Com uma escalação que deu certo pela estratégia utilizada, Dal Pozzo soube usar bem as laterais e explorá-las. Porém, o mesmo técnico acabou por fazer uma substituição horrível, que desperdiçou 2 pontos praticamente garantidos. São situações como essa que podem fazer a diferença lá na frente.
| Dal Pozzo estragou o time que estava encaixado justamente por achar que era necessária a entrada de Baier na equipe. Foto: Caio Marcelo / Agencia RBS |
Como já era esperado antes do jogo, o Criciúma, um time com mais técnica e qualidade que seu adversário, controlou o jogo no primeiro tempo, enquanto que o Figueirense esperava por uma falha do tigre para fazer uma transição rápida e chegar ao ataque. Um fato que aumentou as chances de sucesso do Criciúma foi a lesão do lateral esquerdo Cereceda, que teve como consequência a improvisação de um garoto destro, o William Cordeiro, que possui uma gigantesca falha na marcação. E foi nessa falha que o tricolor explorou suas principais chances.
Quando Silvinho recebeu pela direita, ele foi pra cima do Cordeiro e, como um gesto de inocência do garoto, ele cometeu um pênalti. Infração essa que foi muito bem assinalada pelo árbitro assistente atrás do gol, e é importante comentar que é a primeira vez que vejo esse juiz ter alguma influência positiva no jogo. Porém, estava tudo muito bom para ser verdade. Zé Carlos, um dos ícones do elenco, pegou a bola, foi para a batida e telegrafou o chute, batendo muito mal. No entanto, o que mais me surpreendeu foi que o time não se abateu com o lance, tanto que continuou sendo o melhor na partida, até que, aos 46 do primeiro tempo, João Vitor fez um passe magistral para Eduardo -lance esse novamente nas costas do Cordeiro-, que chegou à linha de fundo e cruzou pro meio, achando Silvinho dentro da área. Esse gol premiou a equipe que jogou melhor na primeira etapa, porém a segunda teve um aspecto que tornou o jogo totalmente diferente.
No intervalo, ao tirar o Silvinho - um dos melhores da partida- e colocar o Paulo Baier, Dal Pozzo teve a proposta de segurar mais a bola. Porém, o efeito foi totalmente ao contrário. Ao tirar o Silvinho, ele não só tirou uma das principais peças do time como também anulou a possibilidade de contra-ataque, que com certeza viria no segundo tempo, já que o time da capital veio com tudo pra cima. Além de que, com o Figueirense mais ofensivo, ele pressionou muito mais, e a saída de bola da equipe do sul do estado não tinha uma válvula de escape, só acontecia pela forma de chutões, ou seja, mesmo que a entrada do Baier tivesse um ponto positivo, ele não foi visto.
Uma coisa que estou percebendo é que a entrada do Paulo Baier na equipe parece ser essencial para o técnico, pois mesmo quando o jogo não está favorável a ele -como o de hoje-, Dal Pozzo faz questão de colocar o vovô em campo. O pior é que a atuação do camisa 10 na peleja desta noite foi horrível, ele mal conseguiu tocar na bola e quando tocou nela, como em cobrança de faltas, estragou a jogada. Não estou sendo corneteiro, mas é um caso que precisa ser analisado pelo próprio Baier e pelo Dal Pozzo, pois o seu rendimento não está chegando nem perto em relação ao ano passado.
E não posso deixar de destacar -estou sendo repetitivo, eu sei, mas é que sempre chama atenção- a participação da torcida carvoeira no Orlando Scarpeli. Pois mesmo em uma quarta à
noite, dia chuvoso e em minoria, os sul catarinenses cantaram mais alto e apoiaram os jogadores o tempo todo, diferente da "torcida de escanteio" característica dos times da capital, que colocou só 7 mil pessoas no seu estádio em um clássico.
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