Velhos problemas

Sidney Moraes ainda terá muita dor de cabeça no comando do Náutico (Foto: Celso Ishigami/Diario de Pernambuco)
A gestão mudou e junto com ela veio a promessa de um novo Náutico. Mas, já na metade do ano, foram poucas as mudanças. Os únicos fatores eficientes foram o fim da mamata das Torcidas Organizadas - ao contrário das antigas gestões, o clube não fornecerá mais ingressos aos integrantes das TOs do Náutico - e o acerto com a Umbro, uma das maiores fornecedoras de material esportivo do planeta - em contrapartida, a rescisão com a Penalty pode provocar uma briga judicial entre a marca e o Náutico.

Dentro e fora de campo, os problemas persistem. Muitas contratações ineficientes terminaram em dispensas. Só nesta quinta-feira (29), cinco atletas deixaram o Timbu. Foram os casos do zagueiro Leonardo Luiz, do lateral-esquerdo Jackson e dos volantes Dê, Yuri e Rodrigo Possebon. No início desta semana, o atacante Marcelinho foi mais um a deixar o clube. Onde está a tão prometida valorização das categorias de base, senhor Gláuber Vasconcelos?

E o time? Pois bem, o Náutico foi eliminado na primeira fase da Copa do Nordeste e na segunda fase da Copa do Brasil. Na competição regional, ficou em terceiro lugar num grupo que tinha Sport, Guarany de Sobral e Botafogo da Paraíba. Na copa nacional, foi despachado pelo América de Natal na segunda fase, sem contar que passou pelo Sergipe no sufoco. Ou seja, por muito pouco não deu um adeus ainda mais precoce.

No Campeonato Pernambucano, é fato que Lisca tirou leite de pedra num time altamente limitado, mas um clube de tamanha tradição feito o CNC não pode se contentar com um vice-campeonato estadual, ainda mais sabendo que estamos há 10 anos sem títulos numa competição em que apenas dois times (Sport e Santa Cruz) são concorrentes à altura. Foi triste ver o presidente estufando o peito para dizer que havia quebrado um tabu de 10 anos sem vencer o Sport na Ilha do Retiro como forma de desvirtuar o grande problema que é o longo tabu sem conquistar taça alguma.

Fora das quatro linhas, problemas internos continuam prejudicando a instituição e seu rendimento nos gramados. Após a derrota para o Avaí nos Aflitos - o Timba mandou o jogo na sua antiga casa pelo fato de a Arena Pernambuco ter sido entregue à Fifa para a disputa da Copa do Mundo - pelo placar de 1 a 0, o atacante Rodrigo Careca desabafou ao dizer que existem brigas nos bastidores do clube e afirmar que um dia toda a verdade será conhecida.

Nos treinamentos, era possível ouvir o técnico Sidney Moraes dando um grande esporro nos jogadores, proferindo palavras como "Aqui não tem juvenil" e "Não pode levar gol no começo do jogo", referindo-se à péssima atuação na derrota de 2 a 0 para o Paraná Clube em Curitiba.

Na época da saída de Lisca, veio à tona o fato de que o ex-treinador alvirrubro não tinha boa relação com Lúcio Surubim, diretor de futebol do Náutico. Também é muito questionado o trabalho de Paulo Alves, outro dirigente do Timbu. Sabemos o quanto essas "picuinhas" prejudicaram a equipe e os torcedores no ano passado. O final de tudo foi o rebaixamento à Série B. Se nada mudar, lamento lhes informar, mas o nosso destino não será outro além da Série C.

O Alvirrubro está em 16º lugar na classificação da Segundona e antes da parada para a Copa do Mundo terá dois jogos fora de casa. O primeiro contra o líder América Mineiro e o segundo contra o quinto colocado ABC. Pode ficar na zona de rebaixamento durante a pausa para o Mundial. Agora me digam, como ser otimista numa situação dessas? Sinceramente, a torcida está chegando àquele ponto em que não há mais perspectivas de melhora. E isso é brochante.

O que nos resta é torcer, nos apegar aos nossos credos e continuar cobrando explicações da diretoria. Por enquanto, a gestão está sendo decepcionante. Não que eu esperasse que o clube mudaria da água para o vinho de uma hora para a outra, mas eles prometeram um ~~novo Náutico~~ desde o início e não é isso que estamos vendo. Esperamos que o quadro mude.
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Autor: Luís Francisco Prates

Náutico, Borussia Mönchengladbach e Benfica. Pernambucano, 20 anos, cristão e estudante de Jornalismo.
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