São Paulo Retrô #1 - 2013, um ano difícil


No primeiro post da retrospectiva que estamos fazendo do São Paulo na temporada de 2013, Diogo Magri, Yuri Rodrigues e Victor Castro comentaram o ano tricolor. Para facilitar o trabalho, dividimos a temporada em 3 partes - uma para cada blogueiro. Confira como ficou:

1ª parte - O fim dos sonhos - Por Diogo Magri


O São Paulo começou o ano em alta. Campeão da Sul-Americana, quarto colocado no Brasileirão e tendo vendido por mais de 100 milhões seu principal jogador, o Tricolor era considerado um dos melhores do país e candidato ao título de qualquer competição que disputasse. Infelizmente, o fracasso começou cedo; apesar de todo o caixa que tinha ganho, o reforço de mais destaque que veio antes de começar a temporada foi o zagueiro pentacampeão Lúcio. E ainda veio de graça. De qualquer forma, as expectativas sobre o desempenho são-paulino eram as maiores possíveis.

A estreia em 2013 foi no Paulistão. Vitória sobre o Mirassol, no Morumbi, por 2x0. Na segunda rodada, a equipe já enfrentaria um San-São na Vila Belmiro; e, com show de Neymar e Mirallas, perdemos por 3x1. E essas duas primeiras partidas foram o reflexo de toda a campanha tricolor no Campeonato Paulista: ganhou de praticamente todas as equipes inferiores, mas não convenceu contra os rivais, perdendo do Santos, do Corinthians (2x1) e empatando com o Palmeiras (0x0), sendo que jogou 2 dos 3 no Morumbi. Bom ou não, foi o suficiente para nos classificar em 1º lugar na primeira fase, com 41 pontos conquistados - 13 vitórias, 2 empates, 4 derrotas, 34 gols a favor, 18 contra. Tudo em 19 jogos.

Mas como é bem dito pela maioria, ficar em primeiro lugar nessa chata tabela que é a primeira fase do torneio não significa basicamente nada. Pegamos o Penapolense nas quartas-de-final, naquela partida que marcou a estreia do Morumbi inteiro com cadeiras vermelhas (usamos até aquele uniforme horrível comemorativo) e ganhamos por 1x0, com um gol contra dele e uns milagres do Ceni. Sim, contra o Penapolense. Nas semis, o adversário era o Corinthians, no Morumbi. Dominamos o jogo mas não tiramos o 0x0, fazendo o confronto ir para os pênaltis. Alessandro perdeu para eles, Ganso e Luis Fabiano para nós. No final, após Pato ter que repetir o pênalti depois de Ceni ter se adiantado ao pegar o primeiro, foi selada a nossa desclassificação.

Ganhar sempre é bom, contudo, temos que confessar que o Paulistão não era a prioridade do 1º semestre. A Libertadores, disputada simultaneamente com o estadual, estava em primeiro plano no planejamento tricolor. E começou logo na pré-Libertadores, em janeiro, contra o Bolívar. No Morumbi, uma festa e um estrondoso 5x0 que nos permitiu perder o segundo jogo por 4x3 (de virada) na Bolívia. Nos classificamos para jogar em um grupo com Atlético/MG, The Strongest e Arsenal de Sarandí.

A estreia foi na famosa "arapuca", em Minas Gerais. Derrota por 2x1 para o Galo. Depois, uma bela virada em cima do Strongest no Morumbi: 2x1 ao nosso favor. Depois, três jogos em sequência que nos complicaram no grupo: 1x1 em casa contra o Arsenal, derrota por 2x1 para os argentinos fora e outra derrota por 2x1, para o Strongest, na Bolívia. Chegamos na última rodada com 4 pontos, dependendo de uma vitória contra o Galo (que tinha ganho todas até então). Heroicamente, com o Morumbi cheio, fizemos 2x0 neles; gols de Rogério Ceni e Ademílson. As oitavas seriam justamente contra o Atlético, melhor classificado no geral da fase de grupos.

