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| Foto: Site oficial / Rubens Chiri |
Gigante. Excelente. Importantíssima. Várias palavras chegam perto de adjetivar o que foi a partida de ontem, contra o virtual campeão, Cruzeiro, fora de casa. O frágil São Paulo, de péssima defesa, mau meio-campo e ruim ataque, ganhou em uma noite inspiradíssima no Mineirão. 2x0, dois gols no segundo tempo: um de Douglas (risos) e outro de Éverton Ribeiro, contra (mais risos).
Antes do jogo, eu não via muito como ganhar do então todo poderoso Cruzeiro. O melhor time do Brasil jogaria em casa contra uma defesa que, se já não bastasse ser ruim, ainda estava desfalcada de dois titulares. Tinha ainda a invencibilidade no novo Mineirão, o melhor ataque campeonato (com uma média maior de 2 gols por jogo como mandante); era o líder isolado contra um forte candidato ao rebaixamento. Mais do que isso - era um time muito bem montado, ofensivo e superior, contra um pior, ameaçado e que ainda não engrenou na competição.
Se quiséssemos sair de lá com um ponto, teríamos que nos esforçar muito. Se quiséssemos sair de lá com a vitória, teríamos que fazer o melhor jogo do ano.
Um bom começo, obviamente, seria não levar gol pelo menos nos primeiros 20, 30 minutos, quando uma pressão da Raposa era muito esperada. O tempo foi passando e a missão foi se cumprindo. Dênis fez uma defesa espetacular em uma cabeçada cruzeirense e em um chute de Ricardo Goulart após ótima tabelinha com Willian. No rebote, o ex-corintiano, que tinha só tinha a bola, parada, entre ele e o gol, quis tentar marcar de canhota e acertou a trave. Um lance nível 15 na escala 1-10 de gols perdidos.
O jogo foi equilibrando e as chances do São Paulo foram aparecendo. Ganso e Maicon, principalmente o primeiro, criaram muito - uma pena o ataque, formado por Ademílson e Aloísio, não ter colaborado. As melhores oportunidades surgiram nos pés do camisa 8 são-paulino, além de alguns bons chutes do próprio Ademílson e até do Rodrigo Caio. O São Paulo não mais sofria pressão; o São Paulo controlava o jogo.
O segundo tempo não começou muito diferente. O Tricolor não deixava o Cruzeiro jogar no seu campo, fazendo talvez seu melhor jogo defensivamente em muito tempo - há de se ressaltar que tínhamos Paulo Miranda e Edson Silva na zaga. Mas ainda faltava uma chance de gol, uma só, para que pudéssemos aproveitar e vencer os invencíveis. Ela só veio aos 31 minutos. Maicon iniciou tudo pela esquerda, cruzou rasteiro para Ademílson que, de costas para o gol, só ajeitou para Douglas, que vinha chegando sozinho pela direita. Era o Douglas, aquele mesmo, lateral-direito, eternamente criticado (leia-se xingado muito, inclusive por esta pessoa que vos escreve) pela torcida e que sempre aparece no time titular, embora nenhuma pessoa saiba direito o porquê. Era ele, a bola, o Fábio e o gol.
Provavelmente fechou o olho e bateu forte. Bem forte. Gol. O que já estava ótimo com o 0x0, ficou maravilhoso com o 0x1. O juiz só precisava acabar com aquilo logo.
Espera, tem mais um tempo. 4 minutos depois, Ganso passou por dois e sofreu falta na entrada da área. O maestro cobrou, ela desviou e sobrou para Welliton (entrou no lugar de Aloísio) cruzar para dentro da pequena área. Reinaldo, aquele lateral-esquerdo que normalmente é meio apagado, iria empurrar ela para as redes. Mas, antes dele, Éverton Ribeiro, por muitos considerado o melhor jogador do campeonato, fez as honras de marcar contra seu patrimônio.
0x2. De novo, no Mineirão, o quintal da nossa casa.
