Que venha o próximo!

Jogadores holandeses comemoram classificação (Foto: Twitter: @globoesportecom)

UOU! Isto foi o que você disse ao fim deste 0 a 0 epicamente sensacional. Talvez o "jogo da Copa" até aqui. A zebra fez frente à gigante porém "eterna vice", e os amantes de futebol foram privilegiados neste sábado (05) com mais um ótimo duelo na Copa das Copas.

Sem mudar seu estilo de jogo, Louis Van Gaal não teve sua seleção tomando a iniciativa na partida, diferente do que se esperava, pois desta vez o jogo era contra o azarão da competição, que joga retrancado da mesma forma que a Holanda. Isso foi curioso: ver dois times com 3 zagueiros, que apostam nos contra-ataques e não costumam ter a posse da bola em seus jogos, se enfrentando. 

A Holanda foi ao jogo com, como eu disse, 3 zagueiros. No meio, Wijnaldum e Sneijder estiveram sozinhos, com Kuyt e Blind pelas alas, Robben e Depay nas pontas e Van Persie como centro-avante. Os dois meio-campistas estiveram presos no início do jogo, e sem poderem sair muito pois sabiam do poder de contra-ataque que a Costa Rica possui. Contra-ataque este que é bom, todavia não é melhor que o holandês, que tinha Robben e Depay aproveitando as falhas na saída de bola adversária e criando diversas oportunidades de gol após aquele clima de início de jogo ser quebrado.

Na segunda parte do primeiro tempo, a Holanda passa a chamar a Costa Rica para seu campo e buscar os seus famosos contra-ataques com os pontas já citados. Eles ocorriam normalmente pelo lado direito, não apenas porque Robben jogava por lá, mas também porque Kuyt tinha condições de participar mais da parte ofensiva do que Blind, que se empenhava na marcação de Campbell pelo lado esquerdo. Van Persie esteve abaixo dos seus companheiros. O camisa 9 teve oportunidades de gol, mas não as aproveitou e esteve em posição irregular por inúmeras vezes na partida. Talvez parcela de culpa pelo mal desempenho do atacante do Manchester United tenha sido do goleiro costarriquenho Navas, que fez partida exemplar.

Na segunda etapa, a Holanda passa a ter o domínio do jogo, sem esperar o adversário e buscando o gol. Para quem assiste, o jogo ficou mais interessante dessa forma, pois haviam chances de ambos os lados, com os holandeses deixando brechas para contra-ataques por parte da Costa Rica. Aos 37 minutos, Robben, voando como se o jogo estivesse no início, sofre falta na entrada da área, na qual Sneijder bate muito bem, porém a alguns centímetros do tento, com a bola beijando a trave direita do goleiro Navas. Dez minutos após, aos 47, sai cruzamento da esquerda, a bola passa pelo meio dos zagueiros e sobra para Van Persie, que bate firme, mas a bola insiste em não entrar, e desvia no zagueiro, batendo, novamente, na trave em seguida. Prorrogação!

Mais 30 minutos de jogo: holandeses tranquilos quando o assunto é parte física; costarriquenhos no limite, fechados, com praticamente 11 jogadores dentro do gol. E a bola não entrava de maneira alguma. Van Persie perdia ótimas chances e o jogo pedia Huntelaar, que acabaria entrando no intervalo da prorrogação, porém não na vaga do camisa 9, e sim na do zagueiro Martins Indi.

15 minutos finais de bola rolando e a Holanda passa para o esquema 4-2-4. Sim, e não ria, 4-2-4... Sneijder e Wijnaldum na meia-cancha, com uma linha de quatro à frente, formada por Robben, Van Persie, Huntelaar e Lens (este havia entrado no lugar de Depay com 30 minutos do segundo tempo). Kuyt e Blind eram laterais, mas que subiam bastante pois o jogo ocorria ao redor da grande área da seleção latino-americana. Aos 11 minutos, a Costa Rica consegue uma escapada, onde o goleiro Cillessen salva a Holanda do desastre após finalização de Ureña. Aos 13, Sneijder manda outra bola na trave, de fora da área; quase um golaço.

Que jogo! E chegou ao fim o tempo de bola rolando. Aos que ainda tinham unhas, que as guardassem para a disputa de pênaltis. 

O goleiro holandês Tim Krul entrou nos últimos minutos para disputar os pênaltis; Cillessen não gostou. Acompanho Krul pelo Newcastle e sei que ele nunca foi visto como "pegador de pênaltis". E realmente nunca foi. Imagino que ele tenha se saído bem nos treinamentos nesta função, ou que Cillessen tenha um psicológico fraco o suficiente para que a troca devesse ocorrer.

Nos penais, Van Persie, Robben, Sneijder e Kuyt, respectivamente, marcaram para a Holanda. Krul sofreu tês gols e defendeu dois. Vale ressaltar que nas duas defesas o goleiro holandês se adiantou de forma irregular. A arbitragem validou ambos.