Logo no começo do 1º jogo, no Morumbi mais lindo ainda, Jádson abriu o placar. Criamos mais chances, com Aloísio, Jádson, Ganso e Osvaldo. Aí, o azar bateu. Aloísio saiu machucado - Ademílson veio em seu lugar e perdeu uns dois gols incríveis. Depois, o inacreditável: o experiente zagueiro Lúcio, de 3 Copas do Mundo, foi expulso em um lance absolutamente infantil, como já havia feito no Paulistão. De repente, o jogo se tornou completamente favorável ao Galo. Ronaldinho e Tardelli viraram e praticamente selaram a nossa eliminação. Em BH, a confirmação: 4x1 para eles, com 3 de Jô e 1 de Tardelli. Luis Fabiano descontou. Fechamos a Libertadores 2013 com 10 jogos, 3 vitórias, 1 empate, 6 derrotas, 18 gols a favor, 18 gols contra e perdendo todos os jogos fora de casa. Para o tamanho do clube, uma campanha ridícula.

Com a eliminação na Libertadores, o primeiro semestre tinha praticamente acabado. Antes da Copa das Confederações, só restava o início do Brasileirão. E mudanças foram feitas após a vexatória eliminação: Ney Franco foi mantido no cargo, mas sete jogadores foram colocados para venda e empréstimo, além de destaques de times menores do Paulistão terem sido contratados. Vencemos a Ponte, o Vasco, empatamos com o Galo, perdemos para o Goiás e empatamos com o Grêmio, tudo isso antes da pausa, terminando esse início na parte de cima da tabela. O fim do primeiro semestre não foi do jeito que os sonhadores são-paulinos queriam, mas mal sabiam eles o quanto ainda sofreriam na mesma temporada.

2ª parte - O caos - Por Yuri Rodrigues


No período em que foi considerado o pior da história do São Paulo, ocorrido mais ou menos entre julho (volta do Brasileirão depois da Copa das Confederações) e setembro (chegada do Muricy) deste sofrível ano, foram 21 jogos, com 3 vitórias, 4 empates e absurdas 14 derrotas, com 14 gols marcados, e ainda mais absurdos 30 gols sofridos. Até a primeira vitória no período (2x0 contra o Benfica no Estádio da Luz, pela Copa Eusébio), foram incríveis 10 derrotas e 1 empate em 11 jogos. Até a segunda (2x1 contra o Fluminense no Morumbi, pela 15ª rodada do Brasileirão, que acabou com uma sequência de 12 jogos sem vencer no campeonato), mais 2 empates e 2 derrotas. A terceira (1x0 contra o Náutico na Arena Pernambuco, pela 17ª rodada do Brasileirão) chegou logo após um empate e, nos 2 jogos finais do período, 2 derrotas.

Já no começo deste período, um fato marcante: 2 dias depois do 2º jogo (derrota pro Corinthians por 2x1 no Morumbi, no dia 3 de julho, pelo jogo de ida da Recopa Sul-Americana), a pressão sobre Ney Franco já não era mais aguentável e a diretoria o demitiu. E, como era de se esperar, o técnico interino Milton Cruz assumiu o cargo temporariamente e comandou o time nos 2 jogos seguintes (derrota pro Bahia por 2x1 e no clássico contra o Santos por 2x0, ambos no Morumbi) e, já no dia seguinte ao clássico, Paulo Autuori assumiu o cargo de técnico tricolor, e se manteve até o último jogo do período.

Entre os jogos principais, as derrotas na Recopa no clássico contra o Corinthians (1x2 no Morumbi e 2x0 no Pacaembu), até por ser um torneio internacional, do que tanto nos orgulhamos, o empate com o mesmo Corinthians em 0x0 no Pacaembu pelo Brasileirão, porque acabou a sequência de 8 derrotas e, claro, as vitórias, mais especialmente na Copa Eusébio e contra o Fluminense, por motivos já citados e, de certo modo, a derrota pro Coritiba, pois foi no dia seguinte a este jogo que Paulo Autuori caiu e, prontamente, Muricy assumiu e começaria a arrancada.

