Nos
primeiros dois capítulos você viu nosso herói fazendo seu primeiro jogo pelo São Paulo e também viu seu primeiro título oficial como titular. A essa altura, o goleiro já fazia
seu nome, marcando seus gols em disputas de pênaltis, nada comparado aos dias
atuais, onde já fez seu nome com seus gols. Mas nem sempre foi assim. Nos
parágrafos abaixo, vamos saber a história do primeiro gol oficial de Rogério
Ceni, o primeiro de seus 120 gols (e contando).
São Paulo 2x0 União São João – O primeiro
gol
Tarde
de sábado, final de semana a todo vapor. Parte da população está aproveitando
que estamos apenas em Fevereiro e está enchendo a cara em algum churrasco,
outra parte trabalhando duramente. Uma pequena parte, formada por uma única pessoa
estava entrando pra história.
Na
época já não era novidade um goleiro marcar gols, graças à Chilavert, detentor
do título de goleiro artilheiro daqueles tempos. Porém, seu reinado era
ameaçado pelo nosso herói, que vinha aperfeiçoando sua batida, treinando cada
vez mais faltas. Em declaração ao globoesporte.com, Rogério declarou que chegou
a bater por volta de 3 mil cobranças por mês, algo em torno de 15 mil faltas
antes da fatídica cobrança.
O
antigo titular do gol do São Paulo era Zetti, outro histórico goleiro e outro
grande ídolo. Mas sua história no Morumbi tinha acabado, sendo negociado com o
Santos. A diretoria decidiu não contratar um goleiro para ser titular, era hora
daquele jovem goleiro, titular do Expressinho e pegador de pênaltis contra o
Tenerife estrear, escrever seu nome e fazer com que as pessoas se lembrem dele
por anos e anos.
E
a competição escolhida foi o Paulistão de 1997, pela sua segunda rodada. Na
estreia, uma semana antes, o Tricolor ganhou da Portuguesa Santista fora de
casa, por 3 a 1 e iria jogar mais uma partida longe de casa, contra o União São
João, que jogava outra partida em casa, no Hermínio Ometto, ao bater o Rio
Branco por 1 a 0 e na época disputava também a primeira divisão nacional.
O
tricolor entrou em campo com Rogério Ceni; Cláudio, Válber, Bardon e Serginho;
Axel, Nem, Luis Carlos e Adriano; Dada e Marques. O Técnico era Muricy Ramalho.
O
jogo começou e foi ficando no empate, num primeiro tempo sem gols nos primeiros
45 minutos. Mas os acréscimos do período reservavam o grande momento do
campeonato. Cobrança de falta na entrada da área e sim, um goleiro estava
posicionado para a batida. Agora era hora.
E
foi.
Como
visto acima, o gol foi comemorado de maneira intensa, como Rogério sempre foi
em campo. Aquilo era histórico. Onde já se viu, num clube grande e de alto
nível como o São Paulo, um goleiro marcando gols? Um jogador que tem como maior
função evitar a alegria do adversário, quase um estraga prazeres, aquele que
por muitas vezes é o vilão do dia... Marcando um gol. Comemorando, extraindo o
sentimento de felicidade, euforia, comemoração, vitória... Tudo isso vindo de
um goleiro.
O
segundo gol veio com Serginho, logo no início do segundo tempo, mas foi abafado
pelo feito.
E
se a moda pega? Seria uma consequência, deixar qualquer goleiro se arriscar a cobrar
faltas e pênaltis, arriscar seu time e oferecer ao adversário uma retaguarda
toda exposta, sem ninguém embaixo das traves para impedir um chute. Seria um
legado também? Sim, mas não deixa de ser arriscado.
Bom,
já estamos em 2014 e podemos dizer que o legado ficou. Não existe atualmente
alguém que esteja perto de alcançar seus mais de 100 gols, mas a inspiração
desses goleiros no M1TO é evidente.
A primeira vez é para sempre. A primeira vez
que Walter White cozinhou metanfetamina com Jesse Pinkman. O primeiro caso de
Sherlock Holmes e Watson. A primeira vez que Michael Jordan entrou numa quadra
da NBA. Toda história tem um começo. Assim como o primeiro gol de Rogério
Ceni.
comentar com Facebook