Um título de pouca expressão, duas imensas decepções e uma boa campanha no campeonato mais importante dos disputados. Esse foi o ano de 2014 para o Internacional. Aqui, tentarei explicar da forma mais completa possível como tudo isso ocorreu.
Gauchão
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| Foto: internacional.com.br |
O campeonato gaúcho do Inter serviu, como vem sendo nos últimos anos, em boa parte como teste para a garotada do elenco, o famoso "time sub-23". Dos jovens, Cláudio Winck, vulgo sobrinho do Luís Carlos, foi quem mais aproveitou as chances. Encantou com sua técnica apuradíssima, considerando que é um lateral. Como consequência, hoje é jogador do time principal, onde até chegou a atuar no meio de campo. Seu grande problema são as lesões. Joga duas partidas e fica três de fora. Lembro que, em 2011, jogando o gauchão com o sub-23 do Inter, Ricardo Goulart despontou para o futebol. Em 2014, foi eleito o melhor jogador do Campeonato Brasileiro pela emissora de televisão ESPN.
Quando a equipe principal entrou em cena, Aránguiz, então recém contratado, foi bem a ponto de ser eleito como o craque da competição pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF). O chileno era pouco conhecido por parte da maioria dos colorados. Chegou com tudo, fazendo belos gols e praticando belas jogadas, indo ao ataque como homem surpresa por muitas vezes, principalmente pelo lado direito do campo de jogo. É o típico volante moderno.
Outro jogador colorado que se destacou na competição estadual foi Alan Patrick. O meia, que chegou emprestado pelo Shakhtar Donetsk na metade do ano de 2013, com contrato de um ano no Beira-Rio, não conseguiu mostrar seu futebol logo de cara. No gauchão 2014, mostrou a que veio. Foi muito bem e teve seu empréstimo renovado até o fim deste ano. Sua situação ainda não está definida. O Inter possui a opção de compra do jogador.
Na final do campeonato, massacramos o rival. A primeira vitória em GreNais da Arena OAS foi do Inter, com o placar de dois tentos a um. De virada, Rafael Moura marcou ambos os nossos gols. Barcos fez o deles. No jogo de volta, no estádio Centenário, em Caxias, com mando de campo do Inter, 4 a 1, fora o baile. D'Alessandro, Alan Patrick e Alex, duas vezes, marcaram para o Colorado. Ernando, contra, descontou para o Grêmio.
Copa do Brasil
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| Foto: espn.uol.com.br |
Na primeira fase, o Inter foi até o Pará e, sem piedade, aplicou 6 gols contra apenas 1 do Remo, eliminando o jogo da volta. Na segunda fase, 5 a 2 contra a equipe do Cuiabá no placar agregado. Após isso, veio o vexame. Para muitos, Abel Braga, treinador do Inter, teve a escolha de abrir mão da classificação à quarta fase da Copa do Brasil, para que, assim, adquirisse classificação automática para a Copa Sul-Americana. Levamos um banho de bola do Ceará no Beira-Rio, perdendo por 2 a 1. Na volta, 3 a 1 para o time do nordeste e Inter eliminado.
Foi tão rápido e ridículo que deu a impressão de que Abel estava sem vontade de trabalhar mesmo, e não que fazia questão de brigar pela competição continental.
Logo na primeira fase, perdemos por 2 a 0 para o Bahia em pleno Beira-Rio. Vale ressaltar que o segundo gol da equipe nordestina foi irregular, com a bola tendo saído por completa do campo de jogo. Não assinalado o tiro de meta pelo árbitro ou pelo bandeirinha, a jogada prosseguiu e o gol aconteceu. No jogo da volta, no estádio Pituaçu, 1 a 1 e mais uma eliminação para a conta.
Brasileirão
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| Foto: torcedores.com |
A mais longa, mais disputada e mais complicada de todas as competições. 38 rodadas de altos e baixos, que terminou com o Inter por cima. Só não por cima de Cruzeiro e São Paulo. Terminamos o campeonato na terceira colocação, garantindo, assim, vaga direta para a Libertadores 2015.
