Mesmo debaixo de muita água, Camarões não resiste ao México


O meio era favorável. Uma seleção que leva o nome Camarões naturalmente já sai ganhando em um jogo realizado com tanta água presente. De amarelo, a equipe ainda buscava conquistar a torcida local - bom, nada deu certo. O México precisou ir às redes 3 vezes até convencer o bandeirinha, mas venceu em Natal pelo placar de 1x0 no segundo jogo do Grupo A da Copa do Mundo.

Os africanos vieram para o jogo num 4-3-3 meio desorganizado que não tinha muitas razões para dar certo. A defesa era normal: Itandje no gol, Djeugou e Assou-Ekotto nas laterais e Nkoulou e Chedjou na zaga. O meio-campo era o problema: Mbia (pela direita), Song (centralizando, armando) e Enoh (pela esquerda) - três volantes que demonstravam grande dificuldade para encostar no ataque. Moukandjo, Choupo Moting e Eto'o formavam o trio ofensivo; o craque ficava isolado enquanto os outros dois nem encostavam nele e nem ajudavam na marcação. Pareciam três centroavantes, cada um sozinho em uma parte do campo. Zero de movimentação.

A prova disso é que não houve nenhuma chance criada por Camarões que envolveu aproximação ou toque de bola durante todo o jogo. México mereceu uma vitória maior do que 1x0, começando melhor e dominando quase todos os 90 minutos. Depois de um pequeno sufoco inicial, os mexicanos chegaram ao gol com Giovani dos Santos completando cruzamento da direita. O assistente anulou equivocadamente - entretanto, um lance difícil até no replay, passível de erro.

Camarões tentou equilibrar por meio da força, do porte físico, claramente levando vantagem no quesito. Foram alguns bons lances em escanteios e bolas cruzadas que assustaram o goleiro Ochoa e sua defesa. A melhor chance dos Leões Indomáveis veio quando Ekotto fez boa jogada individual pela esquerda e cruzou para Eto'o, de canhota, acertar a trave. Em outro lance, originado de um escanteio, a bola sobrou para Moting, impedido, deixar a sua marca. Dessa vez acertaram ao anular.

O México voltou ao domínio, chegando a 60% de posse de bola e ameaçando também com bons cruzamentos. Em um deles, ela sobrou para dos Santos de novo, que de novo fez o gol. Outra vez, anulado pelo bandeira. Outra vez, de forma errada - este bem mais absurdo que o primeiro. Mais detalhes na edição do próximo jornal argentino, que com certeza estará noticiando desta vez que a Copa está comprada pelos africanos.

Em 30 minutos, 3 gols anulados. Não tinha como a primeira etapa não terminar no 0.

O segundo tempo começou com Giovani deixando Peralta na cara de Itandje, que defendeu. Contudo, o jogo foi ligeiramente pior que no primeiro tempo. Camarões teve a sua chance em contra-ataque puxado por Mbia, que pedalou, esbanjou categoria e foi derrubado perto da área. Na cobrança de Ekotto, a Brazuca sofreu desvio e, com interferência de algum deus asteca, passou rente à trave direita do México.

Pouco tempo depois, Herrera fez boa jogada na intermediária, viu dos Santos sozinho no meio de uma confusa defesa camaronesa e deixou o 10 em condições de se vingar da má arbitragem. Porém, havia um Itandje entre a bola e o gol. No rebote, não havia mais; o goleiro assistiu deitado o artilheiro Peralta finalmente abrir o placar.

Sem poder de reação, Eto'o e cia. só conseguiram criar uma chance nos acréscimos. Ekotto (sempre ele) cruzou para Moukandjo, que cabeceou para uma bela defesa de Ochoa, segurando a vitória mexicana. Quando as melhores chances são criadas pelo lateral-esquerdo é porque tem muita coisa errada.

A derrota é justíssima. Por causa do saldo de gols, os leões ainda terminam a primeira rodada em 3º no Grupo A.

Pontos fortes
A única vantagem que Camarões pode ter em cima das seleções de seu grupo diz respeito à força física. Nesse ponto, pode ser perigosa em lances de bola parada. De resto, se alguém não deixar Eto'o sozinho, não haverá muito trabalho. Hoje o destaque fica para Ekotto, o melhor no lado dos africanos.

Pontos fracos
É... basicamente tudo, mas em especial a defesa. Ekotto vira esperança quando passa do meio-campo. Atrás dele, é mais um integrante de uma ruim defesa. Pelo menos o goleiro é razoável.

Notas
Importante: não leve a sério. Grato.

Itandje | Sofreu com a torcida mexicana e ainda defendeu quando pôde. Nota 8.

Zaga | Acho que até o Fred poderia se dar bem ali no meio. Nota 0.

Assou-Ekotto | O melhorzinho do jogo, responsável pelas chances criadas; e sequer chega a ser um bom jogador. Nota 8,5.

Mbia e Song | Bons volantes, sem nenhum talento para criar jogadas. Nota 5.

Moukandjo | Foi o que mais tentou se movimentar no ataque, só fica devendo muito pela qualidade. Poderia ter salvado a seleção se não fosse o goleiro mexicano. Nota 6.

Eto'o | Recebeu uma bola e, com a perna ruim, acertou a trave. Que não deixem o artilheiro sozinho. Nota 7.

Resto | Se não tivessem jogado, daria na mesma. s/n.

Torcida mexicana | A festa feita por eles é impagável. Nota 10.

Arena das Dunas | Aguentou uma chuva considerável sem formar nenhuma poça em campo. A drenagem está de parabéns, espero que seja o padrão de toda a Copa. Nota superfaturada.

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Quarta-feira, 19h, o Camarões enfrenta a Croácia. Se não conseguiu pontos nem contra o México, difícil que vá arrumar algo contra os outros adversários do grupo.


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Diogo Magri
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Autor: Diogo Magri

17 anos, são-paulino do interior. Tenho trauma de bola parada, de pênaltis e de elogios ao goleiro antes do fim do jogo. No C11, falo de futebol europeu. Na vida, tento sofr... digo, ser jornalista.
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