Carrossel ou abóbora? O conto tricolor sem um provável final feliz

A abóbora mais recheada do elenco. (Alexandre Cassiano/Globo)

11 de novembro de 2012. O tricolor que tem boa memória sabe bem o que aconteceu nesse dia. Não tenho dúvidas que existe um sentimento imenso de saudades daquele dia, ou daquele ano, daquela fase. Foi o último suspiro de confiança. Após isso, uma queda desanimadora de máscaras e a verdadeira face do atual elenco do Fluminense. Sob lampejos e momentos curtos de alegria, um bando de sanguessugas com fezes na mente no lugar do cérebro. Isso representa o Fluminense Football Club atualmente. Trágico. 

Não é oportunismo. Pensei por diversas vezes se valia a pena dar a esse atual elenco a alcunha de mais sem caráter da história do clube. Voltei no tempo, lembrei de 2009. Nem aqueles eram tão nojentos como boa parte dos atuais. Naquele ano, o Flu tinha um péssimo elenco e uma crise financeira. Amarguramos a lanterna em 80% do campeonato, mas conseguimos salvação quando apostamos em jogadores jovens e que honravam o manto. Em 2013, não tivemos e isso se arrasta por 2014. Não temos nada, a não ser o amor do torcedor que fica sem acreditar e entender qual é a realidade desse grupo. Só que no mundo do futebol, onde o dinheiro hoje em dia é mais valioso do que o reconhecimento de um povo, não é tão difícil de enxergar o que se passa.

O Fluminense foi rebaixado em 2013, após amargurar uma crise financeira das mais agudas dos últimos anos. Muita gente coloca como ponto principal para a péssima temporada e não discordo, a começar pelo fato do time campeão brasileiro do ano anterior simplesmente esquecer seu futebol. Do céu ao inferno. Atraso de salários e o não pagamento do prêmio pela conquista do torneio nacional em 2012 ecoavam para a torcida como o grande fator da equipe pisar na honra de nossa instituição. Em novembro do ano passado, nossa situação melhorou e passamos a pagar tudo em dia, o que não evitou a vergonha algumas semanas depois, pois a merda já estava feita e o ano jogado no lixo, com a torcida sendo feita de otária, trouxa. O mínimo que se esperava da atual diretoria era uma debandada de jogadores inúteis e de caráter duvidoso e infelizmente isso não aconteceu. Graças ao erro alheio, ficamos na elite e mantivemos a espinha dorsal mais inescrupulosa da história. E no final de tudo, quem paga o pato mais uma vez, é o torcedor.

Entrando em outra parte, mas não esquecendo o fundamento, o Flu se reforçou, mas parece que não adiantou muito, a não ser o reforço na certeza de que ninguém vale um décimo de caráter. Começamos e empurramos 2014 com o tradicional oba-oba por ter um elenco de grife (e rebaixado) e reforçado por peças que já deram certo aqui. Derrotas vergonhosas no primeiro semestre foram ocultadas quando Cristóvão chegou e deu padrão tático a equipe, fazendo com que o grupo qualificado tecnicamente rendesse. Só que meu receio, estampado nesse texto (aqui), começa a prevalecer, mais uma vez. Na semana passada, a amadora diretoria do Fluminense anunciou mudanças no prêmio para os jogadores em caso de vitórias, conquistas e coisas agregadas. Além disso, alguns jogadores estão com contrato próximo do fim e estão cobrando uma fortuna pela renovação, já que sabem que possuem mercado dentro e fora do Brasil e também sabem que a Unimed inflaciona atualmente o futebol brasileiro. Só que a política tanto do clube, como da patrocinadora, estão mudando. Resultado? O vice-líder do campeonato caiu para quarto lugar, já beirando a saída da zona da Libertadores depois de somar um ponto de seis contra duas equipes candidatas ao rebaixamento e foi eliminado da Copa do Brasil pelo América-RN após vencer por 3x0 fora de casa e perder por CINCO A DOIS, NO MARACANÃ. Todo trabalhador tem o direito de ganhar seu dinheiro, mas creio que vender seu caráter por migalhas, só no futebol mesmo. 

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Perguntei no título se era carrossel ou abóbora. Carrossel pelo belo futebol apresentado antes da crise rondar novamente nosso clube. Abóbora, pela maneira suja que o elenco trata a torcida e o clube quando algo está fora do esperado por eles. Um futebol mesquinho, nojento e claramente com cheiro de boicote. Acima, disse que a torcida pagaria o pato pela diretoria não desovar esse bando de sanguessugas. E cá estamos nós, fazendo jus ao que disse. O pior de tudo é que boa parte não aprende. Eu respeito a maneira de cada um torcer pelo clube como quiser, mas depois do ano passado, cantar escalação dos jogadores e gritar 'time de guerreiros' é tirar atestado de puta de bandido. Apanha, chora, se revolta, ganha um afago e rebola toda sorridente para o lado do pilantra. Chega a bater uma depressão toda vez que lembro do Maracanã chamando esse grupo de guerreiros. Se eu fosse do elenco de 2009, me sentiria um lixo ao me ver comparado a seres repugnantes. 

Muito dos nossos problemas é culpa do querido presidente também, que promete e não cumpre nem o dia de botar a cara em uma entrevista e receber a metralhadora de perguntas da imprensa. O cara resolve mudar algo envolvendo dinheiro no meio da temporada, onde estávamos bem e com chance de título em todos os torneios. Uma pessoa ingênua e ridícula dessas não pode chegar perto da sala de presidente. O mundo é dos espertos, não dos retardados, Peter. 

Não vou perder meu tempo dando nome aos bois em relação a esse elenco. Quem viu o time campeão em 2012 e hoje assiste o Fluminense tendo suas cores mal representadas, sabe bem de quem estou falando. 

Estou novamente desanimado em relação ao futuro na temporada. Cristóvão é um cara muito bom, tanto como pessoa, como profissional, comete seus erros grotescos também, como nas últimas partidas, mas é merecedor do lugar que se encontra. Se a atitude dos jogadores permanecer assim, lambendo dinheiro e cuspindo na torcida, o técnico não vai durar, mesmo com o trouxa do Peter querendo renovar com ele até o final de 2016. 

O que quero dizer, no final de tudo, é que precisamos de mudanças na gestão do futebol. Independente de dívidas, existem clubes no Brasil que sabem gerir um elenco e o líder do Campeonato Brasileiro é o maior exemplo disso. Grife e ego deixados de lado em prol de resultado, conquistas, títulos. No Fluminense, é muito mimo e pouco trabalho. As moças não gostam de cobrança da torcida, se acham no direito de contestar quem está acima. Tem que mudar, ou em breve voltaremos a ser o Fluminense com vinte e três anos sem conquistar um título nacional.

Peço desculpa pelo tom ofensivo, mas é nojento ver meu clube dessa forma. E o quarto lugar é algo de agora. A posição na tabela não interfere na bosta que está o nosso clube. Entregue a uma administração fraca e a jogadores sem caráter. Dói mais ainda lembrar que perdemos um patrimônio do nosso clube esse ano e que ninguém vai fazer um esforço para honrar o Casal 20, trinta anos depois do Brasileiro de 84. 

Não devemos deixar de apoiar a instituição, mas também não podemos nos calar por conta de posição no campeonato. Que seja agora, antes que seja tarde demais, como foi em 2013. 

Vergonha!
Saudações tricolores. 
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Autor: Clayton Mello

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