Qual é o preço do amor?

Imagem via: foxsports.com
Amor, o sentimento mais indescritível da face da Terra. Grandes filósofos definiram o amor como algo paradoxo que se contradiz e não se explica.


Na representação mais famosa do amor o escritor português Luis Camões coloca que o mesmo é como fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente, como um nunca contentar- se de contente e um querer mais que bem querer. Definição que nos deixa cada momento mais reticente.

A questão é: Até onde vai o amor no futebol?

Vimos exemplos claros de amor a camisa como os goleiros Rogério Ceni e Marcos de São Paulo e Palmeiras respectivamente que deram suas vidas profissionais em virtude do clube que defendiam e nunca vestiram outra camisa. Mas na maioria das vezes o dinheiro fala mais alto e os atletas são "obrigados" a fazer o seu pé de meia para se estabilizar financeiramente.

É o caso de Henrique. Revelado pelo Coritiba em 2006, o zagueiro foi contratado para vestir a camisa do Palmeiras em 2008 onde foi o homem forte de zaga do verdão na conquista do Paulistão do ano, despertando o interesse de clubes como o todo poderoso Barcelona da Espanha, time para qual Henrique migrou ainda em 2008.

Na Catalunha, Henrique fez apenas um jogo com a camisa do grená e foi emprestado para o também espanhol Racing Santander e para o alemão Bayer Leverkusen, não chegando a se firmar no velho continente e voltando para o Palmeiras.

Após um ano de empréstimo o Palmeiras comprou os direitos definitivos do zagueiro que voltou a ser o destaque do Palestra e tornando a ter propostas do exterior, porém Henrique não queria cair no mesmo erro de voltar para a Europa e continuava no verdão.

Má administração de diversas gestões, dívidas de luvas com o jogador, mesmo assim o camisa 3 continuava irredutível e declarando amor ao Palmeiras. Principalmente em 2013, num dos anos mais difíceis do clube, no qual o mesmo jogava a segunda divisão, Henrique teve a responsabilidade de capitanear a ressurreição do gigante Palestra de volta a elite.

2014, ano do centenário do Palmeiras e Henrique se mantinha como capitão mesmo com a chegada de Lúcio (capitão da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2010). Com suas ótimas atuações o jogador mesmo jogando a segunda divisão em 2013 foi convocado mais de uma vez pelo técnico Luis Felipe Scolari para a seleção nacional e tinha chances de atuar na Copa do Mundo de 2014 se mantivesse as boas atuações esse ano, e o Palmeiras no entanto era essa vitrine para Henrique mostrar o seu futebol.

Na quinta passada, 23, nas vésperas da partida contra o Comercial em Ribeirão Preto a diretoria do tradicional Napoli da Itália sondou o Palmeiras para a contratação por empréstimo do atleta, porém tanto o Palmeiras quanto Henrique recusaram a proposta e o capitão voltou a declarar que sentia amor pelo verdão e que só o Presidente o tiraria do Palmeiras.

Mesmo assim parece que dias depois todo o amor e a veneração acabaram. O empresário de Henrique, Marcos Malaquias ameaçou o Presidente Paulo Nobre a entrar com um processo judicial diante o clube relacionado a dívidas de gestões anteriores do Palmeiras na qual Nobre tentava resolver e aconselhava seus jogadores a não promover medidas drásticas para receber o dinheiro, pois mais cedo ou mais tarde a situação financeira do clube seria estabilizada e os pagamentos seriam promovidos. Tanto que grande parte da premiação do título da Série B de 2013 do verdão foram utilizados para pagar parte da divida do alviverde com o seu capitão.

Em contrapartida o Palmeiras ainda devia cerca de 1 milhão de euros para Henrique, o presidente Paulo Nobre se ofereceu em realizar o tal pagamento em diversas parcelas de pequenos valores, o atleta representado por seu empresário,  Marcos Malaquias recusou a proposta e ameaçou veementemente de colocar o clube na justiça, podendo após isso existir a possibilidade de Henrique deixar o Palmeiras gratuitamente.

Paulo Nobre fazia o que podia, porém o mesmo ficou chateado diante de tal atitude. Logo após esse caso o Napoli, disposto a ter o zagueiro ofereceu uma proposta de 4 milhões de euros que foi aceita por todas as partes interessadas (tanto Palmeiras, quanto Henrique e Malaquias). O clube ficaria com 80% do valor. Henrique não vestiria mais a camisa do verdão.

A saída de Henrique criou um debate muito grande dentre os palmeirense. Foi péssimo perder o capitão no início do centenário? O dinheiro compensou? Quem é o verdadeiro vilão nessa história: O próprio zagueiro, Paulo Nobre ou Marcos Malaquias? Tem vilão nessa história?

A questão é que Henrique se foi uma semana após declarar amor eterno. O atleta teve que deixar o alviverde mostrando que no futebol o oi as vezes pode ser um tchau e o pra sempre pode ser um até logo.

Siga: @C11_Palmeiras e @flazaro14
Curta: C11- Palmeiras
Compartilhar no Google Plus

Autor: fábio

    comentar com Facebook