Desistir?


"Tá brincando? Vocês acham que tiram uma diferença de 3 gols decidindo fora de casa?" "Se levaram 3x1 jogando em casa, como pretendem reverter o resultado jogando fora de casa?" Sinceramente, não tenho a menor ideia. Mas não vai ser por isso que eu vou desistir.

Sim, está chegando a hora. Amanhã, às 22h, no estádio Romildo Ferreira, em Mogi Mirim, São Paulo e Ponte Preta decidem quem vai para a final da Copa Sul-Americana de 2013. Depois da rixa inicial entre os dois clubes, que teve início logo após a Ponte confirmar que iria para a semifinal, a equipe de Campinas conseguiu um 3x1 em São Paulo que lhes dá uma vantagem absurda para o jogo de volta.

Tudo começou quando resolvemos seguir o regulamento. Lá, é bem claro o fato de não poderem usar estádios com capacidade menor do que 20 mil pessoas nas oitavas, quartas, semifinais e finais da competição. Pedimos a vistoria do Moisés Lucarelli, estádio em que seria realizado o segundo jogo, eles fizeram e foi confirmado que o estádio não tinha a estrutura suficiente. Tiraram o jogo de Campinas e mandaram para Mogi Mirim, em um estádio que tem 20 mil lugares. Viramos vilões, time do mal, e sofremos ameaças de "vingança" por parte do adversário.

De fato, conseguiram. Vieram no Morumbi cheio, nossa santa casa, e nos atropelaram. 3x1. De virada. A torcida ponte-pretana fez a festa, calou os outros 50 mil são-paulinos, xingou o clube, a torcida, o Ceni e cantou que "o Panetone é nosso". Fez um passeio de luxo na capital paulista. E, com o resultado, estavam no direito.

E então, obviamente, vieram os rivais com as piadinhas. Sim, aqueles mesmos: um que está na série B e o tal campeão mundial, "melhor time do Brasil", que está embaixo da gente no Brasileirão. Os mesmos que, no famoso Campeonato Paulista de 1943 (quando o Paulistão era muito mais valorizado, é verdade), enquanto apostavam quem seria o campeão daquele ano, brincavam: "Vamos tirar na moeda. Se der cara, Corinthians campeão. Se der coroa, Palmeiras campeão." "E o São Paulo?" "Hahaha, esse aí ganha se a moeda cair em pé." Ela caiu: o Tricolor faturou o primeiro caneco da sua história.

E não, não parou por aí. "Final contra o invicto Atlético/MG, no Mineirão? Sem chances." Nos pênaltis, campeões brasileiros de 1977. "Ganhar do Barcelona? Hahaha, impossível." 2x1; Raí, monstro. "Tá, mas do Milan não passam." 3x2; Müller e seu gol sem querer (?). "Ok, agora contra o poderoso/gigante/invencível Liverpool, não tem como." 1x0; Saudações, Mineiro.

Nem precisa ir tão longe, nem precisa mesmo mudar de ano. Na Libertadores, precisávamos ganhar do time que viria a ser campeão para passar de fase - ganhamos. No Brasileirão, de "99% rebaixados" até 2 meses atrás, nos tornamos o melhor paulista no campeonato. Até na Sul-Americana, acreditamos que o 1x1 em casa contra a Católica não garantiria nossa eliminação e que o péssimo 2x2 no Morumbi não persistiria até o final do jogo, contra o Atletico Nacional. Depois de sofridos e duros 11 meses, não vai ser agora que desistiremos.


Os placares mais expressivos do Tricolor fora de casa em 2013 até aqui, falando nacionalmente, foram dois 2x0 contra Vasco e Cruzeiro - nenhum dos dois serviria atualmente. As únicas vezes em que fizemos 3 gols ou mais atuando fora do Morumbi foram contra o Inter (3x2) e Católica (4x3) - nenhum dos dois serviria também. A defesa toma gol em todo o jogo e o time deve ser o mesmo que empatou no domingo por 1x1 contra o Botafogo, no Morumbi. Perspectivas boas? De jeito nenhum. Mais do que nunca, chegou a hora de provar que somos o Clube da Fé.

Desde sempre e para sempre: estamos contigo, São Paulo. Eu acredito em você.


Fotos: Divulgação/Google
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Diogo Magri
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Autor: Diogo Magri

17 anos, são-paulino do interior. Tenho trauma de bola parada, de pênaltis e de elogios ao goleiro antes do fim do jogo. No C11, falo de futebol europeu. Na vida, tento sofr... digo, ser jornalista.
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