É mais complicado do que parece conseguir um título para um texto. Depois de assistir (sofrer seria mais adequado) à estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2014, só pensei em uma palavra que resumisse toda a angústia e o desespero que sentimos até o fim dos noventa minutos. Sim, assim em caps lock mesmo. Porque, olha, foi difícil.
O mesmíssimo time campeão da Copa das Confederações entrou jogando hoje. Aquele lá, que você sabe de cor: Júlio César, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, Marcelo, Luiz Gustavo, Paulinho, Oscar, Hulk, Neymar e Fred. E, apesar de ganhar em meio a trancos e barrancos, segue convencendo Felipão de que é o melhor 11 inicial.
Eu tinha a noção de que a Croácia é a melhor equipe do nosso grupo e que o nervosismo estaria bem notável no nosso time, por isso, esperava que este seria o jogo mais difícil da primeira fase em todas as circunstâncias - mas, sinceramente, não tanto assim. Não esperava que o adversário viria em campo com Rakitic, Modric e Kovacic no meio-campo, dois volantes que sabem jogar e um meia. Menos ainda que o primeiro faria um ótimo trabalho de marcação, especialmente em cima do Neymar, que não deixou o Brasil sequer chegar perto da área no início.
Mas pioraria. A Croácia criava as melhores chances e bons contra-ataques. Na origem de um, Daniel Alves foi pressionar o GOLEIRO lá na área adversária. A bola sobrou para os croatas no meio-campo, Paulinho deu o bote errado, Olic arrancou pela esquerda, cruzou rasteiro, Jelavic desviou minimamente, mas o suficiente para bater na ponta da chuteira de Marcelo e entrar no gol. O 1º gol da Copa do Mundo 2014 é sim do Brasil, mas contra. Aliás, também o primeiro dessa forma da Seleção na história das copas.
Precisávamos de um gol, e rápido. No primeiro tempo, de qualquer forma, de qualquer um, só precisávamos empatar urgentemente. A torcida não parou e chegamos a 68% de posse de bola, já controlando todo o jogo. Depois de dividir seguidamente e ganhar a bola no meio do campo, Oscar tocou para Neymar, que arrancou para perto da área. Levou para a esquerda e chutou uma bola daquelas que faz você soltar um xingo e desviar o olho da tv. Rasteira, mascada, sem força. Porém, tomou o rumo do gol de uma forma que Pletikosa não conseguiu alcançar. Beijou a trave e morreu lá dentro. Euforia no Itaquerão: o empate, ele veio.
Com tudo bem mais tranquilo (principalmente para Marcelo), o êxtase da torcida parecia que levaria o Brasil à virada ainda na etapa inicial. Não aconteceu; Hulk e Neymar não aproveitaram as chances e fomos para o segundo tempo no 1x1.
O time voltou menos acordado, mais desatento, errando lances de domínio bobos e dando lançamentos desnecessários. O próprio público estava mais apreensivo. Até que veio aquele lance. Lá pelos 20 e tantos minutos (ou algo assim, estava preocupado demais para ficar vendo o tempo passar tão depressa durante o jogo), alguém cruzou para Fred na área, que dominou meio não dominando. Com a bola longe demais para o chute, o centroavante sentiu a mãozinha no ombro e caiu. E o árbitro japonês marcou, convencido, claramente prejudicado pelo tamanho dos próprios olhos. Neymar foi para a bola, chutou e Pletikosa acertou o canto. O croata até defendeu, mas não o bastante para fazer a Brazuca sair da trajetória do gol. Chorado, como o jogo em si, mas entrou.
Os últimos minutos foram um misto de pontapés, cartões, reclamações, desespero e bicudas para frente. Alias, uma bicuda especial: a de Oscar, já aos 45'. Arrancando contra dois, o meia chutou surpreendentemente com o bico da chuteira de fora da área, fazendo ela, rápida e rasteira, entrar no canto extremo de Pletikosa. Golaço. Três pontos duros e fundamentais conquistados.
Pontos fortes
O ataque movido por Neymar e Oscar, a dupla que resolveu o jogo e apareceu quando mais precisávamos; e David Luiz e Luis Gustavo, dois monstros nos desarmes - o cabeludo demonstrando uma gana enorme em vários lances, salvando-nos do pior.
