| (reprodução uol.com) |
O título do Campeonato Brasileiro de 2014 não veio, mas com certeza o vice-campeonato do São Paulo nesta edição deixou um grande legado. O time foi irregular em alguns momentos, mas sempre buscou à vitória até o fim, e se não fosse por pequenos tropeços, poderia ter sido o campeão.
A base do time foi: Rogério Ceni, Paulo Miranda (Hudson), Rafael Tolói, Edson Silva, Álvaro Pereira; Denilson, Souza, Ganso, Kaká; Alexandre Pato (Luís Fabiano), e Alan Kardec.
O começo foi animador. Estreamos com vitória sobre o Botafogo, e depois um empate sofrido com o líder Cruzeiro. Na 3ª e na 4ª rodada, dois empates em casa, contra Coritiba e Corinthians, jogos que custaram caro mais tarde. Na 5ª e na 6ª, jogos no Rio de Janeiro. Primeiramente, uma vitória satisfatória contra o Flamengo, depois, sofremos uma virada contra o Fluminense que acabou virando goleada por 5 a 2.
Conseguimos nos recuperar na 8ª e na 9ª rodada, com vitória sobre o Grêmio e empate fora de casa contra o Atlético-PR. Na 10ª e última rodada antes da parada da Copa, uma vitória sofrida contra o Atlético-MG.
O time voltou da Copa com a contratação de Alan Kardec, que fez ótima estreia na vitória contra o Bahia. Na 11ª e 12ª, derrotas para Chapecoense e Goiás (na estreia de Kaká). Na 13ª, completamos 3 jogos sem vencer no empate contra o Criciúma e vimos os rivais se distanciarem.
Na 14ª, formou-se o "quarteto mágico" de Ganso, Kaká, Pato e Alan Kardec. O time venceu Vitória, Palmeiras, Inter e Santos e voltou à lutar lá em cima. Ainda empatou com Figueirense e venceu o Sport pelo primeiro turno.
Com o começo do segundo turno, vimos um time mais maduro. Venceu o Botafogo por 4 a 2, e o Cruzeiro por 2 a 0. "Empolgou!", era o que todos diziam, até que veio a sequência de derrotas para Coritiba e Corinthians, empate com o Flamengo e derrota para o Fluminense.A recuperação veio com vitórias difíceis contra Grêmio e Atlético-PR.
E no momento em que o Cruzeiro ia tropeçando, o São Paulo era irregular e não conseguia aproveitar. Perdeu para o Atlético-MG, venceu o Bahia, e empatou com a Chapecoense.
Quando conseguimos a tal regularidade, já era tarde demais. Vencemos Goiás, Criciúma, Vitória e Palmeiras, em sequência, e não conseguimos diminuir a vantagem para o time mineiro. Contra o Inter na 35ª rodada, no Morumbi, empatamos por 1 a 1, e aquele foi o jogo da "desistência" pelo título brasileiro. O time fez o possível e a torcida reconheceu isso.
Vencemos o Santos com o time reserva na 36ª. Na 37ª, na despedida de Kaká, empatamos com o Figueirense e na 38ª e última, perdemos para o Sport.
Mesclando a experiência e o talento dos jogadores, com a força da torcida e de Muricy Ramalho, podemos dizer que o São Paulo formou um dos melhores elencos dos últimos anos e que ainda tem muito pra mostrar.
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Victor Castro é o próximo a seguir com a retrospectiva, com um texto que relata um pouco mais da competição da visão de um torcedor.
O título não veio, mas a campanha foi positiva. Foram 70
pontos conquistados – podiam ter sido mais, mas tiramos o pé nas últimas
rodadas – e garantimos a segunda colocação com antecedência. O mais importante,
que era a classificação para a Libertadores, veio com folga.
Poderíamos ter brigado até o final com o Cruzeiro, sim. A
torcida ficou cheia de esperanças quando ganhamos – jogando bem – dos mineiros
no Morumbi, mas logo em seguida perdemos para o Coritiba – que terminou em 14º
– na rodada seguinte.
