Como se desfaz um Campeão


Na rua Álvaro Chaves, em Laranjeiras, vela-se um campeão. Desespero,  medo e uma aflição sem igual, oriunda da incompetência de  dirigentes, patrocinadores e venerados diretores de futebol. Um time despedaçado em menos de um ano, que resultou nesta  catastrófica temporada. Ainda saboreando o título brasileiro, o Fluminense  começou o ano  sonhando  em vencer pela primeira vez a Copa Libertadores.
 
Neste contexto, Abel Braga planejou o primeiro semestre com este único objetivo. O estadual? levar com a barriga era o lema tricolor. Ficava a lição do ano anterior, quando o Fluminense sagrou-se campeão carioca com sobras; por fim, com Fred e Deco lesionados - em função da disputa simultânea com o estadual - acabaria eliminado pelo Boca Juniors de maneira dramática, nos minutos finais, com um time claramente no bagaço. Eis que este ano,  claramente a meia maquina, o Fluminense foi eliminado  na semifinal da Taça Guanabara ao perder para o Vasco por 3 a 2. Não houve alarde, nem tempo para lamentações. O foco era total na Libertadores.

Na Taça Rio  foi até a final, perdendo a possibilidade de disputar o titulo ao ser derrotado pelo Botafogo por 1 a 0 em Volta Redonda. Mais do que ver o rival levar precocemente o titulo carioca, o Fluminense acusava a queda de rendimento de jogadores fundamentais como Thiago Neves e Rafael Sobis.  Foi então que  Abel Braga deu chance para Wagner como organizador, mantendo sempre o mesmo 4-2-3-1 do titulo nacional, enquanto o garoto Rhayner - que também ganhou  minutos como titular - ficava com a missão pede retomar a velha pressão na saída de bola, que era a qualidade primordial daquele time campeão Brasileiro de 2012. 
O Fluminense campeão Brasileiro no 4-2-3-1 de Abel Braga
Na Libertadores, mesmo não jogando bem, e cada vez mais dependente de Fred e das bolas paradas, o tricolor  liderou o  seu grupo após enfrentar Grêmio, Huachipato e Caracas.  Nas oitavas de final, o limitado, porém bem organizado Emelec, venceu a primeira partida em Guayaquil por 2 a 1, graças a um pênalti escandaloso marcado em favor dos equatorianos pouco antes do apito final. Contudo, o miolo de zaga formado por Digão e Leandro Euzebio, voltava a falhar. Na volta, em São Januário, o Fluminense se classificou com uma vitória sofrida, graças a um gol de bola parada anotado por Fred, e outro em contra-ataque finalizado por Carlinhos.

O tricolor perde do Olímpia e dá adeus a Libertadores.


Ficava o alerta para a quartas de final, já que teria pela frente o aguerrido e tradicional Olímpia do Paraguai. No jogo de ida, o Fluminense ficou no 0x0, graças ao ferrolho guarani armado pelo técnico Ever Hugo Almeida. No Defensores del Chaco, o Fluminense saiu na frente logo nos primeiros minutos com um gol de Rhayner em vacilo do zagueiro Mansur; na sequencia, em falha clamorosa de Diego Cavalieri e pênalti escandalosamente marcado - supostamente cometido pelo zagueiro Didão - o Olímpia encontrou o caminho da classificação contra um Fluminense irreconhecível, previsível no 4-2-3-1 de Abel.
 
Veio a crise que costuma se abater sobre os times brasileiros quando são eliminados da  Libertadores, e com ela supostos problemas no vestiário, falta de dialogo com a Unimed, além de um embate politico fora de hora em meio as prévias para as eleição no clube. Sem tempo para lamentações, o Fluminense iniciou o Campeonato Brasileiro ainda titubeante, somando 9 pontos em 5 jogos, apesar do time repleto de reservas e uma apatia que indicava o final da era Abel Braga. 
 
A parada para a Copa das Confederações chegou em boa hora. No entanto, a vendas de Wellignton Nem para o Shakthar Donetsk e de Thiago Neves para o mundo árabe, somados as lesões de Leandro Euzebio e a eminente aposentadoria de Deco, fizeram com que o Fluminense acumulasse 4 derrotas seguidas, ocasiondo a saída de Abel Braga e a chegada do decadente Vanderlei Luxemburgo. Começava o Pojeto Luxemburgo com um Fluminense afundado na antepenúltima colocação. Logo de cara Luxa implantou  o seu esquema tático predileto: o 4-1-3-2, com um losango no meio campo formado por Edinho, Jean, Felipe e o jovem Eduardo. Com este sistema foram dois empates, uma vitória contra o Cruzeiro e a derrota no Fla-Flu. 
 