Pontos fracos
Eu esperava bem mais do Hulk pelos ótimos amistosos. Acabou decepcionando. De resto, os dois laterais, dando um espaço muito grande na marcação, levando sempre bolas nas costas (Daniel mais do que Marcelo) e Júlio César, nosso goleiro que não sabe encaixar uma defesa.
Notas
Importante: não leve a sério. Grato.
Júlio César | Tem acordo com o governo federal para ajudar o programa Mais Médicos causando diversos ataques cardíacos. Pelo amor de Deus, espalma TODAS as bolas, não importa a direção, a força ou a ocasião. A notícia boa é que não chegou a prejudicar de fato. Ainda não. Nota 4.
Daniel Alves | Volta Cafu, volta Cicinho, volta Belletti. Ou qualquer um que, sei lá, saiba marcar. Tomar todos os ataques pelo lado deste lateral-direito é dose. Nota -2.
Thiago Silva | Jogo abaixo da média, com pequenas falhas, mas sem comprometer escandalosamente. Foi importante como capitão. Nota 6.
David Luiz | Ídolo, carismático e símbolo da nossa defesa. Tem uma disposição impressionante em todas as jogadas. Nota 9,5.
Marcelo | Ok, teve o gol, mas a culpa não foi taaaaanto assim dele. E ainda tentou recompensar com bons desarmes na defesa. De qualquer jeito, entrou para a história. Nota 6.
Luiz Gustavo | Um monstro, dos melhores achados que Felipão poderia ter. Nota 8.
Paulinho | Dois ou três bons lances na primeira etapa e sumido pelo resto do jogo. Dá para melhorar bastante, nosso querido índio. Nota 6.
Oscar | Craque do dia, dono do jogo, Man Of The Match, como quiser. Neymar fez 2, mas Oscar jogou demais. De dedão, expulsou a desconfiança da torcida. Nota 11.
Hulk | A minha grande decepção; achei até que o Bernard contribuiu mais do que ele. Melhoras, Givanildo. Nota 4.
Neymar | Decisivo, chamando a responsabilidade, fazendo o que se espera do ídolo, do camisa 10. Em um jogo fez mais que Messi em duas Copas. Valeu, craque! Nota 10.
Fred | Recebeu uma bola e cavou um pênalti. Quer mais? Nota 9.
Hernanes | Uma boa jogada e duas bolas perdidas. Brasil virou quando ele entrou, mas não porque ele entrou. Nota 5.
Bernard | Alegria nas pernas sim, escanteio curto não. Nota (ou altura, tanto faz) 1,63.
Ramires | Tá escrito aqui na súmula que entrou, mas tenho as minhas dúvidas. s/n.
Felipão | Mais seis, tchê. Estamos no caminho certo, sob o comando da pessoa certa. Nota 6 (estrelas e jogos restantes).
Torcida | Caminhou com o time, apoiou nos momentos mais necessários, cantou o hino com muito fôlego e saiu comemorando no final. Também não vaiou - algo que precisa ser ressaltado por ser uma torcida em grande parte paulistana. Era definitivamente um clima de Copa do Mundo. Nota 1000.
Hino | O mais lindo do mundo e o que mais emociona antes do início da partida, ainda mais se cantado à capela como promete ser em todo jogo do Brasil nesta Copa. Sim, é possível ganhar o jogo antes dele começar. Nota 201.032.214 (confesso que peguei na Wikipédia).
Árbitro Japonês | Nem sei o seu nome, só queria agradecer. Você sabe mais do que ninguém que merecíamos isso depois do Felipe Melo. Nota 10.
Argentina | E lá está o Diário Olé provocando porque ganhamos roubado. Quero ver qual seria a manchete caso vencêssemos com um gol de mão. Pimenta nos olhos do outro é refresco, né. Nota desprezível.
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Começou de vez, meus amigos. Está tendo. Mais 31 dias de muito futebol e, se Deus quiser, mais seis sofrimentos até o hexa. O próximo é terça, contra o México, em Fortaleza.
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Diogo Magri

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