| Huntelaar comemora seu gol. (Foto: dailymail.co.uk) |
Neste domingo (29), a Holanda teve de superar a si mesma para chegar ao gol adversário duas vezes e virar uma partida de forma épica, que já parecia perdida.
Louis Van Gaal fez de tudo para manter seu esquema com 3 zagueiros e por isso quase perdeu para si mesmo. Kuyt teve que fazer uma função de ala esquerdo, da mesma forma como na partida contra o Chile, enquanto Blind começou a partida como zagueiro. Isto bagunçou o time e facilitou o jogo do México. Verhaegh ganhou a vaga de Janmaat na ala direita e Wijnaldum a de De Guzmán no meio-campo.
Ao início do duelo, a iniciativa foi mexicana. Sempre que encontravam espaços, os norte-americanos buscavam a finalização, mesmo que de longa distância, como já vinha sendo a principal característica desta seleção na fase de grupos. Com 8 minutos de jogo, De Jong sai de campo misteriosamente, forçando a entrada de Martins Indi, que não estava 100% fisicamente devido à lesão sofrida no jogo contra a Austrália. Assim, Blind passou a ser o primeiro volante holandês, o que facilitou ainda mais o domínio mexicano da meia-cancha, pela falta de pegada do camisa 5.
A Holanda, retrancada e sob pressão adversária, buscava o gol entregando a bola para Robben e esperando que ele decidisse. Desta forma a equipe de Van Gaal passou pela fase de grupos com 100% de aproveitamento.
Oribe Peralta incomodava e vencia quase que todas as disputas contra os zagueiros holandeses, sempre criando oportunidades de gol.
Aos 27 minutos, Van Persie recebeu lançamento longo e conseguiu a primeira finalização holandesa na partida. Até aí a Holanda vinha sendo pressionada. Algo tinha que mudar, acho que o esquema, porém não era assim que Van Gaal via o jogo e o treinador seguiu com as suas "loucuras" de ter Kuyt como ala esquerdo e Blind como seu principal homem de marcação na parte central do campo.
Aos 46 minutos a zaga mexicana tenta sair tocando e, precipitadamente, entrega a bola para Van Persie, que arranca e lança Robben, que invade a área e é derrubado com um chute de Rafa Márquez no seu calcanhar. O árbitro nada marcou.
Desta forma termina o primeiro tempo, com a Holanda tendo sido sufocada no seu campo defensivo e injustiçada pela arbitragem com um pênalti não marcado a seu favor.
Com 3 minutos de segunda etapa, a principal arma mexicana funciona e Giovani dos Santos tira o zero do placar com um belo chute de fora da área. Van Gaal se viu obrigado a mexer e, com 11 minutos, pôs Memphis Depay no jogo, na vaga de Verhaegh. A partir daí a Holanda passou a jogar num 4-3-3 com Martins Indi na lateral esquerda, Kuyt na direita e Depay na ponta esquerda. Logo aos 12, a mudança de postura funciona e Ochoa faz milagre, impedindo o gol de De Vrij, após cobrança de escanteio.
A Holanda ia para cima, era o famoso "ataque contra defesa", e o México mal conseguia puxar contra-ataques para tentar matar a partida e garantir sua classificação. Robben era quem mais buscava o gol e quem mais criava situações para que o feito ocorresse. Sneijder passou a aparecer, pois no primeiro tempo teve grande função de marcação e não se destacou com a bola nos pés.
Com 75 minutos de jogo, Van Gaal decidiu por gás novo no jogo e escalou o predestinado Huntelaar na vaga de Van Persie.
Aos 43 da etapa complementar, com a Holanda já no desespero, sai o cruzamento e Huntelaar escora de cabeça para a bomba de Sneijder; é o empate. Mais 30 minutos? Não se depender do cara que eu já venho dizendo que está voando fisicamente, que está no auge da forma: Arjen Robben. Após mais de 90 minutos jogando futebol, ele faz fila, invade a área e leva para a linha de fundo, onde sofre pênalti claro de Rafa Márquez. Huntelaar na bola: gol, virada holandesa e vaga nas quartas de final.
Na história das Copas, sempre que a Holanda passou pela primeira fase, chegou às semi-finais. E deve seguir desta forma, a não ser que dê zebra nas quartas. O adversário é a surpreendente Costa Rica, que passou ilesa, sem derrotas, pelo temido grupo da morte e venceu a Grécia nos pênaltis, após um jogo repleto de emoção, pelas oitavas. Ainda assim, a Holanda tem a obrigação de vencer, pela camisa e pelos craques capazes de decidir um jogo de tal importância. Por ter o favoritismo, a seleção da Holanda deve mudar sua forma de jogar. A retranca que Van Gaal vem usando não deve aparecer na próxima partida. Imagino que sua seleção tome a iniciativa e vá para cima dos latino-americanos, que devem dar adeus à Copa diante da atual vice-campeã.