O Colorado foi bastante irregular durante a competição. Em alguns momentos, a torcida pedia a cabeça de Abel, em outros, declarava todo seu amor ao mesmo. Comigo, torcedor acima de tudo, e assumo, não foi diferente. O Inter foi a equipe capaz de conquistar cinco vitórias consecutivas no Brasileirão, contra Flamengo, Bahia, Santos, Grêmio e Goiás, ao passo que também foi capaz de sofrer um sonoro 5 a 0 da pequena Chapecoense, na Arena Condá.
De times como o Inter, a torcida sempre espera o título do Brasileirão. Considerando que existem 12 times grandes no Brasil, e que, destes 12, 11 estiveram nesta última edição da série A, todos eles tinham a capacidade de ser campeões. Diz-se que o Inter tem uma obrigação maior que os outros nesta questão de vencer o Campeonato Brasileiro, pois não o vencemos desde 1979, desconsiderando o assalto de 2005.
A campanha do Inter foi boa! Muitos não concordam. Tentarei me explicar:
Giovanni Luigi, que tem seu último ano como presidente do Inter em 2014, aplicou grande parte do dinheiro do clube na remodelação do NOSSO estádio. Com isto, pouco foi investido diretamente no futebol. Contratações como a de Wellington Paulista e as de vários jogadores que vieram por empréstimo demostram este fato. Portanto, eu já não acreditava numa grande campanha do Inter neste Brasileirão. Fui surpreendido. Eu não imaginava uma classificação à Libertadores, e muito menos que em algum momento seríamos postulantes ao título. Assim como o São Paulo, mas em momentos distintos, incomodamos o Cruzeiro na briga pela Taça. Falei com um amigo cruzeirense na véspera do que foi, talvez, o jogo mais importante do campeonato para nós e para os azuis de Minas Gerais, aquele Cruzeiro e Inter pelo segundo turno, que acabou com vitória dos donos da casa pelo placar de 2 a 1, e ele me disse que aquela partida valia muito, que a tensão em Belo Horizonte era imensa. Se vencêssemos o jogo, encurtaríamos a distância para 3 pontos de diferença do líder, faltando ainda 12 rodadas para o fim do campeonato.
Algo que me chamou a atenção foi que o Inter não conseguiu vencer nenhuma das seis partidas disputadas contra as outras equipes que terminaram o campeonato no G4. Conquistamos 1 mísero ponto dentre 18 disputados. Duas derrotas para o Cruzeiro, duas derrotas para o Corinthians, uma derrota e um empate contra o São Paulo.
O fim de campeonato do Inter foi sensacional. Nos recuperamos da derrota para o Grêmio na Arena OAS com um empate contra o São Paulo no Morumbi seguido de 4 vitórias, para fechar o ano com chave de ouro, contra Goiás, Atlético-MG, Palmeiras e Figueirense, com destaque para a emoção: jogadores chorando, gols nos acréscimos, como os de Fabrício contra o Atlético e Wellington Silva contra o Figueirense, este o qual nos deu vaga direta à fase de grupos da maior competição do continente americano, pondo o Corinthians na pré-Libertadores.
Destaques da temporada
Aránguiz: Contratado no início do ano junto à Universidad de Chile, o conterrâneo do ídolo colorado Dom Elías Figueroa já deu os primeiros passos para se tornar mais um grande jogador na história do Inter. Muita qualidade com a bola nos pés e ótima noção de espaço, que leva ao seu grande senso de posicionamento, são suas principais qualidades. O camisa 20 foi irregular no Brasileirão, mas, claro, ninguém joga um campeonato longo como este em altíssimo nível em todas as partidas. Decidiu dois jogos importantes de maneira direta: no primeiro turno, abriu o placar contra o Grêmio no Beira-Rio, jogo que acabou com vitória colorada pelo placar de 2 a 0; já no segundo turno, fez os dois gols que deram a primeira vitória da história do Inter na Vila Belmiro, contra o Santos, em partida que acabou por 2 a 1. Aránguiz é peça importante na seleção de Jorge Sampaoli e foi muito bem na Copa do Mundo deste ano. Assim, foi exposto na vitrine do futebol e é frequentemente especulado na janela de transferências. Certo é que o meia Otávio foi vendido em meados deste ano para que o Inter adquirisse capital suficiente para manter o volante. Enfim, torçamos para que ele fique e nos dê muitas alegrias nos anos que vêm pela frente.
