Tite bate Muricy por muito mais que 2x0


A derrota já era iminente com a escalação de Muricy (Foto: Placar)

Nossa volta à Libertadores, competição da qual jamais deveríamos ter saído, foi traumática. Perder para o Corinthians em Itaquera pode ser considerado 'normal' até certo ponto, mas não da forma com que se deu a derrota de ontem. Só os nossos rivais entraram em campo, só eles jogaram para ganhar, só eles sabiam o que estavam fazendo em campo. Vale lembrar que Tite assumiu o Corinthians no início deste ano - já conhecendo alguns dos jogadores, é verdade - e Muricy está no comando do São Paulo desde 2013, terminando 2014 com um time quase pronto. O que vimos ontem foi um banho de Tite em todos os aspectos, sobretudo no tático.

Quando foi revelada a escalação escolhida pelo treinador do São Paulo, já era possível prever a tragédia que estava por vir. O Corinthians é um time muito bem postado defensivamente, provavelmente a equipe que melhor defende no país, e não tínhamos sequer um jogador de velocidade na frente. A presença de Maicon como terceiro homem de meio-campo garantia mais posse de bola, mas é preciso ter poder de fogo, eficiência. O São Paulo tocava, tocava, tocava e não ia a lugar algum. Em certa altura da etapa final, quando já perdíamos por 2x0, tínhamos dado 347 passes certos contra 180 dos rivais. Isso mostra claramente que nos falta objetividade - algo que sobra no time de Itaquera.

O deslocamento de Michel Bastos para a lateral foi determinante na atuação apática que tivemos. Ficou evidente desde o final de 2014 que o camisa 7 é, muitas vezes, a única opção ofensiva de velocidade e ousadia da equipe. É a válvula de escape do time quando enfrentamos defesas fechadas, que dificultam o jogo de Ganso. Além da perda ofensiva, criam-se também problemas defensivos com tal mudança - todos assistimos à Copa de 2010 e sabemos, portanto, que Michel está longe de ser um primor na marcação.

Há de se ressaltar um ponto importante: a dupla de zaga está longe de ser a única culpada pelos problemas defensivos da equipe. Quando não se tem uma boa cobertura de laterais e volantes, os zagueiros ficam sobrecarregados e só uma defesa com Oscar e Dario Pereyra dá conta de segurar os adversários. Tolói e Dória atuaram juntos pela primeira vez e precisam de mais tempo para desenvolver entrosamento. Ter Bruno e Michel Bastos nas laterais contra um adversário como o Corinthians, que explora muito bem os lados, é suicídio e coloca a dupla de zaga numa situação quase que insustentável.

É justo afirmar que as ausências de Pato e Centurión atrapalharam bastante, mas dificilmente o São Paulo sairia vitorioso do clássico de ontem com a presença de algum deles. Não adianta ter jogadores velozes e não ter um padrão de jogo, uma forma definida de atuar. No San-São ocorrido há uma semana, Muricy teve a chance de testar a equipe contra um adversário mais qualificado e resolveu inventar: colocou Ewandro em campo. Nada contra o garoto, mas isso não se faz em um teste para uma partida de tamanha importância da Libertadores.

A derrota, em si, não deve representar grandes problemas se fizermos nossa obrigação e vencermos os dois próximos jogos, contra Danubio e San Lorenzo, ambos no Morumbi. O que preocupa muito é a forma com que perdemos e, se continuarmos atuando dessa forma, a classificação às oitavas-de-final será uma tarefa complicada. Título, então, nem pensar. O São Paulo precisa mudar, Muricy Ramalho precisa mudar. De certa forma, foi bom termos tomado esse susto agora, logo na estreia. Há tempo para trabalhar e corrigir os inúmeros erros. Esperamos poder chegar ao próximo Majestoso da Libertadores, que ocorrerá apenas na última rodada da fase de grupos, em condições de devolver o resultado e vencer com propriedade.
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Autor: Victor Castro

Apaixonado por futebol acima de tudo, são paulino fanático desde criança, estudante de engenharia na Poli-USP e fã de Iron Maiden. Escrevo no C11.
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