NOTAS:
Cillessen - Salvou os chutes longos do time mexicano enquanto pôde. Não defendeu a bem feita finalização de Giovani dos Santos. É um goleiro que sai muito bem pelo alto e sabe se posicionar à frente dos atacantes. Defendeu com o pé o que seria o gol de Herrera aos 16 minutos da etapa inicial. Nota: 8,0
De Vrij - A zaga holandesa foi mal no jogo. Esteve mal posicionada e foi facilmente manipulada por Peralta no primeiro tempo. De Vrij foi o zagueiro que menos errou. Nota: 6,5
Vlaar - Muito mal. Mal posicionado, com ruim saída de bola e perdia todas as disputas para Peralta. No segundo tempo pouco trabalhou, como todo o sistema defensivo holandês. Nota: 5,0
Daley Blind - Começou como zagueiro e passou para o meio-campo com 8 minutos de jogo. Era homem de marcação e cedeu muitos espaços para o México, que teve vida fácil para criar jogadas e para arriscar de fora da área. Quando a Holanda teve a bola, foi útil, subindo e ajudando Sneijder e Wijnaldum a criar oportunidades de gol para a Holanda, principalmente no segundo tempo. Nota: 6,0
Verhaegh - No primeiro tempo marcou, marcou e marcou. Esteve em campo enquanto a Holanda não jogou e fez parte de um sistema defensivo remendado com jogadores fora de suas posições e atrapalhado na marcação. Individualmente, não interferiu tanto de forma negativa, e nem positiva. Saiu com 11 minutos jogados de segundo tempo para a entrada de Depay, e para que a Holanda passasse a jogar futebol e realmente buscar o gol. Nota: 6,5
Kuyt - Atacante de ofício, e destro, que fez a função de ala esquerdo. Assim Van Gaal fez para que seu maldito esquema de 3 zagueiros pudesse ser mantido. Conhecendo o Kuyt por acompanhar o Liverpool desde pequeno, a minha expectativa era a de um desastre do atual jogador do Fenerbahçe. E foi mais ou menos isso. Eu já disse que a Holanda não conseguiu jogar no primeiro tempo, e Kuyt sofreu demais tendo que marcar principalmente a Giovani dos Santos durante os primeiros 45 minutos. O gol do México saiu apenas na segunda etapa, mas ainda com Kuyt pela posição em que iniciou a partida. Com 11 do segundo tempo e a mudança de postura holandesa, o camisa 15, que passou a ocupar a posição de lateral direito, num 4-3-3, ajudou muito na criação, fez cruzamentos e participou bastante de jogadas pelo seu lado.
Nota: 6,5
De Jong - Dizem que só entendemos o valor de algo ou alguém quando passamos a não tê-lo mais por perto. Foi neste sentido que os holandeses sentiram a ausência do camisa 6. Marcador que pouco sabe jogar com a bola nos pés, não é idolatrado como os craques Robben, Van Persie e Sneijder, mas serve como principal arma de marcação para parar o adversário. A partir da sua saída, que ocorreu com ainda com 8 minutos do primeiro tempo, o México teve o domínio da meia-cancha e a Holanda esteve mais perdida do que já estava enquanto teve De Jong em campo. Sem nota
Wijnaldum - Durante o primeiro tempo teve função de marcação e buscou Robben quando teve a bola. Após o México ter aberto o placar, o camisa 20 passou a participar da criação. Não foi muito efetivo, mas a bola sempre passava por seus pés. Nota: 6,0
Sneijder - Como o Wijnaldum, esteve preso no primeiro tempo. Cresceu muito depois do gol de Giovani dos Santos e foi o destaque da virada ao lado de Robben e Huntelaar. Foi o autor do gol de empate. Nota: 7,5
Robben - O jogo da Holanda é bola pra ele. Conseguiu algumas arrancadas no primeiro tempo, onde numa delas sofreu um pênalti não marcado. Foi quem mais buscou o gol de empate, quem mais criou oportunidades de gol e sofreu o pênalti, que desta vez foi marcado, que culminou na virada holandesa. Nota: 8,0
Van Persie - Teve raríssimas oportunidades. Disputava ao máximo seu espaço entre os zagueiros mexicanos, mas não conseguiu algo importante. Por vezes, esteve isolado no seu campo ofensivo. Nota: 6,0
ENTRARAM:
Martins Indi - Entrou aos 8 minutos de jogo e, junto ao restante da defesa holandesa, foi mal até o momento do gol do México. A partir da entrada de Depay, aos 11 do segundo tempo, fez a função de lateral esquerdo, onde foi bem, buscando o fundo por diversas vezes. Nota: 6,5
Memphis Depay - O jogo mudou a partir de sua entrada, com a Holanda passando a buscar o gol de empate. Jogou bem. Criou e dificultou a marcação adversária. Nota: 7,0
Huntelaar - Simplesmente mudou o jogo com uma assistência seguida de um gol. Entrou quando sua seleção entrava em desespero com o placar desfavorável e decidiu a classificação. Nota: 9,0
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