auckland City já fazia a melhor campanha de sua história - e da história de um clube da Oceania -, independente de qualquer resultado, mas alçou voos maiores: venceu a disputa de penalidades máximas por 4 a 2 e ficou em terceiro lugar.

Um time semi-profissional ser o terceiro colocado em um certame com elencos profissionais é um feito de proporções gigantescas. Um ano depois de o Taiti ter conquistado respeito na Copa das Confederações e no mesmo ano em que Costa Rica e Argélia foram as sensações da Copa do Mundo, o Auckland City teve seu nome gravado na história do Mundial de Clubes.


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Autor: Luís Francisco Prates

Náutico, Borussia Mönchengladbach e Benfica. Pernambucano, 20 anos, cristão e estudante de Jornalismo.
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