Alemanha espanta as Zebras, digo, Raposas do Deserto

Özil (o dos olhos grandes) e Schürrle (o galego barbudo) confirmaram a Alemanha nas quartas-de-final da Copa do Mundo (Foto: Getty Images)
A pedido do amigo portuga Rodrigo Ferreira, assumo a coluna da Alemanha na Copa do Mundo no C11 a partir desta fase de oitavas de final. Uma enorme satisfação para mim, tendo em vista que a Nationalelf é uma seleção europeia que muito me agrada e que me rende diversas amizades até hoje.

Mas agora vamos ao que interessa, vamos ao jogo. Nesta segunda-feira (30), no Estádio Beira-Rio, os alemães ficaram frente a frente com a seleção da Argélia, uma das sensações desta Copa do Mundo. Esperava-se que os comandados de Joachim Löw confirmassem seu favoritismo diante das Zebras, quer dizer, Raposas do Deserto. E confirmaram, mas passaram por maus bocados para fazê-lo.

No primeiro tempo, os africanos deram um CALOR nos europeus na fria Porto Alegre e desperdiçaram boas chances de sair na frente. Na formação inicial, Löw deu uma de Professor Pardal e improvisou o zagueiro Mustafi na lateral (sim) esquerda. Dentro de campo, foi perceptível a besteira que o treinador fez, tendo em vista a AVENIDA que se construiu por ali. Os alviverdes fizeram a festa, mas pararam na ousadia do goleiro Neuer, que constantemente saía da área para afastar as bolas que chegavam até lá e evitar que os adversários saíssem na cara do gol, e na falta de pontaria.

A técnica do arqueiro do Bayern de Munique foi usada durante o jogo inteiro e deu certo. Apesar das reações adversas à atitude de Neuer, ele mostrou que era bom - e o mais importante: seguro - no que fazia. Quem sabe depois de hoje o futebol de campo herda a posição de GOLEIRO-LINHA do futsal. (risos)

Das 59 vezes que Neuer tocou na bola na partida contra a Argélia, 21 foram fora da área (Foto: Reuters)
Se na primeira etapa a Alemanha parecia assustada, na segunda ela se sentiu mais à vontade. Todavia, tinha um obstáculo DAQUELES pela frente: o goleiro Raïs M'bolhi. A entrada de Schürrle no lugar de Götze deu nova cara ao time. Antes no meio-campo, Lahm voltou à lateral, sua posição de origem - estava no meio-campo -, após Khedira substituir Mustafi. Antes senhora da peleja, a Argélia passou a se defender. Na reta final, voltou a ser perigosa, mas sempre errando no último passe.

Antes do 0 a 0 se confirmar no tempo normal, um lance chamou a atenção de todos que acompanharam o jogo: aos 43 minutos, houve uma jogada ensaiada antes de uma cobrança de falta a favor dos germânicos e... Thomas Müller escorregou. Foi impossível não conter o riso.

Mas Müller se redimiu na prorrogação. Logo aos dois minutos, cruzou para a área e Schürrle desviou de letra (meio sem querer, convenhamos) para abrir o placar. O ferrolho argelino finalmente era furado e o pessoal da Terra da Cerveja™ ficava mais aliviado.

Já na segunda parte do tempo extra, a última substituição: Schweinsteiger deu lugar a Kramer, do "meu" Borussia Mönchengladbach, na cancha. Quem queria ver Klose, o maior artilheiro da história das Copas do Mundo ao lado de Ronaldo Fenômeno (15 gols cada), em campo ficou surpreso e, ao mesmo tempo, frustrado. O atacante da Lazio (não levem a sério quando a Globo falar "do Lazio", certo?) esquentou o banco durante os 120 minutos do duelo.

Aos 14 minutos, o tiro de misericórdia: com os argelinos já cansados - e, mesmo assim, lutando por cada bola e por um empate que já parecia improvável -, os alemães finalmente ampliaram sua vantagem no Beira-Rio, agora com o contestado Özil. Um eventual vexame foi evitado.

Ainda deu tempo de os guerreiros africanos diminuírem com Djabou, após cruzamento de Brahimi pela direita. No final das contas, 2 a 1 e vaga nas quartas para a Die Mannschaft. O próximo destino é o Maracanã, palco da tão aguardada final, fase na qual a Deutschland certamente quer estar presente. Dessa vez, a rival será a França, em partida a ser realizada na próxima sexta-feira (4), às 13h. O vencedor defronta Brasil ou Colômbia na semifinal, no Mineirão.

Torcedores da Argélia esperavam que o surpreendente placar da Copa de 1982 (2 a 1 para os argelinos) se repetisse a favor das Raposas do Deserto, mas tal fato não se concretizou (Foto: EPA)
E quais as lições do jogo de hoje? Pois bem, a Argélia nos ensinou que, independente das condições adversas, nunca se deve desistir e a expressão-chave é FORÇA DE VONTADE. E a Alemanha, uma das favoritas a conquistar a cobiçada taça do mundo, nos mostrou que quem quiser se sagrar campeão terá que JOGAR MUITA BOLA e que se você um dia quiser ser técnico de futebol, nunca tome o teimoso Joachim Löw como exemplo.

Auf geht's! E num grandioso ato de respeito aos cidadãos do país da região conhecida como "África Branca": ONE, TWO, THRE, VIVA ALGÉRIE!
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Autor: Luís Francisco Prates

Náutico, Borussia Mönchengladbach e Benfica. Pernambucano, 20 anos, cristão e estudante de Jornalismo.
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