Retrospectiva Náutico 2013: Uma coleção de sofrimentos

Em ano de mudança para a Arena Pernambuco, o Náutico teve poucos motivos para sorrir em 2013 (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)
Eu poderia seguir o estilo das retrospectivas dos demais times do C11, dividindo tudo por partes, mas o ano foi tão ruim para o Náutico que prefiro que o sofrimento venha todo de uma vez ao invés de vir lentamente. Afinal, mesmo com a maior renda de sua história, a equipe fez as expectativas da torcida se transformarem em frustração.


Campeonato Pernambucano
O Timbu não conseguiu se classificar para a Copa do Nordeste de 2013 através do Estadual de 2012 (ficou na 4ª colocação) e se viu na obrigação de disputar o Pernambucano a partir da 1ª fase, juntamente com as equipes do interior. Foi o melhor time do turno e garantiu vaga na Copa do Brasil de 2014.

No 2º turno, começou muito bem, com um ataque avassalador, mas as derrotas nos clássicos para Sport (2 a 1 na Ilha do Retiro) e Santa Cruz (2 a 0 em pleno Aflitos, onde não perdia para o mesmo rival desde 2005) custaram a liderança ao Alvirrubro, que terminou a fase na vice-liderança e teve que jogar a semifinal contra o 3º colocado. Nela, reencontrou o Tricolor do Arruda.

No jogo de ida, disputado no Arruda, o Santa venceu por 1 a 0 e tinha a vantagem do empate no jogo da volta. Poderia, também, perder por um tento de diferença, ainda que marcasse gols (devido à regra do gol fora de casa), ou também por 1 a 0, desde que recebesse menos cartões amarelos na partida - esta foi mais uma das proezas alcançadas pela Federação Pernambucana de Futebol e seus regulamentos mirabolantes. Se o número de cartões fosse igual, a vaga na final seria definida através de um sorteio (isso mesmo, sorteio!).

Por sorte da FPF, estes critérios de desempate não precisaram ser adotados, pois o Náutico venceu por 2 a 1 e ficou fora da decisão graças à sempre contestada regra do gol fora de casa.

Mais um ano sem o título do Estadual. Já são 9 anos na fila (Foto: Ricardo Fernandes / Diário de Pernambuco)
Na finalíssima, o Santa Cruz derrotou o Sport e conquistou o tricampeonato estadual.


Copa do Brasil
Precisando ser eliminado antes das oitavas-de-final da competição para poder assegurar sua vaga na Copa Sul-Americana (acho que a CBF aprendeu a fazer regulamentos com a FPF-PE, hein!), o Náutico tinha como adversário na competição nacional o CRAC, da cidade de Catalão-GO, equipe que militava na Série C e amargou o rebaixamento à D no final do ano. Aparentemente, um adversário que não nos causaria muitos problemas, mas só aparentemente mesmo.

Na ida, no Estádio Genervino da Fonseca, o CRAC massacrou o Timba ao fazer 3 a 1. Só um milagre garantiria o Náutico na 2ª fase. E ele não veio; o empate em 1 a 1 nos Aflitos foi o suficiente para eliminar os alvirrubros da Copa do Brasil e, ao mesmo tempo, garanti-los na Sul-Americana.

Poderíamos dizer que foi uma desclassificação forçada, pois uma participação na Sula era vista com bons (ótimos, melhor dizendo) olhos na Avenida Conselheiro Rosa e Silva, mas isso tá mais com cara de mentira bem contada do que de verdade absoluta. Depois de uma boa fase passageira no Estadual, o CNC começava a dar indícios de que iria capengar no decorrer do ano.

A zebra passeou na Copa do Brasil (Foto: Rede Globo / Reprodução)
O título da Copa ficou com o Flamengo, que derrotou o Atlético Paranaense na final.


Copa Sul-Americana
De volta a uma competição internacional após 45 anos, quando disputou a Libertadores da América de 1968 e caiu ainda na fase de grupos por realizar uma substituição a mais do que o permitido na época - "Há coisas que só acontecem com o Náutico" (Autor desconhecido) -, a expectativa da torcida alvirrubra em relação à competição era enorme, visto que era a chance do clube fazer história num ano que não estava sendo bom.

O adversário era ninguém mais e ninguém menos que o Sport, seu maior rival. Beneficiado com o inusitado - para não dizer tosco - regulamento da CBF em relação à apuração para o 2º campeonato mais importante do continente sul-americano, o Leão entrou na Sula mesmo tendo sido rebaixado à Série B no ano passado.

O Clássico dos Clássicos disputado na Copa Sul-Americana poderá ficar marcado como o "clássico do século" em Pernambuco, tendo em vista o âmbito que tal rivalidade tinha atingido. Tudo igual no confronto: Sport 2 a 0 na ida, na Ilha do Retiro, e Náutico 2 a 0 na volta, na Arena Pernambuco. A vaga nas oitavas-de-final foi definida na disputa de pênaltis e a vitória ficou com o Sport: 3 a 1. Mais um vexame para a coleção do Timba em 2013.