Bom, eu não preciso dizer muita coisa, acho que os números dizem o bastante. Mas passar por tudo isso foi importante pra mim. Se eu segui apoiando após cada gol levado, cada jogo perdido, ou melhor, sem vencer (porque o torcedor são-paulino é sedento por vitórias, já que o clube se consagrou assim em sua história), é o sinal mais claro de que esse é o meu time para a vida. Nas boas e nas ruins. Mas o meu desejo é que isso não se repita novamente.

3ª parte - O recomeço - Por Victor Castro



9 de setembro de 2013, neste dia, Muricy Ramalho era anunciado o novo técnico do São Paulo Futebol Clube. Ele tinha uma missão – que não era nada fácil -, tinha que salvar o clube de um rebaixamento inédito e que parecia provável porque havíamos conquistado 18 pontos em 19 jogos, absolutamente nada dava certo, a defesa não se acertava, Ganso não conseguia mostrar seu futebol e os atacantes não faziam gols. Nosso treinador tinha exatamente 1 turno para nos salvar, e foi isto que ele fez.

Tudo começou no Morumbi contra a Ponte Preta, 40 mil torcedores foram ao estádio para ver o primeiro triunfo de Muricy, vitória por 1x0, gol de Luis Fabiano com uma assistência belíssima do até então contestado Paulo Henrique Ganso. Logo em seu segundo jogo já era notável a evolução da equipe, vencemos o Vasco por 2x0 e saímos da zona de rebaixamento, os gols foram marcados por dois jogadores que foram essenciais na melhora do nosso sistema defensivo, Rodrigo Caio e Antônio Carlos. O primeiro principalmente, fazia duas funções em campo, a de terceiro zagueiro e de volante, caracterizado pela raça, desarmes precisos e força no jogo aéreo, Rodrigo foi um achado do clube.

Ganso que passou por um primeiro semestre de desconfiança, foi aos poucos se tornando o craque da equipe, o maestro que ainda não havia entrado em campo no São Paulo, entrou. Com passes precisos e até ajudando na marcação, o camisa 8 nos conduziu a vitórias e sua evolução foi tão grande que chegou a ser pedido na seleção.

E se engana quem pensa que o segundo semestre do São Paulo foi só de boas notícias, chegamos a voltar para a zona de rebaixamento ao entrar em uma sequencia de três jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro, entre eles: um doloroso 3x0 para o Santos na Vila, além de sermos eliminados frustrantemente para a Ponte Preta na Sul-Americana, após classificações heroicas contra Católica e Nacional de Medellín. Mas nada passou de uma ‘’fase’’, pois ficamos 7 jogos sem perder no Campeonato Brasileiro (6 vitórias e 1 empate), um jogo para se destacar é o contra o Cruzeiro no Mineirão, vencemos por 2x0 e colocamos fim ao 100% de aproveitamento que os mineiros possuíam jogando em seus domínios. Por fim, os números de Muricy Ramalho em sua terceira passagem pelo São Paulo: foram 11 vitórias, 3 empates e 7 derrotas, aproveitamento de 72,9%.

A única coisa que eu gostaria de dizer pra esse cara, é ‘’obrigado’’. Sempre correspondendo no clube, seja para ganhar títulos ou pra salvar o time no pior ano de sua história. O considero um gênio, um ídolo pessoal e principalmente, do São Paulo. É MURICY!!!

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Com certeza, um ano ruim, sofrível, pífio e horrivelmente planejado. Esperamos, no mínimo, um 2014 mais digno.


Fotos: Divulgação/Google
Victor Castro (@_victorbcl) foi convocado no lugar de Guilherme de Andrade, temporariamente ausente neste fim de ano por questões de saúde.
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Autor: Diogo Magri

17 anos, são-paulino do interior. Tenho trauma de bola parada, de pênaltis e de elogios ao goleiro antes do fim do jogo. No C11, falo de futebol europeu. Na vida, tento sofr... digo, ser jornalista.
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