Precipitou-se

Foto: Luciano Belford / Futura Press

Pela 4ª rodada da Taça Rio, o Flamengo precipitou-se em algumas medidas, voltou a tropeçar contra um time de menor expressão e, agora, está prestes a ser eliminado precocemente do Estadual. O adversário foi o Audax Rio e o placar, 2 a 1.


Satisfeito com a melhora e com o volume de jogo apresentados contra o Bangu, na quarta-feira, 27, Jorginho pretendia que o time continuasse em crescente, e, por isso, decidiu alterar algumas peças para a partida contra o Audax, priorizando o momento individual. Primeira precipitação. Porque sequência é fundamental para entrosar o time e entrosamento, por sua vez, é a chave para o progresso de uma equipe.

Era necessário o retorno de Léo Moura à lateral-direita no lugar do improvisado Luiz Antônio, lógico, mas era desnecessário desgastar garotos promissores, porém ainda despreparados, como Rodolfo e Nixon entre os titulares, e mais arriscado que isso era arriscar em Renato Santos na defesa. Mas essas substituições não pareciam ruins e não comprometeram o resultado, apenas foram precipitadas.

Apressado desde os primeiros segundos da partida, como um jovem (não é por coincidência o time atual estar repleto deles), o Rubro-Negro esqueceu de marcar o adversário, a grande tônica da partida. E esse descuido repercutiu cedo. Logo aos 3 minutos, assim como no jogo anterior, o Flamengo sofreu um gol. André Castro, sem marcação, pegou bola rebatida pela defesa e abriu o placar.

Mais jovial, o Mengão sentiu a pancada e ficou desacordado durante todo o primeiro tempo. Antes de sair para o intervalo, para tomar aquele fôlego que as palavras de um treinador são capazes de dar, Jorginho achou que uma mudança poderia ter o mesmo efeito e, assumindo seu erro na escalação inicial, colocou o artilheiro do campeonato, Hernane, no lugar de uma de suas apostas, Nixon. Assim, se o time precisasse de atacar no round seguinte, a opção mais ofensiva que restava no banco era Carlos Eduardo. Mais uma precipitação do comandante.

A conversa no vestiário surtiu efeito e o Flamengo entrou em campo com fôlego renovado na segunda etapa. Pressionando, como tinha de ser, o Fla chegou ao empate cedo. Gabriel, sumido na partida até então, recebeu passe e acertou um bom chute da entrada da grande área, aos 8 minutos.

Animado com o gol e contando com um elenco muito superior, o Rubro-Negro tinha grandes chances de virar a partida e conquistar mais três pontos, mas novamente se afobou, errou muitos passes e tentou empregar uma correria desnecessária, quando o melhor a se fazer era ter paciência, valorizar a posse de bola e se aproximar do gol aos poucos. Outra precipitação, para não perder o hábito.

Inteligente foi o Audax, que se defendeu muito bem e tomou conta do meio-campo, que, por sinal, o Flamengo não tinha. Quando ia ao ataque, o Flamengo levava 6 jogadores (precipitação irresponsável), que, cansados, não recuavam para marcar, deixando a tarefa sobrecarregada para apenas 4 jogadores. 

Antes desse desespero e dessa desorganização, já havia ficado perceptível a vulnerabilidade da defesa rubro-negra em lances que a equipe adversária trocou passes com facilidade e ameaçou. Amaral e seu companheiro de posição, Elias, não protegeram a defesa adequadamente. Enquanto Alex Silva e Renato Santos sempre estavam atrasados e, muitas vezes, sem cobertura.

Nesse cenário favorável, o Audax aproveitou a melhor oportunidade que apareceu. Em contra-ataque rápido, Yuri foi lançado nas costas da defesa e marcou o gol da vitória da "zebra". O lance iniciou em um passe errado de Carlos Eduardo, perdido na partida (e no Flamengo, até agora). Mas o peso enorme desse novo tropeço não pode recair apenas sobre um jogador, quando não há um, nem mesmo o autor do gol, que possa sair elogiado de Moça Bonita. Para piorar, a derrota pode custar uma eliminação precipitada.

Por Messias Borges.
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Autor: Unknown

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