Na derrota por 3 a 2 contra o Flamengo pelo primeiro turno; o velho estilo Luxemburgo e o seu 4-3-1-2
 
A lesão do lateral Bruno, e a notável queda de rendimento coletiva e de seus principais jogadores, fez com que Luxemburgo optasse pelo 3-5-2 no final do primeiro turno, com Edinho recuado para a posição de líbero, liberando o jovem Igor Julião como ala pela direita. Na sequencia, uma sofrida vitória contra o Naútico e derrotas contra Santos e São Paulo. Eis que viria a pior notícia do ano nas Laranjeiras. No jogo contra o Santos, Fred sentiu uma lesão grave na coxa esquerda que o afastaria dos gramados para o resto da temporada. O  Fluminense terminava o turno em decimo sexto lugar, com Luxa lançando os garotos de Xerém aos borbotões, além de mudanças constantemente de sistema tático para suprir a ausência de seu matador.
 
A solução encontrada por Luxemburgo foi escalar Rafael Sobis como centroavante no 4-1-4-1. Como nos tempos de Internacional, Sobis desandou a marcar gols e o Fluminense chegava na vigésima quarta rodada na oitava posição. Um pouco de paz em Alvaro Chaves, após duas vitorias, dois empates e apenas uma derrota para o Criciúma. A grande atuação que simbolizava a ascensão tricolor veio no Serra Dourada contra o Goiás, em jogo que marcou os retornos de Leandro Euzebio e Bruno. Outra mudança importante foi a ideia de adiantar  Jean como um dos armadores da equipe, ao passo que pelos extremos, os jovens Biro-Biro e Rhayner tentavam reviver a velha intensidade dos tempos de Abel Braga.

O Fluminense vence o Goiás no Serra Dourada no 4-1-4-1 com Sobis como centroavante
 
Quando tudo parecia voltar ao normal, e os otimistas vislumbravam o G4, uma pane novamente se abateu pelas Laranjeiras. Uma sequência terrivel de 3 derrotas - contra Inter, Vasco e Cruzeiro - e empates contra Botafogo, Grêmio e Ponte Preta. Contra a Macaca, o time voltava ao 3-5-2. A ausência de Diego Cavalieri foi bastante sentida, assim como as lesões de Carlinhos e Wagner. A solução foi lançar a molecada de Xerém; Eduardo, Rafinha, Biro-Biro e Samuel voltavam a ter oportunidades. No entanto, as mudanças constantes de esquemas táticos traziam cada vez mais nervosismo e irregularidade. A zona do rebaixamento voltava a rondar as Laranjeiras. Luxemburgo começa a ser contestado, e na sequencia as derrotas contra Vitória, Flamengo e Corinthians deram fim a tumultuada passagem de Luxemburgo pelo Fluminense, com o tricolor atolado na zona de rebaixamento.

Com Luxemburgo cada vez mais perdido, o Fluminense voltava ao 3-5-2 no empate contra a Ponte Preta
Dorival Junior foi o escolhido para tentar evitar o pior. A sequencia era propicia a uma reação. Como nos tempos de Abel Braga, o Fluminense voltava ao 4-2-3-1, com Igor Julião e Digão suprindo as ausências de Bruno e Carlinhos pelas laterais. No meio campo a velha dupla Edinho e Jean tentava retomar o equilíbrio de outrora, com Sobis novamente como referencia no ataque. A virada contra o São Paulo tirava o Fluminense do sufoco. No entanto, em uma atuação patética, o tricolor carioca perdeu na sequencia para um descompromissado Santos em Presidente Prudente, trazendo novamente  o fantasma da série B.
 
Faltando duas rodadas, o desespero era total. A vitória contra o Atlético Mineiro era fundamental. O gol de Alecssandro, no finalzinho do jogo, definiu um trágico empate; derramando lágrimas de desespero e impotência no Maracanã. O Fluminense voltava para a zona de rebaixamento sem depender de si mesmo na ultima rodada. Uma campanha franquíssima, com 13 derrotas, 10 empates e 11 vitórias. Um ataque que não funcionou, sendo o quarto menos eficaz, com míseros 41 gols, ao passo que a defesa soma 46 gols sofridos. O tricolor espera por tropeços de Vasco, Coritiba e Criciúma, além de uma vitória contra o descompromissado Bahia para evitar o vexame de ser o primeiro campeão brasileiro rebaixado na temporada seguinte.

No empate contra o Atlético Mineiro no 4-2-3-1 armado por Dorival Junior
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Autor: Felipe Bigliazzi

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