Os tempos de Laranja Mecânica estão de volta

Em 2010 apenas Xabi Alonso sentiu, em 2014 foi o time todo. (Foto: http://metro.co.uk/)

Fonte Nova foi o nome do palco do reencontro dos finalistas da última Copa. Bom, se são os últimos finalistas, o jogo será apertado, truncado, com poucos gols, certo? Que nada! O jogo passou longe disso...

Espanha e Holanda fizeram um primeiro tempo de estudos táticos, com a Roja tendo o domínio da meia-cancha. A laranja mecânica, que hoje jogou vestida de azul, tentava sair em esporádicos contra-ataques, mas que não funcionavam. Num destes, Sneijder saiu na cara do gol em belo passe de Robben e parou em Casillas. A Espanha encontrava muitas brechas no trio de zaga holandês, que foi mal no primeiro tempo, e foi aí que Diego Costa recebeu dentro da área e sofreu pênalti duvidoso; Xabi Alonso não perdoou. 

Mesmo com o placar desfavorável, a Holanda não deixou de se segurar lá atrás. E continuava com problemas defensivos. Aos 42 minutos, o goleiro Cillessen salvou sua equipe ao desviar cavadinha de David Silva, que estava livre de marcação dentro da área. 

Logo após a falha de marcação, o ala esquerdo Daley Blind consegue lançamento perfeito pra Van Persie, que finaliza de forma genial, de cabeça, com a bola passando por cima de Casillas, que ficou sem reação.

Sete minutos do segundo tempo e Blind entra em cena novamente: outro ótimo lançamento, agora para Robben, que dribla a zaga espanhola e decreta o vira-vira holandês. 

A partir daí a Espanha se perdeu, não sabendo reagir, talvez por ser uma equipe não acostumada com placares desfavoráveis, talvez por nunca ter vencido sequer uma partida na história vestida de branca, talvez por uma maldição de sexta-feira 13, ou talvez por uma soma destes fatores. Seja lá o que for, a Holanda fez o terceiro com De Vrij, em cobrança de falta de Sneijder. E se engana você que pensa que Blind parou nas assistências, pois foi ele quem sofreu a falta que culminou neste gol.

Aos 27 da etapa complementar, Robin Van Persie, mais uma vez ele, aproveita bobeada de Casillas e faz o quarto, roubando a bola dos pés do goleiro espanhol. E, não satisfeito, Arjen Robben, após 80 minutos de futebol, ainda tinha gás para arrancar em velocidade, driblar o goleiro, esperar os zagueiros que já estavam dentro da goleira abrirem um canto e finalizar com frieza para fazer o quinto.

Antes das notas, quero endeusar o trabalho do novo treinador do Manchester United: Louis Van Gaal armou um 3-5-2 que quase não deu certo; se David Silva faz o 2 a 0, eu provavelmente estaria linchando o técnico holandês, mas, como futebol é bola na rede, Van Gaal merece aplausos, pois não abriu mão do seu esquema, que teve Robben e Van Persie com grande função tática, travando os laterais espanhóis, e conduziu seus comandados a quarenta e cinco minutos de perfeição.

NOTAS:

Cillessen - Foi espetacular jogando para escanteio a finalização de David Silva quando a Espanha ainda vencia a partida. Sofreu um gol, mas foi de pênalti, não podemos o culpar. Fora isso, fez jogo seguro. Nota: 8,0

Ron Vlaar - Foi o melhor dos três zagueiros; era o cara da sobra. De Vrij e Bruno Indi falhavam e Vlaar concertava, e fazia isso bem até mesmo quando a Espanha tinha o domínio das ações, no primeiro tempo. Nota: 7,5

Stefan de Vrij - Falhou bastante no primeiro tempo, com erros infantis de saída de bola. Infantil também ele foi ao cometer o pênalti sobre Diego Costa. Se a penalidade foi bem marcada, existem diferentes opiniões, e eu não tive convicção alguma, mas De Vrij não soube se portar a frente de um dos melhores centroavantes do futebol atual. Apesar de tudo, fez um gol. Nota: 7,0

Bruno Indi - Pior holandês em campo (holandês que não é holandês). Fez tudo errado no primeiro tempo, incluindo passes, tentativas de saída de bola e desarmes. No segundo pouco teve de trabalhar. Nota: 4,0

Daryl Janmaat - O princípio do jogo da Espanha era atacar pelo seu lado esquerdo, com Iniesta, e Janmaat teve bastante dificuldades, mas o camisa 6 espanhol não foi crucial no resultado final, o que dá méritos ao ala direito da Holanda. Nota: 7,0

Daley Blind - Duas assistências sensacionais e um desarme sobre Fernando Torres quase que dentro do gol. Defensivamente, não teve muito trabalho, pois, como eu disse, a Espanha buscava usar Iniesta pelo seu lado esquerdo. 
Nota: 9,0

Nigel de Jong - É o bad boy que quase toda equipe tem. Primeiro jogador a frente do trio de zaga, que buscava segurar as subidas adversárias. Não obteve êxito no primeiro tempo; foi bem no segundo. Nota: 6,0

Jonathan de Guzmán - Cometeu muitas faltas até receber o cartão amarelo, aos 23 do primeiro tempo. A partir de então, buscou jogar bola, e ajudou a Holanda a dominar o jogo na segunda etapa. Nota: 6,5

Wesley Sneijder - Perdeu gol na cara de Casillas quando o placar ainda estava zerado. Foi o homem da assistência do terceiro gol. Dos jogadores de frente, foi o que menos participou dos lances capitais da partida. Nota: 6,0

Arjen Robben - Cumpriu função tática de forma maravilhosa no primeiro tempo, marcando as saídas do Azpilicueta e brincou de jogar futebol no segundo, como uma criança num campinho de areia. Nota: 10

Robin van Persie - Ctrl+c e Ctrl+v do que eu disse sobre o Robben, apenas trocando "Azpilicueta" por "Jordi Alba", e acrescentando um gol com finalização genial no primeiro tempo. Nota: 10


ENTRARAM:

Wijnaldum - Buscou fazer o seu. Finalizou bastante e penetrou na área espanhola diversas vezes. Não teve sucesso, mas, naturalmente, segurou a bola no campo de ataque, como um Check no xadrez. Nota: 7,0

Veltman - Zagueiro que raramente foi acionado. A Holanda quase não foi atacada durante os cerca de 15 minutos em que ele esteve em campo. 
Nota: 5,0

Lens - Entrou nos minutos finais da partida e buscou o sexto gol holandês, assim como Wijnaldum, mas não foi tão bem quanto o mesmo. Nota: 6,0


Nos acompanhe nas redes sociais: Twitter - Facebook
Meu Twitter pessoal: guilhermelnz


Compartilhar no Google Plus

Autor: Guilherme Zanco

Apaixonado por futebol em primeiro lugar; Colorado e escritor do C11. Além, fanático pelo Liverpool Football Club. Twitter: @guilhermelnz
    comentar com Facebook