A Corrupção, a Lei de Gerson e o Futebol

Saio de carro e vejo na avenida uns "cidadãos" me ultrapassando pela faixa exclusiva para ônibus. Pela janela do ônibus, vejo um rapaz sentado na cadeira exclusiva para idoso/deficiente fingindo dormir. Na BR, o acostamento praticamente virou outra faixa. Desço do carro e vejo alguém encontrar uma carteira no chão, avançando sobre o dinheiro e ignorando documentos e possíveis contatos do dono. Eventualmente, essas pessoas viram políticos. Eventualmente, viram jogadores de futebol. Ou pessoas ligadas profissionalmente ao futebol. E ai eu pergunto: O que te faz pensar que suas condutas serão diferentes em seus locais de trabalho?

Esta semana morreu Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol. Foi escolhido o melhor lateral esquerdo de todos os tempos pela FIFA. Nilton imortalizou o maior registro (ou o mais antigo) da Lei de Gerson no futebol brasileiro. Cometeu um pênalti (escandaloso, diga-se) e, com dois passos marotos para frente, mostrou ao árbitro que estava "fora da área". Os brasileiros morrem de orgulho do lance! 

Nilton Santos - A Enciclopédia
Sérgio Xavier Filho, colunista da Placar, fez um excelente artigo na edição do mês de outubro/13 da revista, se não me falha a memória, mostrando como a Lei de Gerson prejudicou o basquete brasileiro ao longo das últimas décadas. 

Voltando ao futebol. Casos confirmados corrupção no futebol e outros bastante suspeitos já deram pano pra manga. 

Em 2005, depois de descoberta a "Máfia do Apito", o Brasileirão teve 11 jogos anulados. O ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho chegou a ser preso após confessar o crime para beneficiar apostadores.

A título de comparação: Na Itália, em 2006, a Juventus foi sumariamente rebaixada, perdeu dois títulos nacionais e ainda foi excluída da Liga dos Campeões em 2006 por envolvimento em manipulação de resultados. No campo da política, essa semana Silvio Berlusconi teve seu mandato de senador cassado três meses após a condenação judicial por fraude fiscal (o Congresso tinha prazo de 2 anos pra isso). No Brasil, tem mensaleiro cumprindo pena em casa por causa de uma dor de barriga.

Em 2011, o Cruzeiro precisava vencer o Galo para fugir do rebaixamento. Venceu. Por 6 a 1! 

Detalhes da época:
- Casas de apostas estavam pagando R$ 4 para o Galo e R$ 1,90 para a Raposa. Era um clássico. No Atletiba decisivo da mesma rodada a situação era R$ 2,75 x R$ 2,40, respectivamente.
- O banco BMG tinha relações com ambos os times.
- Atlético tinha melhor defesa do segundo turno. Cruzeiro tinha 4° o pior ataque.

Este ano, na Série D, o massagista do Aparecidense invadiu o gramado evitou o gol do Tupi em cima da linha, na tentativa de manter seu clube no campeonato. Não deu certo. O time foi desclassificado na marra e o JÊNIO foi para a fila do seguro desemprego. Mas até que ponto vai a "esperteza" do brasileiro. Nunca vi tamanha vontade de vencer a qualquer custo, passando por cima de tudo e de todos.

E o Fair Play no Brasil? Uma grande falácia. Parar o jogo no ataque e receber a bola na linha de fundo da defesa. Que beleza! O Cruzeiro, inclusive, fez um gol polêmico neste brasileiro após devolver a bola e em seguida apertar a marcação. Um lance discutível.

Na Série A, o caso mais recente foi no jogo Vasco x Cruzeiro. A frase de Júlio Baptista para Cris dizendo "faz logo outro", por si só já geraria suspeita. A frase solta poderia até ser justificável. Mas os olhares desconfiados e o jeito dissimulado do cruzeirense não deixou muitas dúvidas sobre o que aconteceu neste jogo.

Júlio Baptista - "Faz logo outro". - Foto: Olé do Brasil


Outros casos existem, mas não irei me aprofundar em todos. Vocês já entenderam onde quero chegar.

A verdade é que infelizmente o "jeitinho brasileiro" é uma questão cultural e de educação, existe em todas as áreas. Temos políticos corruptos, policiais corruptos, jogadores e dirigentes corruptos (Oi MGF, como vai?), e pessoas nas filas do supermercado, nas estradas, etc. Como o futebol tem grande audiência no Brasil e mexe com a paixão (e o dinheiro!) de muita gente, a repercussão é enorme, especialmente em tempos de Copa do Mundo. Precisamos começar a mudar essa postura desde hoje, com as coisas pequenas, para, quem sabe, vermos um país e um futebol melhor a daqui, quem sabe, 10 ou 15 anos. Você tem um saquinho de lixo dentro do carro? Eu tenho. Você compra ingresso pra cinema /jogo/etc com carteira de estudante dos outros? Eu não. Eu tenho feito a minha parte. E você, tem feito a sua?

Deixo dois vídeos para refletirem, um sobre o futebol e outro sobre a vida.






Edit1: Corrigido ataque do Cruzeiro em 2011.

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Autor: Rafael Pimenta

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