Cobertor curto

Sabe quando temos que, por alguma circunstância, dormir com um cobertor curto? Você tenta cobrir o corpo e a cabeça ao mesmo tempo, mas seus pés acabam ficando pra fora. Daí você, esperto, puxa o cobertor e cobre os pés, mas falta pano para cobrir a cabeça. Essa analogia toda é para tentar justificar mais uma derrota do América-RN na Série B. Desta vez, foram os goianos do Atlético-GO que derrotaram o alvirrubro natalense. 2 a 0. 

(Foto: Agência Estado)

O América de Oliveira Canindé era ofensivo e bagunçado de forma boa, como é atualmente o São Paulo, vice-líder da Série A e era aquele Atlético-MG campeão da Libertadores. O time não tinha fixação de posições, cada hora um jogador ocupava um local diferente. Oliveira Canindé trabalhava no América e em todos os outros clubes por onde passou com a tática de ocupação de espaço. O jogador, no caso, não precisa sair do vestiário com a ordem para ficar como volante pela direita ou atacante aberto na esquerda. Ele é livre para apoiar pelo meio ou até mesmo pela outra ponta, desde que ocupe o espaço do companheiro que foi fazer sua cobertura. 

O América de Marcelo Martellote é, pelo menos foi assim no clássico do último sábado e na derrota de hoje em Goiânia, um time pragmático, fixo, um tanto quanto estático. Existem pontos positivos e negativos em jogar dessa forma. O lado positivo é que você ganha compactação, as linhas ficam mais próximas. Os pontos negativos são maiores, pois a maneira estática do time faz com que tenhamos movimentos previsíveis, repetitivos e junta-se isso com um rendimento técnico ruim e tchanram, temos uma equipe frágil. 

Trancado na primeira etapa, América sofreu para ter a bola (Imagem: Sérgio Ricardo Jr. / C11)

Como podemos ver no painel tático, o primeiro tempo foi totalmente do Atlético-GO. O América fixou duas linhas de quatro e deixou Max e Pimpão mais avançados, porém nada muito além da linha que divide a cancha de jogo. Ou seja, deu campo pro Atlético-GO e, teoricamente, deveria sair no contra-ataque, algo que não aconteceu pela fase ruim tecnicamente que passa o grupo. O América trancou o meio, aproximou as linhas, mas não conseguiu explorar a posse da bola, devolvendo sempre para o adversário através do erro do passe. 

A postura na segunda etapa, depois de tomar o primeiro gol, mudou, é bem verdade. Os volantes, antes presos, foram jogar e Arthur Maia centralizou, Pimpão e Max adiantaram mais, porém nada que fizesse susto ao Atlético. As jogadas ofensivas foram criadas e desperdiçadas. 

Parece claro que teremos um América-RN diferente daqui em diante. Aquela "bagunça organizada" de Oliveira Canindé dá lugar a um time mais disciplinado e com função definida. Todavia, nenhuma mudança será válida caso a fase técnica, que é muito ruim, não passe. Os atletas precisam fazer a parte deles. Não adianta mudar a postura tática e errar os passes, perder as poucas chances criadas. Continuando assim, podem vir trinta treinadores com estilos diferentes e nenhuma terá resultados suficientes. Os atletas precisam fazer a parte deles, caso contrário, não há técnico que entre no campo e decida. 

FICHA TÉCNICA 

ATLÉTICO-GO 2 X 0 AMÉRICA-RN

Local: Estádio Serra Dourada, em Goiânia (GO) 
Data: 16 de setembro de 2014, terça-feira 
Horário: 19h30 (de Brasília) 
Árbitro: Claudio Francisco Lima E Silva (SE) 
Assistentes: Ailton Farias da Silva e Victor Oliveira da Cruz (ambos do SE) 
Cartões amarelos: Jorginho (Atlético-GO); Marcelinho e Val (América-RN) 
Gols: Jorginho (Atlético-GO), aos 20 do PT e Kayke (Atlético-GO), aos 46 do ST

ATLÉTICO-GO: Márcio; Jonas, Artur, Lino e Thiago Feltri; Marcus Vinícius, Luciano Sorriso, Pedro Bambu e Jorginho (Wagner Carioca); Andre Luis (Juninho) e Josimar (Kayke)
Técnico: Wagner Lopes

AMÉRICA-RN: Andrey; Marcelinho (Walber), Zé Antônio, Lázaro e Thiago Christian; Márcio Passos, Fabinho (Paulinho), Val e Arthur Maia (Daniel Costa); Rodrigo Pimpão e Max 
Técnico: Marcelo Martelotte


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Sérgio Ricardo Jr é acadêmico em Jornalismo pela UFRN e responsável por cobrir a Seleção Brasileira e o América-RN no C11.
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Autor: Sérgio Ricardo Jr.

Sérgio Ricardo Jr. é acadêmico em Jornalismo pela UFRN e colaborador do C11 desde 2014.
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