Magrão, goleiro do Sport, foi o grande nome da decisão por pênaltis que eliminou o Náutico na Copa Sul-Americana (Foto: Bernardo Dantas / Diário de Pernambuco)
O grande campeão da Copa Sul-American foi o Lanús, da Argentina, que despachou a surpreendente Ponte Preta na decisão.


Campeonato Brasileiro Série A
Nada que estivesse ruim e pudesse piorar. Depois dos vexames no Estadual e na Copa do Brasil, o Alvirrubro tinha a Série A e um período de transição - deixaria de jogar nos Aflitos para poder mandar seus jogos na Arena Pernambuco, conforme contrato assinado com o consórcio que administra o novo estádio - pela frente.

O Náutico, único pernambucano na elite do futebol brasileiro, não deu motivos para orgulhar o futebol do Estado. Muito pelo contrário. Na Série A, mais vexames foram colecionados. E não foram poucos.

Apenas 5 vitórias em 38 jogos. Nas 33 partidas restantes, 28 derrotas (!), sendo 12 delas de goleada, e 5 empates. Apenas 17,5% de aproveitamento. Passou todas as rodadas do certame na zona da degola, teve o pior ataque (22 gols marcados), a pior defesa (79 tentos sofridos) e um saldo de gols desastroso: -57. Foi o 2º pior desempenho de um time na era dos pontos corridos, atrás apenas do famigerado América de Natal e seus 17 pontos de 2007.

O rebaixamento confirmou-se de forma matemática já na 32ª rodada, após a goleada de 5 a 0 sofrida diante do Atlético Mineiro na Arena Independência. O Galo Doido enterrou o Timbu em sua cova em pleno Dia de Finados. Uma cova cavada pelos seus próprios dirigentes, que pensaram mais em si mesmos do que no próprio clube que comandavam.
Um humilhante 5 a 0 foi o resultado que fez o Alvirrubro da Rosa e Silva amargar mais um rebaixamento (Foto: Dudu Macedo / Foto Arena)
Já na reta final do Brasileirão, a polêmica dos salários atrasados e da ameaça de greve do elenco alvirrubro fez o Bom Senso FC, comissão que exige melhorias no futebol brasileiro, ameaçar paralisar o campeonato, mas diretoria e jogadores chegaram a um acordo e tudo se normalizou. Quer dizer, não se normalizou. Os atletas alegam que os dirigentes não cumpriram o acordo o qual eles mesmos propuseram e devem colocar o clube na Justiça, a fim de obter o que lhes é de direito.

Jogadores do Náutico alegaram atraso no pagamento de seus salários e ameaçaram fazer greve (Foto: Thiago Augustto / globoesporte.com)
Quem ficou com o título da Primeirona foi o Cruzeiro, que liderou o campeonato de ponta a ponta.


Eleições presidenciais e uma luz no fim do túnel
Com o patético ano, um dia não era tão aguardado pelos torcedores timbus como 15 de dezembro. Era a data das eleições que definiriam quem comandaria o Clube Náutico Capibaribe no biênio 2014/2015.

Ao todo, 2.151 sócios alvirrubros compareceram à votação e elegeram Gláuber Vasconcelos, candidato da chapa Movimento Transparência Alvirrubra, a qual representava a oposição, para o cargo de presidente da instituição. Gláuber derrotou os adversários Marcílio Sales (Alvirrubros de Coração, chapa do antigo Colegiado Alvirrubro), Alexandre Homem de Melo (Renovação, chapa da situação) e Alberto de Souza (Camisa 12, chapa das torcidas organizadas). Pela primeira vez na história, o Náutico será comandado por um opositor.

O alto número de comparecimento ao evento mostrava o tamanho da indignação e insatisfação - não só dos sócios como também da torcida em geral - para com a gestão ineficiente de Paulo Wanderley e cia. Os alvirrubros depositaram toda a sua confiança no MTA e aguardam dias melhores para o time do coração. A oposição assume o poder com a missão de fazer o CNC voltar a conquistar títulos - não o faz há mais de 9 anos - e de aumentar o quadro de sócios da agremiação.

Gláuber Vasconcelos é o novo presidente do Náutico (Foto: Rômulo Alcoforado / Blog do Torcedor)
O trabalho já começou, com a confirmação do novo técnico, o "Lisca Doido" do Juventude. Esperamos que 2014 não seja um ano com exageradas mudanças de técnicos como foi 2013, quando o número de treinadores nos Aflitos chegou a 7.

A temporada de 2014 não será fácil. Com a perda de recursos e a diminuição da folha salarial - consequências do rebaixamento na Série A -, o ano promete ser mais um teste para cardíaco à torcida alvirrubra. Mas, com a transparência e a renovação prometidas pela nova diretoria se cumprindo e o apoio de sempre dos adeptos se fazendo marcante, o Náutico pode superar todas as adversidades e ter motivos para sorrir no ano que está por vir. Só nos resta aguardar. E torcer. Torcer muito!

Desde já, um Feliz 2014 a todos os torcedores, sejam eles alvirrubros ou não. Saudações alvirrubras!
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Autor: Luís Francisco Prates

Náutico, Borussia Mönchengladbach e Benfica. Pernambucano, 20 anos, cristão e estudante de Jornalismo.
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