Eduardo Sasha: Emprestado ao Goiás em 2013 e só não vendido em 2014 por pedidos de Abel, o meia-atacante pouco foi usado no primeiro semestre de 2014, surgindo, na segunda metade da temporada, como solução para o grande problema de velocidade que Abel Braga tinha em sua equipe. Influenciou diretamente, com gols e assistências, nos jogos contra Botafogo, Criciúma e Coritiba, todos no segundo turno do Campeonato Brasileiro. Logo que tomou de vez a titularidade do Inter, se lesionou e teve de deixar o futebol em 2014. Espera-se bastante do guri em 2015.
Nilmar: Ídolo no Beira-Rio, voltou à sua casa após 5 anos fora, em sua terceira passagem pelo Inter, com status de craque, e tendo uma grande apresentação no gramado do Beira-Rio em evento aberto ao público. Não demorou muito a tomar a titularidade do ataque colorado, surpreendendo aos que pensavam que o novo camisa 7 estava fora de forma por ter passado os últimos dois anos jogando no futebol do Catar. Mais um que se lesionou e passou o finzinho da temporada no departamento médico.
Alisson: Vulgo irmão do Muriel, mas que já se mostrou muito mais competente que o mesmo. No início do ano, brigava pelo posto de terceiro goleiro com Agenor, atrás de Dida e Muriel na hierarquia colorada. Em partida contra o Botafogo, válida pela segunda rodada do segundo turno do Brasileirão, rodada seguinte à na qual Dida falhou em gol de Richarlyson, contra o Vitória no Barradão, Muriel ganhou chance como titular. Ia bem, mas teve o azar de se machucar. Dida, que estava no banco, foi para o jogo, e continuou na titularidade até a oitava rodada, em partida contra a Chapecoense, quando foi expulso. Quando isto ocorreu, Abel já havia praticado as três alterações na equipe que lhe são permitidas. Rafael Moura foi para o gol. Na partida seguinte, Alisson, então terceiro goleiro, teve sua chance, em partida contra o Fluminense, e não mais deixou o gol do Inter. Virou titular incontestável e convenceu a torcida.
Valdívia: Sempre o vi como um perna-de-pau qualquer que logo seria dispensado pelo Inter. Neste ano, ele surgiu como bela opção para Abel. Logo na segunda rodada do Brasileirão, teve grande oportunidade de mostrar seu futebol contra o Botafogo, no estádio do Engenhão, e foi bem, inclusive dando assistência para gol do Rafael Moura. Teve algumas outras chances no primeiro turno, mas ainda não conseguia ter ótimas atuações, até que foi descoberto como um grande jogador para segundo tempo. Primeiramente, entrou na segunda etapa e deu assistência para o gol da vitória de Rafael Moura sobre o Atlético-PR, no segundo turno. Após, entrava em todos os jogos. Contra o Fluminense, entrou e fez o gol da vitória aos 42 minutos do segundo tempo, lance que teve direito a choro do próprio camisa 29 e do meia Alex. Foi aí que ele conquistou a torcida. Ainda entrou para decidir os jogos contra Atlético-MG e Palmeiras, no fim do campeonato, com um gol e uma assistência.
Índio: 9 anos, 14 títulos e 33 gols. Assim foi a passagem de Índio pelo Inter. Sua última partida foi ainda no primeiro semestre de 2014, contra o Coritiba, no Couto Pereira, mas o zagueiro esteve sempre treinando e foi ativo nesta campanha do Inter em 2014. Marcos Antônio de Lima, o Índio, se aposentou da carreira de jogador de futebol ao fim da última temporada. Deve continuar no Inter, mas numa função diferente. Fala-se que ele pode ser embaixador do Internacional. Nada é certo ainda. O nosso ex-camisa 3 curte férias neste fim de ano e deve decidir seu futuro apenas em janeiro de 2015. A torcida colorada deseja tudo de bom ao Indião veio.
Os 5 melhores jogadores do Inter em 2014, na minha concepção:
1º - D'Alessandro
2º - Fabrício
3º - Aránguiz
4º - Alex
5º - Alisson
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