NOTAS:

Cillessen - Foi bem como vem sendo durante toda a Copa. Salvou o gol da Costa Rica no segundo tempo da prorrogação. Negativamente, demonstrou irritação ao ser substituído pouco antes da disputa por pênaltis. Nota: 7,5

Vlaar e De Vrij - Foram praticamente nulos a partir do segundo tempo. No primeiro foram seguros e souberam parar os atacantes adversários. Nota, sendo a mesma para os dois: 7,0

Martins Indi - Foi o zagueiro que mais se destacou. Participou da marcação do grande jogador costarriquenho na Copa, Campbell, jogando ao lado de Blind. Também foi o que mais arriscou subidas e chegou perto dos jogadores de meio campo. Nota: 7,5

Kuyt - Fez sua melhor partida na Copa jogando como ala direito. Participou muito das ações ofensivas, por vezes foi um meia direita trocando passes com os jogadores de frente. Com as suas subidas, De Vrij o cobria, Vlaar e Martins Indi formavam uma dupla de zaga e Blind recuava e passava de ala para lateral esquerdo. Os ataques da Costa Rica ocorriam sempre pelo lado esquerdo da defesa holandesa, por isso Kuyt tinha liberdade e pouco era necessário na parte defensiva. Nota: 8,0

Blind - Diferentemente de Kuyt, e devido ao jogo costarriquenho, foi mais defensivo do que ofensivo. Foi eficiente na marcação de Campbell, que fez jogo ruim. Nota: 7,0

Wijnaldum - Com a Holanda não tendo volantes de ofício na partida, foi ele quem fez esta função, jogando um pouco atrás de Sneijder. Teve boa atuação, como todo o sistema defensivo holandês. Teve função importante na saída de bola. Nota: 7,0

Sneijder - Sua melhor atuação nesta Copa. Em 2014 não vinha sendo o grande craque que foi em 2010, porém hoje não se escondeu do jogo e criou várias oportunidades de gol. Quase decidiu a partida por duas vezes, porém em ambas mandou a bola na trave. Nota: 8,0

Depay - Começou a partida muito bem, buscando o jogo e pressionando a Costa Rica na saída de bola, o que chegou a funcionar, mas não o suficiente para que o gol ocorresse. Nota: 7,0

Robben - Correu, criou, finalizou, apanhou, correu, apanhou, criou, finalizou, apanhou mais um pouco e correu muito mais. Incansável! Voando no segundo tempo da prorrogação, foi o jogador mais importante de sua seleção, como vem sendo durante toda a Copa. Não chegou ao gol, mas não foi por falta de luta. Nota: 8,0

Van Persie - Esteve irreconhecível no jogo de hoje. Não parecia o mesmo Van Persie do cabeceio genial que igualou o placar contra a Espanha na estreia; não parecia ser o maior artilheiro da história da seleção holandesa. Contra a Costa Rica não aproveitou as diversas oportunidades que teve e ficou no zero. 
Nota: 4,0

ENTRARAM:

Lens - Entrou na vaga de Depay e teve a mesma função do camisa 21, contudo não a cumpriu com a mesma qualidade. Participou do emocionante fim de jogo que teve a Holanda em cima, mas foi o menos participativo dos jogadores ofensivos holandeses nesta parte do jogo. Nota: 5,5

Huntelaar - Jogou o segundo tempo da prorrogação, onde esteve junto à multidão de jogadores dentro da área costarriquenha. Não chegou a ter claras oportunidades de gol como Van Persie, e muito menos teve a mesma estrela de quando fez um gol e deu uma assistência contra o México. O jogo pedia por ele e ele não resolveu, mas não podemos o culpar, pois ele mal teve tempo para isso. Culpemos a Van Persie. Nota: 6,0

Krul - Entrou para a disputa de pênaltis e, de cinco cobranças, defendeu duas. Esquecendo a questão das adiantadas irregulares em ambas as defesas, sua nota é fruto da seguinte conta matemática: digamos que um goleiro tenha 15% de chances de defender um pênalti; De 5, ele pegou 2, ou seja, 40%. Considerando x + y = 1 e o peso do goleiro em relação à bola, 
a nota de Krul é 10.
Entendeu?... Nem eu!


Agora só restam gigantes, e o buraco é mais embaixo. O próximo adversário é a Argentina, que terá os desfalques de Agüero e Di María, ambos machucados. Há a expectativa de mais um jogaço nessa semifinal. Robben contra Messi travarão um grande duelo. Apenas um deles estará no Maracanã dia 13/07. Guardem suas unhas e preparem seus corações; quem leva essa? 


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Autor: Guilherme Zanco

Apaixonado por futebol em primeiro lugar; Colorado e escritor do C11. Além, fanático pelo Liverpool Football Club. Twitter: @guilhermelnz
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