Argentina escancara problemas, mostra previsibilidade e avança

Drmic e Gago disputam bola (Foto: FIFA)

Os problemas da albiceleste nunca estiveram tão escancarados em um jogo dessa Copa do Mundo quanto hoje, terça-feira (1), pelas oitavas de final diante da Suíça. Com Messi bem marcado, vimos um time argentino impaciente, errando em demasia e afoito, claramente sem plano B. Sem ter Di Maria, que mais tarde faria o gol da classificação, em bom dia, argentinos pararam na boa defesa do time europeu e apelaram para um chuveirinho ineficiente e previsível. Passaram com gol aos 118 minutos da prorrogação. 1 a 0.

Sabella mandou a campo praticamente o mesmo time que encerrou o jogo diante da Nigéria no encerramento da primeira fase. Lavezzi substituiu Aguero, quase cortado do grupo por lesão. O que não se repetiu no jogo de hoje foram os pequenos lampejos de jogo coletivo e, principalmente, de Messi. Não culpo o meia, é preciso dar mérito aos suíços. Em compensação, assusta o fato da Argentina não ter alternativas para isso. Lavezzi foi aberto na ponta, Di Maria na outra, Higuain ficou pelo meio da área e foi basicamente isso que fez Sabella para tentar ganhar de uma Suíça taticamente obediente e quase perfeita. 

Convenhamos, parece pouco inteligente forçar bola na área contra a defesa suíça. Quando chegavam pelas laterais, Rojo-Lavezzi e Zabeleta-Di Maria jogavam na área de forma massante. É preciso destacar também a boa atuação dos laterais Lichtsteiner e R. Rodriguez por parte dos europeus. Os laterais fizeram bom papel ao dificultar ao máximo que esse joguinho bem fraco da Argentina fizesse efeito.

O primeiro tempo foi tecnicamente ruim, com duas boas chances para a Suíça e apenas uma para a Argentina. Drmic recebeu de Shaqiri e obrigou Romero a trabalhar. Mais tarde, novamente Drmic assusta ao receber outro passe em profundidade de Shaqiri, porém jogando nas mãos do goleiro argentino a tentativa de gol por cobertura. 

O segundo tempo foi menos aberto e tecnicamente tão ruim quanto o primeiro. Como disse, foi na segunda etapa que se iniciou com mais volume os cruzamentos na área, fruto da impaciência do time argentino em tentar chegar ao gol suíço pelo chão. Ainda bem marcado, Messi assiste ao jogo dentro do campo, esperando algum espaço mínimo para decidir. Esse espaço só viria no final da prorrogação.

Prorrogação que chegou como quem não iria mudar em nada o rumo do jogo, que nessa altura caminhava sem volta para uma decisão por pênaltis. Toda a emoção da partida foi reservada para os 6 minutos finais, quando Messi aproveitou o desequilíbrio físico dos volantes suíços, exaustos, para arrancar e passar para Di Maria, que errou tudo que tentou no jogo, irritando até o mais fanático hincha, tocar na saída de Benaglio e fazer 1 a 0. 

Parecia, mas o lance protagonizado por Messi e Di Maria não seria o último do jogo. Sem nada a perder, a Suíça foi pro abafa, com goleiro na área e tudo que tem direito. Em um desses levantamentos, Dzeimalli tocou sozinho pro gol de Romero dentro da pequena área, a bola caprichosamente bateu na trave, voltou na perna do mesmo Dzeimalli e saiu. Shaqiri ainda recebeu uma falta boba de Garay na entrada da grande área, mas colocou na barreira a cobrança.

É... foi sofrido. Argentina avança, espera Bélgica ou EUA, que jogam daqui a pouco na Fonte Nova para definir confronto das quartas. É preciso deixar claro que os problemas do time, que não tem realmente uma zaga confiável, mesmo com todos os meus esforços para enxergar qualidade no setor, estão mais escancarados do que nunca. Fora esse problema defensivo, defeito já conhecido, falta coletividade. Assim como o Brasil com Neymar, a Argentina espera que Messi resolva sempre, e tem dias que isso não vai acontecer. É preciso ter alternativas. É preciso paciência para continuar jogando pelo chão mesmo quando bem marcado Messi estiver. Insistir no chuveirinho, como os times sem recursos fazem, e precisar de uma bola pra matar um jogo mais complicado é abusar demais dos deuses do futebol. Sabella mostrou-se despreparado para fazer esse time jogar sem seu principal jogador. O esquema 4-2-3-bolanomessi parece estar fazendo esse grupo refém.


ARGENTINA

Notas:

Sistema defensivo

Romero; Apareceu bem quando acionado. Nota: 7,0

Zabaleta; Tomou sustos e deu espaço para Mehmedi. Sorte que estamos falando do Mehmedi. Nota: 5,5

F. Fernandez; Hoje, bem. Nota: 6,1

Garay; Suou com Drmic e depois Seferovic, fora as coberturas no Rojo que tinha um Shaqiri endiabrado. Nota: 6,0

Rojo; Tomou um baile do Shaqiri no primeiro tempo. No segundo, teve a vida facilitada pela mudança de lado do meia-atacante suíço e pôde subir mais. Tomou segundo amarelo e torna-se desfalque nas quartas. Nota: 6,0

Meio-campo

Mascherano; Errou mais do que nos outros jogos. Ainda sim, boa partida. Me pareceu impaciente com os próprios companheiros em alguns momentos, talvez estivesse sentindo que não estavam bem. Nota: 6,5

Gago; Apagado novamente. Sem função em campo. Nota: 4,5

Messi; Pior jogo na competição. Foi bem marcado, óbvio, mas não fez muita questão de tentar sair. Decidiu no fim. Nota: 6,8

Ataque

Lavezzi; Participativo e, de longe, jogador mais impaciente do time. Acabou atrapalhando em alguns momentos, mas consegue ser mais interessante pro time do que Aguero. Nota: 6,2

Di Maria; Errou tudo que tentou. Pior partida que vi do argentino em toda a carreira. Gol não muda nada. Nota: 6,4

Higuain; Faltou mobilidade. Nota: 4,8

Substituições

Palacio; Entrou e foi pra área esperar uma das oitocentas bolas alçadas. Nota: 5,5

Basanta; Esse maltrata a bola. Entrou na prorrogação. Sem nota

Biglia; Entrou na prorrogação também. Sem nota.

Técnico

Sabella; Pior do jogo. Teve tempo para trabalhar alternativas e parece não ter feito. Era bastante previsível que teríamos uma marcação muito forte em cima de Messi. Apelar pro chuveirinho? Esse é o plano B? É assim que pretende ganhar uma Copa do Mundo? Nota: 0


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Sérgio Ricardo Jr. é estudante de jornalismo na UFRN e responsável por cobrir Argentina e Irã na Copa do Mundo 2014.
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Autor: Sérgio Ricardo Jr.

Sérgio Ricardo Jr. é acadêmico em Jornalismo pela UFRN e colaborador do C11 desde 2014.
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