Uma chance para André Gaspar

André Gaspar assumiu o cargo de treinador do Braga com a saída de Veiga para a Lusa. Foto: Gazeta Bragantina




No futebol profissional brasileiro, onde, constantemente, vemos treinadores sendo demitidos após maus resultados em um clube, já acompanhamos a ascensão de profissionais que assumiram uma equipe interinamente e obtiveram destaque após bom desempenho. Marcio Bittencourt, no Corinthians, em 2005; Andrade, no Flamengo, e Jorginho, no Palmeiras, em 2009; Cristovão Borges, no Vasco, em 2011 e Roberto Di Matteo, no Chelsea, em 2012, são exemplos disso. Então, por que o Bragantino não pode dar uma chance a André Gaspar?



Sem prestígio com a torcida, assumindo o cargo com pressão após uma sequência de resultados negativos, sendo um funcionário do clube há algum tempo. Nestas condições, a maioria dos nomes que citei, no começo deste texto, foram designados para trabalhar como treinador da equipe profissional de futebol dos respectivos clubes. Eles foram chamados para "tapar buraco" e deram conta do recado. Uns foram além disso, conquistaram até títulos! O fato é que apostar nos interinos pode funcionar.

André Gaspar é gerente de futebol do Bragantino e assumiu o comando interino do time há duas rodadas. Nos dois jogos, uma vitória, contra o Oeste-SP, por 3 a 0, e um empate, por um gol, com o Vasco-RJ. Sendo um funcionário do Braga, Gaspar se encaixa em outra das características que os exemplos que apresento possuíam quando assumiram o cargo de treinador interino. Quer mais uma semelhança entre André e os outros brasileiros da lista? Todos foram ex-jogadores do clube que treinaram. André Gaspar era um ótimo cobrador de faltas, meia que articulava o jogo, no esquema de Marcelo Veiga (que treinou André em duas passagens pelo Braga), ele era o segundo volante do 3-5-2. Todos os exemplos mencionados conheciam bem o clube em que estavam trabalhando e tinham identidade com o mesmo.

Dar continuidade para André Gaspar é dar tranquilidade para que ele possa tentar implantar sua filosofia de jogo. Algo que ele já começou a fazer em suas duas primeiras partidas na beira do gramado ao mudar o esquema do time para o 4-3-3. Diferente dos exemplos brasileiros que citei, Gaspar ainda não treinava, por exemplo, um time de categoria de base do clube em questão, mas quando assumiu um cargo fora do campo, no Braga, chegou para ser auxiliar técnico de Marcelo Veiga, pois tinha a intenção de um dia ser treinador. 

O momento difícil do Braga, que ronda a zona de rebaixamento da Série B, pode pedir um treinador experiente, mas porque não arriscar? Oeste e Vasco não estão em bom momento, mas o Bragantino mudou seu jeito de jogar, melhorou e, o mais importante, não perdeu. Sei que dois jogos é muito pouco para servir de parâmetro, mas efetivar Gaspar poderia ser uma boa, afinal, seria a oportunidade que o interino do Braga teria para provar seu valor como treinador. Sangue novo pode ser uma boa alternativa. Os exemplos que apresentei podem me ajudar.

Como todos nós, torcedores do Bragantino, sabemos, o que mais importa para nosso clube é a manutenção da vaga na Série B, depois disso, buscamos coisa melhor no campeonato. Diante disso, acredito que André Gaspar seja capaz de atingir esse objetivo mínimo da nossa diretoria. É bem verdade que até Andrade e Marcio Bittencourt, nomes que citei como exemplo, poderiam assumir o Braga. Em entrevista ao canal Sportv, Marquinho Chedid, presidente do Massa Bruta, disse até ter conversado com Vanderlei Luxemburgo, mas acho isto algo muito difícil. Seria excelente, mas não é algo fácil.

A reportagem do Sportv disse ainda que nomes como Estevão Soares e René Simões, indicados por Luxemburgo, são os preferidos do presidente. No entanto, a assessoria de imprensa de Vanderlei desmente a procura do mandatário da Terra da Linguiça. Para mim, este papo é "conversa para boi dormir", da parte de Chedid. Restam mais dois jogos para a parada em função da Copa do Mundo e creio que, antes da pausa, nada será mudado e André Gaspar seguirá interinamente no comando do Bragantino. 

Posso até parecer supersticioso pela construção deste texto, mas sou um palpiteiro que acredita na aposta em interinos. Vamos aguardar os resultados do Braga de Gaspar e, se uma fase boa aparecer, vai ter mais gente concordando comigo. VAMO, BRAGA!


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Autor: Vitor Gavirati

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