Bom começo, mas ainda há muita coisa a ser feita

No primeiro jogo com Sidney Moraes no comando, Náutico venceu a Portuguesa por 2 a 1 (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)
Depois de dois jogos com técnico interino - Sérgio China, treinador das categorias de base, comandou o Náutico na derrota de 1 a 0 para o Joinville na quarta rodada da Série B e na vitória sobre o América de Natal por 2 a 0 na Copa do Brasil, resultado insuficiente para o Timbu, que foi eliminado da Copa do Brasil com derrota de 3 a 2 no placar agregado -, o Náutico finalmente teve a primeira partida com Sidney Moraes no comando.

A estreia deveria ter sido no último sábado (17), contra o Vasco da Gama, na Arena Pernambuco. Entretanto, a greve da PMPE - Pernambuco virou "terra de ninguém" entre as noites de terça e quarta-feira - adiou o duelo entre alvirrubros e vascaínos, que já tem nova data: dia 6 de junho, uma sexta-feira, no Estádio dos Aflitos - nesta data, a Arena já estará entregue à Fifa para receber os jogos da Copa do Mundo de 2014; portanto, o Náutico matará as saudades da antiga casa em dois jogos, pois também enfrentará o Avaí em seu velho estádio. Com isso, o primeiro jogo do Timba no comando de Sidney realizou-se nesta terça (20) na mesma Arena PE, só que o adversário foi a Portuguesa, vice-lanterna da Segundona.

Os minutos iniciais foram difíceis. Aos 5, numa falha de comunicação entre o zagueiro Flávio e o goleiro Alessandro, o arqueiro cometeu pênalti e foi punido com o cartão amarelo. Na cobrança, Romão abriu o placar para a Lusa.

Sem muita criatividade para construir as jogadas e com muita afobação nas quatro linhas, o Alvirrubro da Rosa e Silva foi para os vestiários com uma amarga desvantagem de 1 a 0. Foi aí que Sidney Moraes mostrou toda a sua ousadia: fez as três substituições no intervalo, com William Alves, Rodrigo Careca e Paulo Júnior entrando nos lugares de Flávio, Marcelinho e Yuri, respectivamente.

Aos 12 minutos da segunda etapa, Vinícius cobrou escanteio e o sempre contestado William Alves subiu mais que a zaga lusitana, deixando tudo igual no marcador e transformou as vaias em aplausos. Na comemoração, homenageou a esposa e o filho que está por vir.

O gol de empate animou os alvirrubros, que partiram para cima em busca da virada. O que mais faltou foi técnica, então a vitória veio na raça - e na sorte também, diga-se de passagem. Quando o relógio apontava 42 minutos, o goleiro Glédson errou a saída de bola, Leleu tocou para Careca, que passou pelo goleiro e cruzou para Vinícius cabecear para o fundo das redes.

Ex-Náutico, Glédson cometeu o mesmo erro no jogo de volta das semifinais do Campeonato Pernambucano de 2011, nos Aflitos, contra o Sport. Àquela altura, o Náutico venceu por 3 a 2, placar que não lhe rendeu a ida à grande decisão, vencida pelo Santa Cruz. Mudam-se os times, mas a demência é a mesma...

Voltando à partida, nota-se que a ousadia de Sidney Moraes ajudou o Clube Náutico Capibaribe a obter os três pontos diante da Portuguesa de Desportos. Na tabela de classificação, o Timbu encontra-se na oitava colocação com oito pontos, três a menos que o Ceará, equipe que fecha o G-4. Já a Lusa estacionou nos dois pontos e na vice-lanterna, à frente apenas do Vila Nova, que soma somente um ponto.

Mudanças feitas por Sidney Moraes nos vestiários foram de extrema importância para o Timbu (Foto: Fernando da Hora/Portal Leia Já)
Na próxima rodada, os comandados de Moraes visitam o Paraná Clube em Curitiba, em jogo a ser disputado no próximo sábado (24).


E o público de apenas 3.054 pessoas? É chato ver a Arena entregue às moscas, mas é o que acontece depois de a torcida chegar junto do time diversas vezes e não ser correspondida. Não gosto de bater nessa tecla, mas já se vão 10 anos sem títulos... Não vou falar do horário inviável (21h50m de uma terça-feira), da má localização do estádio e da mobilidade escassa porque isso já é "chover no molhado".

Apesar da posição regular e do resultado positivo para o início do trabalho de Sidney na Avenida Conselheiro Rosa e Silva, não devemos nos iludir com a vitória. Mantenho a opinião de que se o time não efetuar contratações, acabará brigando para não cair. Tudo bem que a Série B é uma competição em que a raça prevalece mais do que a técnica (até porque quase não há técnica), mas não devemos nos dar ao luxo de disputar um campeonato de pontos corridos com o plantel que temos em mãos. Ainda há muito a ser feito. No mais, sempre avante.

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Autor: Luís Francisco Prates

Náutico, Borussia Mönchengladbach e Benfica. Pernambucano, 20 anos, cristão e estudante de Jornalismo.
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