Um gráfico que representa o que é o São Paulo

De certa forma, esse não é um texto sobre estatísticas, apesar do título e de conter um gráfico. Na verdade, o mesmo gráfico representa várias situações que ocorrem no time do Morumbi, o que acaba por vezes desmotivando o torcedor, que repete frases como “O São Paulo é isso aí mesmo”. Mas qual é esse gráfico? 

Bom, como um estudante de Logística, um dia qualquer ao prestar atenção em umas aulas de PCP (Planejamento e Controle da Produção, para os leigos), um gráfico que mostra os limites que o estoque deve alcançar, seja o limite máximo, seja o mínimo tolerável percebi que aquele desenho poderia resumir algumas coisas, que sempre variam entre altos e baixos, como a nossa própria vida. Enfim, a imagem abaixo explicará melhor o desenho.



Perdoem-me pelo “tempo” ali embaixo estar cortado, mas deu para entender né?  Espero que sim porque não aguento mais falar de Logística aqui. Bom, mas explicando basicamente, cada vez que a linha sobe, representa a recarga do estoque até que se carregue por completo. É exatamente esse o processo que acontece com o nosso Tricolor, sempre quando as coisas parecem que vão piorar acontece algo e a moral do orgulhoso torcedor são paulino sobe astronomicamente. Porém, o time vai caindo aos poucos, caindo, caindo e... Outra subida. É um processo que aparenta comum pelas últimas atuações do time.

Ainda não entendeu? Não se preocupe, aqui tem outros exemplos, agora relacionados a futebol, começando por Paulo Henrique Ganso e o nível de suas atuações, baseado em notas dadas pelo site Whoscored.com.


O que pode se concluir com isso? O que sempre foi concluído. Ganso é um jogador instável, um atleta que alterna partidas ótimas onde merece sim ser chamado de maestro e jogador de seleção brasileira com outro atleta de personalidade omissa, lenta e irritando o torcedor. Sua sequência de atuações com notas similares foi em jogos com resultados negativos, como Chapecoense e Goiás, apesar de ter a mesma nota na partida contra o Bahia (o que não entendi pois penso que aquela atuação foi boa).

Aliás, também se conclui que para o time render, o ex-santista tem que render, afinal nas suas melhores atuações o time venceu, como por exemplo em sua maior nota, na partida contra o Flamengo. Os mais críticos poderão dizer o contrário, que ele só joga bem quando o time inteiro joga. Aqui vale um debate sobre uma possível Ganso-dependência (a meu ver inexistente).

Já que o Brasileirão é um campeonato de pontos corridos, vamos prosseguir com um gráfico que nos apresenta as posições do São Paulo na tabela do campeonato.

(Gráfico retirado do Globoesporte.com devido a falta de habilidade do escritor)

Não existe time que não tropece, mas podemos ver que por vezes que não é apenas o antigo santista que tem problemas com estabilidade. Sim, é difícil argumentar contra os números. O time liderou a tabela apenas na primeira rodada. Na segunda, empate e a vice-classificação. A volta o G-4 ocorreu apenas na nona rodada, após vitória contra o Atlético-MG, num salto de quatro posições. Uma empolgante atuação recheada de troca de passes e tiki-taka contra o Bahia na iluminada Fonte Nova, palco de tantos gols na Copa do Mundo nos fez subir uma posição. Depois disso, duas derrotas seguidas e um empate. Bum. Cá estamos na sétima posição, aguardando o início da 14ª rodada.

Os tropeços em casa foram cruciais. Não apenas por serem em casa, mas por serem jogos obrigatoriamente ganháveis, contra times como Coritiba e Criciúma. Se Muricy quiser realmente brigar por algo, é preciso dar um fim nesses tropeços.

Para finalizar o texto, vamos falar de resultados. Afinal, não se pode ser campeão só jogando bem (não que seja o nosso caso), mas precisa ganhar pontos também. No gráfico abaixo, você verá quantos pontos foram obtidos contra cada adversário da tabela.


Outra vez, instabilidade. A oscilação dessa vez começou já num empate contra o Coritiba num Pacaembu lotado, um resultado inadmissível contra uma equipe que já aquela altura lutava contra o rebaixamento. A primeira derrota porém, veio na sexta rodada, num Maracanã que três dias atrás havia recebido uma atuação magistral de Ganso. Três dias depois, ele e todo o time são paulino levou cinco gols do Fluminense numa noite inspirada de Walter que me deixou revoltado e me fez dormir mais tarde que o comum.

Outros tropeços vieram, como a IMPERDOÁVEL e ainda ativa sequência de pontos perdidos contra Chapecoense, Goiás (esse fora de casa merece desconto apesar de ter sido na estreia de Kaká) e Criciúma. O time de Chapecó, aliás, triunfou no Morumbi que recebia um bom público após a empolgante atuação contra o Bahia.

A conclusão final de todo esse processo é: a alternância de resultados se justifica em grande parte pela irregularidade de Ganso, um jogador que faz o time crescer, fluir e conseguir resultados bons. O desempenho em casa é outro fator que influencia os resultados, afinal, caso o time tivesse feito ou não sofrido um gol a mais nos jogos “ganháveis” citados acima (recapitulando: Coxa, Criciúma e Chapecoense), estaríamos com sete pontos a mais e na segunda posição. Ok, não existe time que não tropece e análises com “se” não costumam ser interessantes, mas é um ponto a se lamentar.

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Autor: Allan Jones

Projeto de hipster que vive negando o rótulo. Viciado em música boa e em esportes de qualidade. Atleti desde 2008 (chupem modinhas), Chelsea, 49ers, Celtics e claro, o São Paulo, o que interessa no final das contas. Escritor do C11 e do Britfoot.
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