Essa sequência ilustra bem o que foi o São Paulo nesse
Brasileiro: ganhou jogos difíceis, mostrou bom futebol, mas perdeu pontos
inexplicáveis e ficou fora da briga exatamente por isso. Perdemos para a
Chapecoense, empatamos com o Criciúma e com o Coritiba, tudo isso jogando em
casa. Esses deslizes foram fatais.
É importante destacar a importância de Kaká nessa campanha.
Antes da chegada do meia, o time ainda parecia perdido em campo e não tinha
consistência. Com sua chegada, a equipe ganhou um líder – afinal, Rogério não
pode fazer muita coisa lá de trás – e engrenou de vez. Kaká correu muito em
todas as partidas, ajudou na marcação e dividiu a armação com Ganso,
possibilitando que o ‘maestro’ rendesse muito mais.
Ganso, inclusive, levou a Bola de Prata como o segundo melhor
meia do campeonato, atrás apenas de Goulart – que levou a Bola de Ouro. Sabemos
que ele ainda pode render mais, mas suas atuações já são ótimas e não há como
imaginar o time do São Paulo sem Ganso. Além do camisa 10, o outro são paulino que
levou a Bola de Prata foi Toloi. O zagueiro voltou do empréstimo à Roma jogando
muito bem e suas ausências decorrentes de lesões só serviram para mostrar sua
importância ao time.
Souza também merece destaque. O volante foi muito bem em sua
primeira temporada pelo São Paulo, apesar das oscilações no segundo semestre. Demonstrou
sempre bastante vontade e é o melhor volante que temos. Será essencial em 2015.
E é claro que eu não poderia esquecer de Rogério Ceni. Nosso capitão fez um bom
campeonato e mostrou que ainda tem muita bola para jogar, tanto é que não
resistiu e renovou o contrato. Nada que for dito a respeito dele será novidade
para alguém, então digo apenas que Rogério Ceni é enorme, gigante, monumental.
O São Paulo precisa pensar grande. É claro que o maior
objetivo de 2015 será a Libertadores, mas temos de entrar no Brasileirão
mirando o título. Se nós já temos 6, lutemos pelo 7º.
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Por fim, eu Allan Jones vou procurar dar uma visão diferente para a competição, focando nas atuações.
Depois de um campeonato em 2013 que correu sério risco de rebaixamento, o Tricolor precisava superar a edição passada e jogar como time grande que é, ou seja, brigar por título. Felizmente, em 2014 o time estava forte e foi possível se iludir até as rodadas finais com a conquista do título.
O que mais agradou foi a produção ofensiva, com o tão falado quarteto, formado por Ganso, Kaká, Pato e Alan Kardec, tendo ainda peças importantíssimas como Michel Bastos e Luis Fabiano que, apesar de teoricamente serem reservas, foram titulares com uma grande frequência, sendo que o camisa 9 na reta final se consolidou como titular e um dos principais nomes do ataque na reta final da temporada.
A defesa, que outrora era um dos problemas maiores do time, se tornou uma unidade sólida, com a ascensão de Edson Silva, se tornando o xerifão da defesa e se destacando como um dos melhores da posição no Brasileirão de 2014 junto de Rafael Toloi, que voltou de empréstimo da Itália e demonstrou grande evolução atuando na Europa.
Sobre o campeonato em si, fica o registro que alguns tropeços no primeiro turno mataram a campanha. Quando ainda todos os times estavam embolados e buscando somar os primeiros pontos, perdemos importantes pontos contra adversários frágeis, como Coritiba e Chapecoense em casa, além de jogos esquecíveis contra o Atlético-MG e o próprio Coxa no segundo turno, em que o time precisava se afirmar como candidato ao título e mostrar que poderia vencer fora de casa em seu melhor momento na competição.
É claro que fica a sensação de que poderia ter sido melhor, mas o resultado final mostra a evolução e o amadurecimento de um time, que em um ano passou de um candidato ao rebaixamento à um time com vaga na Libertadores. Para 2015, espera-se que o São Paulo continue sendo o gigante que é e possa brigar novamente pelo título.
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