"Nunca nos vamos a olvidar"

Palacio x Neuer (Foto: FIFA)

Os argentinos provaram, no Brasil, que têm memória boa para recordar lances de Copas passadas. Ao cantar o hit que embalou a Seleção à final, fazendo referência positiva ao lance que Diego Maradona e Caniggia protagonizaram décadas atrás ao eliminar o Brasil de uma Copa, mal sabiam que teriam outros lances para recordar... Hoje, no Maracanã, ao ver Gotze marcar o gol do título da Alemanha, as primeiras imagens que passaram na mente dos hinchas, com certeza, foram os gols perdidos pelo trio Messi, Higuain e Palacio. As chances desperdiçadas pelos argentinos, como a jogada de Maradona, jamais sairão da memória... por mais que passem os anos.

É difícil falar do jogo em si, até porque tecnicamente foi bem fraco. Taticamente, pelo contrário, jogo interessante. A Argentina foi melhor na primeira etapa, ocupou os espaços, apareceu bem nos contra-ataques e perdeu as primeiras chances. As primeiras imperdoáveis chances.

A segunda etapa foi mais alemã, com certo domínio dos europeus depois do grande susto que tomaram no início do jogo. Entretanto, o sistema defensivo dos alemães deu aquela velha "pregada", ou seja, cansou. E aí surgiram mais chances para os argentinos definirem o jogo, algo que não fizeram. 

Palacio, Messi e Higuain falharam, algo que era esperado da defesa, bastante questionada antes e durante o Mundial. Lá atrás, Romero, Demichelis, Zabaleta, Rojo, Garay e Mascherano seguraram bem enquanto puderam, sendo vazados pelo talento alemão e pelo cansaço da prorrogação. 

Não acredito em castigo e divindades, mas nessas horas é compreensível ver e ouvir explicações como essa. É improvável demais esperar que não existam consequências quando se falha. E foi isso que aconteceu.

Penso futebol como competência, vejo pelo lado da eficácia, e nisso os alemães foram melhores. 

A Argentina foi digna, fez uma Copa segura, superou suas limitações, porém pecou quando não podia. 

Faltou eficácia, faltou competência para definir.

Não faltou perna, coração ou poder de superação, faltou simplificar. 

Simplificar. 

Sérgio Ricardo Jr.

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Autor: Sérgio Ricardo Jr.

Sérgio Ricardo Jr. é acadêmico em Jornalismo pela UFRN e colaborador do C11 desde 2014.
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