Onde está o bom senso?

Martinez, capitão do time, foi o líder e porta-voz do elenco do Náutico no "protesto"
(Foto: Thiago Augustto / globoesporte.com)
A situação do Clube Náutico Capibaribe é revoltante, alarmante, periclitante. Os jogadores escondem suas deficiências técnicas atrás de salários atrasados (têm todo o direito de reclamar, mas convenhamos que o time cairia com ou sem salários em dia, porém isso não vem ao caso; segue o jogo, ou melhor, o texto) e ameaçam entrar em greve caso a dívida não seja paga (eu jurava que essa greve já estava consolidada há tempos...). Foi preciso o elenco se reunir na sala de imprensa para detonar a diretoria.

Um dirigente se comporta como um ditador, um coronel ou um senhor de engenho (ou as três coisas juntas) e vai afundando um clube centenário aos poucos (aos montes, melhor dizendo), se consolidando como o pior presidente da história alvirrubra. Conseguiu acumular dívidas e não pagar aos jogadores em dia num ano no qual o CNC teve a maior receita de sua história.

Cada dia é um tormento para os torcedores timbus. A frase "Se a situação está ruim, se prepare porque ela ainda pode piorar" nunca fez tanto sentido como faz agora. Nunca mesmo. Quando menos a pessoa espera, mais uma bomba explode no bairro dos Aflitos. É a Faixa de Gaza do futebol tupiniquim.

Tá tudo errado no Náutico. Tá tudo errado. Tão errado que o famigerado Bom Senso FC, comissão formada por jogadores os quais reivindicam melhores condições de trabalho, ameaçou paralisar o Campeonato Brasileiro. Basta os salários do plantel vermelho e branco ficarem em dia para que isso não ocorra. O futebol brasileiro parece começar a ruir e entrar em declínio aos poucos (se já não entrou). Mais uma vez, o Alvirrubro da Rosa e Silva será manchete nos jornais esportivos brasileiros com a vergonha estampada no rosto. Acompanho o Timba desde pequeno e, conhecendo a história da agremiação, afirmo que essa é a maior humilhação em seus 112 anos de vida.

Onde está o bom senso? No futebol brasileiro, as discussões devem ser levadas mais a fundo. Não é apenas o Náutico quem deve ser exposto dessa maneira, até porque o mesmo não é o único a estar em débito com o elenco de futebol. Todos nós sabemos de tal fato. Mas as declarações absurdas de Paulo Wanderley tornaram o bombardeio necessário. O BSFC, ao que parece, quer mudar o futebol brasileiro começando pelo clube pernambucano. Já nos Aflitos, o bom senso mesmo é expulsar PW e sua corja da instituição a qual não demonstram amar, antes que ela pare no fundo do poço. 
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Autor: Luís Francisco Prates

Náutico, Borussia Mönchengladbach e Benfica. Pernambucano, 20 anos, cristão e estudante de Jornalismo.
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