Lembra quando falei que tínhamos que fazer o melhor jogo do ano? Fizemos. Claro que defendemos bem e fomos impecáveis atrás, mas mais que isso, o time não foi para ficar fechadinho em busca do empate. Fomos para ganhar. Tomamos pressão, aguentamos, equilibramos e controlamos o jogo. Jogamos bola, jogamos melhor do que eles. E eles não eram qualquer um. Merecemos ganhar do time mais forte do campeonato na casa deles.
O que estava maravilhoso, ficou perfeito. Só faltou um gol contra do Luan, mas esse fica pra próxima.
Notas? Sim, abaixo.
Rogério Ceni: 10
Aí, capitão, nem precisou fazer gols no Fábio.
Dênis: 9
Se dependesse de mim, ficava até o final da carreira nesse time. Se dependesse de mim, não precisamos de outro goleiro para 2014. Dênis tem capacidade para escrever uma bonita e longa história nesse clube (sem comparações com o 01, por favor).
Paulo Miranda e Edson Silva: 8
Sigo torcendo (muito) para Tolói e Antônio Carlos voltarem logo. Mas, por hoje, estão de parabéns.
Rodrigo Caio: 9,5
Monstro. Não botou só um jogador no bolso, mas engoliu o ataque inteiro deles. O Cruzeiro tentava atacar e tava lá o Rodrigo roubando a bola. Com 19 anos, é incrível a responsabilidade que tem, a vontade com que joga e, principalmente, a qualidade. Eita camisa 7 abençoada.
Douglas e Reinaldo: 9
Melhores laterais do mundo. Tô rindo muito. Nunca critiquei.
Wellington: 6
Lembrei de você no final só. Suspenso, é reforço para o clássico de domingo.
Maicon: 8,5
Ótimo como segundo volante, vem jogando muito com o Muricy. Espero que só melhore e não volte a ser o Maicon que conhecemos. Ele tá até correndo!
Ganso: 10
Esqueçam Paulo Henrique Lima, o Ganso, do Santos ousado e alegre de 2010. Aquele que decidia quase todo jogo, que formava um trio impecável com Robinho e Neymar e que era o camisa 10 perfeito da Seleção Brasileira. Olhem para o versão 2013, camisa 8 do São Paulo, que está ganhando uma continuidade importantíssima sem qualquer tipo de lesão. É um craque, um excelente meia que vem fazendo partidas ótimas no time titular e cada vez crescendo mais. Ontem, foi o melhor do jogo. Infelizmente está fora do clássico, mas não tenho o que criticar. Não digo que ele nunca vai voltar a ser o que era, não sei se é possível ou não - contudo, desde que ele chegou, é a primeira vez que estou muito satisfeito com o seu futebol. Eu e a maioria dos tricolores.
Ademílson: 8,5
Ótimo em correr, driblar e dar assistências. A do gol do Douglas foi perfeita. Mas você é um atacante cara, é meio essencial aprender a chutar também.
Aloísio: 6
Não teve muitas oportunidades para mostrar serviço, não era o seu dia. Seu substituto, Welliton, entrou muito bem.
Muricy Ramalho: 10
Com o bom e velho 3-5-2, acabou com o líder absoluto fora de casa. Não precisa mais dizer tanta coisa. Fica pra sempre, ídolo.
Luan
Chupa.
Dagoberto
Te aceito de volta para ser reserva do Ademílson.
Willian
Obrigado, bigodinho.
Éverton Ribeiro
Esse gol merece outra placa. Valeu, fera.
Mineirão
A última derrota dos cruzeirenses neste estádio havia sido em maio de 2010, justamente para nós, justamente por 2x0. É bom estar de volta.
Cruzeiro
Melhor ataque do campeonato que não fez gol em uma zaga defendida por Edson Silva. E, quando forem campeões, lembrem de carimbar a faixa por ter levado gol do Douglas.
Agora é festa até domingo. Mas só até domingo. Podemos passar nossos maiores rivais na tabela e, mais que isso, somar mais pontos nessa briga contra a degola. Ganhar um clássico com casa cheia só aumentaria mais a confiança de todo mundo. E é possível.
Arerê, São Paulo eu acredito em você! Avante, meu Tricolor!
Diogo Magri

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