São Paulo 1x2 Bahia: Sem técnico, sem torcida, sem vitória, sem vontade, sem vergonha

Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

Nada como um jogo tranquilo, contra um adversário inferior, em casa, para botar a casa em ordem. Uma boa vitória, que abafa um pouco a crise e deixa o clima bom para um novo treinador. Imagina como seria bom. Mas, não. Não. O São Paulo inventou de perder a quarta seguida no Morumbi, para o Bahia, de virada, por 2x1. E com dois expulsos, o de sempre (Luis Fabiano) e o estreante (Clemente Rodríguez).

Milton Cruz escalou um time sem Ganso. Na defesa, oportunidade para o garoto Lucas Farias na lateral-direita. O argentino Clemente Rodríguez estreou na outra lateral. Lúcio e Rhodolfo formaram o miolo da zaga. No meio, Rodrigo Caio e Maicon jogando atrás do Jádson. E, no ataque, o trio com Osvaldo, Aloísio e Luis Fabiano.

O jogo não começou nada animador. A pressão foi feita pelo Bahia, aproveitando a má fase Tricolor. Mas, no primeiro ataque são-paulino, Jádson lançou Luis Fabiano, que ajeitou de cabeça para Aloísio dominar e bater de canhota, no canto do goleiro Marcelo Lomba. Aberto o placar, os baianos ainda criaram uma chance no primeiro tempo, com boa defesa do Rogério; além disso, um bom chute do Jádson já aos 35' que passou perto do ângulo. Sim, essa foi a primeira etapa.

No segundo tempo, o São Paulo, aparentemente com a vitória nas mãos, entrou em ritmo de treino. E o Bahia, ao contrário; acreditando que o empate viria. Correram, se esforçaram e logo criaram as primeiras chances em cima da fraca defesa são-paulina. Aos 19 minutos da etapa final, Marquinhos Gabriel cruzou uma bola baixa e Anderson Talisca surgiu na frente de Ceni. 1x1. No lance seguinte, Luis Fabiano, que já tinha cartão amarelo, colocou a mão na bola. Foi expulso. Saiu muito vaiado e criticado. E o jogo inteiro foi perdido.

Para piorar, lá pelos 40 e tanto, o argentino que estreava na lateral, Clemente Rodríguez, também levou o segundo cartão amarelo. Logo depois, bola cruzada na nossa área, Rhodolfo tirou mal (novidades) e Fahel não deu chances para Rogério Ceni. A virada. Em casa. Para o Bahia.

Foi difícil, mas dei as notas de cada um dos jogadores que entraram em campo ontem.

Nota mínima: -12 [Por que 12? Desde que inventaram que esse número era importante no clube (6 + 3 + 3), Marlos e Fernandinho usaram ele na camisa. É por isso]

Nota máxima: Rogério Ceni [Nunca ninguém na história do futebol no universo conseguiu essa nota, a não ser o próprio dono da 01. E, naturalmente, só ele pode alcançá-la]


Rogério Ceni: 1000
Merece uma imensa nota por aguentar jogar o último ano da carreira com esse time aí. Força, capitão. Como você mesmo disse, na entrevista pós-jogo: "Tá foda."

Lucas Farias: 5
É importante não crucificar o garoto. Tem um grande futuro e com certeza vai se adaptar à equipe, sendo nosso lateral-direito titular em breve. Tem que ter paciência.

Lúcio: 2
Jogou 3 Copas do Mundo e foi o principal reforço no início do ano. Até agora, só foi o responsável por nos tirar da Libertadores.

Rhodolfo: 0
Vem cá, cê não tinha uma proposta da Itália não? Horrível, falhou de forma bizarra nos dois gols adversários. E vem cometendo os mesmos erros bobos faz tempo.

Clemente JUAN Rodríguez: -3
Espero realmente que essa tenha sido só uma partida ruim e que você não seja apenas uma versão argentina do xará do seu nome do meio.

Rodrigo Caio: 5,5
Ah, cara, eu sei que você se esforça, corre, marca, desarma, divide, mas ontem ninguém funcionou. Ainda é titular no meu time, mas precisa de um volante para jogar com ele (alô, Felipe Melo).

Maicon: 3
Mas quem foi que te disse que você serve para jogar futebol, hein? 

Jádson: 7
Deve ser ruim né? Você corre, chuta, toca e até marca pra depois ver um atacante e um defensor serem expulsos e acabar com o seu jogo. Jádson tem créditos, é o nosso camisa 10 e ontem ele merecia a vitória.

Osvaldo: 2
Cadê meu craque? Que que aconteceu? Saudade, Cristiano Osvaldo.

Aloísio: 7,5
Compensa um pouco a falta de técnica com raça, força e velocidade. Mas não é sempre o suficiente. Precisamos de atacante.

Luis Fabiano: -12
A torcida confiou em você, a torcida pediu pra você ficar, você ficou. Agora responde em campo. Para de ser fominha, para de ficar impedido, pelo amor de Deus Rogério Ceni, para de ser expulso e se concentra em fazer o gol. Filho da puta.

Ademílson, Roni e Silvinho: Tanto faz
Só lembrei de vocês depois que escrevi tudo. Entraram e não ajudaram em nada.

Milton Cruz: 0
Não fez nada. Senta ali no banquinho de auxiliar que tá ótimo.

Paulo Autuori: Tri-campeão
Era o treinador de 2005. Foi apresentado hoje, falou bem, falou confiante. Gosto muito, mas vai ter um trabalho danado. Boa sorte e tenham paciência com ele.

Ney Franco
Com certeza rindo no momento.

Vontade
Em falta.

Torcida
4.579 pessoas pagaram para ver o jogo de ontem. Eu nunca vou tirar a razão de vocês em criticarem, vaiarem, gritarem o nome de quem seja. Mas a diferença entre as torcidas está naquelas que vão no estádio apoiar, não importa a fase do time, e naquelas que só vão na boa fase da equipe. Depois não sabem porque nosso principal rival está tão na nossa frente - pois para mim, a principal diferença está na torcida. Ou vocês acham que, por mais desacreditado que esteja o time, ele perderia para qualquer um em um Morumbi com 60, 70 mil pessoas gritando o tempo todo? Vão no estádio. O acesso é difícil, não tem estacionamento, sei de todos esses problemas. Mas se esforcem. Isso também vale para a diretoria, e um dos pontos a se focar nesse segundo semestre tem que ser essa "chamada", algo que convença a torcida a ir apoiar o time. Usem promoções ou o que quiserem. Algo que dê certo. Tenho certeza de que, se funcionar, além do clube virar um exemplo no país todo, as vitórias e os títulos virão.

Foi a 4ª derrota seguida no Morumbi. Goiás, Corinthians, Santos e agora, Bahia. Lembrando que esse jogo foi pela 11ª rodada, adiantado, uma vez que a equipe viajará no começo de agosto para disputar alguns torneios no exterior. No próximo domingo, o São Paulo encara o Vitória, em Salvador.


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Diogo Magri

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Autor: Diogo Magri

17 anos, são-paulino do interior. Tenho trauma de bola parada, de pênaltis e de elogios ao goleiro antes do fim do jogo. No C11, falo de futebol europeu. Na vida, tento sofr... digo, ser jornalista.
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