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| Grupo comemorando gol de Walter contra o São Paulo; Goleada diante da equipe paulista foi a melhor partida do Flu no Brasileirão. (Nelson Perez/Fluminense F.C) |
As primeiras nove rodadas do Brasileirão antes da parada para a Copa do Mundo se foram e o Fluminense surpreendeu a grande maioria no futebol brasileiro, incluindo sua torcida, ao ir para o recesso forçado na vice-liderança do torneio. Teoricamente, tudo azul, só alegria. Analisando friamente, na prática, nas partidas disputadas, a certeza de que a liderança escapou, seja por vacilo nosso, ou injustiça.
O melhor time do Brasil, sem precisar pensar muito, é o Cruzeiro. Mostrou isso com 19 pontos em 27 disputados e na liderança do Brasileirão. O Flu vem atrás, com 16, empatado com Corinthians e São Paulo. Antes do campeonato começar, o tricolor era apontado como candidato ao rebaixamento novamente, principalmente por ter mexido pouco no elenco que caiu na temporada passada. Seus torcedores, como esse que escreve, acreditavam nisso, principalmente se baseando no péssimo futebol apresentado com Renato Gaúcho no Campeonato Carioca, mas a chegada de Cristóvão mudou o panorama e nos deu esperança.
Um futebol compacto, inteligente e que funcionou facilmente. Nosso mago das táticas, digamos assim, fez o Fluminense jogar o que não jogava desde a época de Cuca, em 2010, no Campeonato Carioca. Parecia automático, um time robótico e que piorou com a aposentadoria de Deco e a saída de Thiago Neves e Wellington Nem. Deixamos de jogar no erro do adversário e no contra-ataque fatal, para passar a engolir o adversário, seja em casa ou fora. Wágner, Conca, Fred e Sóbis passaram a aterrorizar as defesas adversárias e dessa forma conquistamos quinze pontos, ou cinco vitórias, duas fora de casa e três no Maracanã. Para muitos, o futebol mais bonito, algo encantador. Não deixa de ser verdade, mas também houveram falhas e deslizes extremamente questionáveis em quatro partidas, com três derrotas e um empate.
O que o Fluminense apresentou de excepcional contra o Palmeiras, foi por água abaixo contra o Vitória, no Maracanã, diante de 50 mil torcedores. A equipe baiana fechou os espaços, nosso time encontrou dificuldades e sucumbiu. Recuperou diante do maior rival, com outra apresentação dos sonhos que rendeu uma vitória por 2-0. Logo após, enfrentamos o Grêmio na Arena e talvez, das três derrotas sofridas, seja a mais fácil de lidar, levando pelo fato de que nosso time foi superior e levou o gol em um lance isolado, sem contar nas defesas de Grohe que contiveram o ímpeto tricolor. Na sequência, São Paulo, Bahia, Atlético-MG e Internacional. Engolimos um candidato direto ao G4 na despedida do Maracanã com um sonoro 5-2, com show de Walter e companhia.
A melhor partida do Fluminense no ano e também a despedida real da torcida, porque nas outras três partidas, quatro pontos ganhos e um rendimento técnico muito abaixo do que a gente sabe que a equipe pode apresentar. Cristóvão avisou que faltaria perna por conta da sequência de jogos antes da parada, jogos na quarta e no domingo. Realmente aconteceu e vencemos o time de três cores da Bahia por conta da inferioridade do mesmo. Quando demos de cara com uma equipe de melhor nível, sentimos. Um baile de vontade e disciplina tática do remendado Galo mineiro e uma derrota desastrosa em Ipatinga. Escancarou nossos defeitos novamente e mais uma vez a profecia de Cristóvão ocorreu. Desde sua chegada, nosso técnico afirmava que o elenco era qualificado, mas precisava de reforços. Temos quatro contratações firmadas e uma bem possível de acontecer. Todas extremamente necessárias e se olhar bem para o elenco, ainda faltam algumas peças.
Enfim na nona rodada, enfrentamos o Internacional e mais uma vez deixamos a desejar. Apesar de criar boas chances, não foi uma partida animadora. Quem esperava um time lutador na despedida temporária, se enganou. A falta de condicionamento físico foi evidente demais e no final da partida, o colorado gaúcho buscou a vitória fora de casa, enquanto nosso time andava sem fôlego, suplicando moralmente pelo empate. A vitória diante do Figueirense na estreia não foi citada, mais por conta da fragilidade do que pela nossa belíssima atuação.
Aos erros, vacilos, fraquezas: Nosso time não sabe jogar contra equipe retrancada, que sabe marcar bem e anular nossos principais jogadores. E ao olhar para o banco, Cristóvão certamente desanima. Chiquinho, Biro-Biro, Kenedy... Alguns prematuros, que sentem o peso da camisa, outros que realmente possuem pouca qualidade para mudar o panorama de um jogo. Nossa zaga, tão criticada, melhorou consideravelmente, mas nas três derrotas sofridas e no empate de ontem em Macaé, entregou justamente no contra golpe. Aquelas bolas enfiadas nas costas de Gum dão calafrios ao lermos todo o restante da jogada, com a defesa exposta e Cavalieri rendido. Aconteceu nada mais, nada menos que em todos os gols sofridos no campeonato. A bola parada do Flu nunca se mostrou tão fraca e desanimadora como atualmente. Tirando o gol de Fred no Flamengo, nossa equipe teve um rendimento pífio em faltas cobradas, escanteios etc. Em jogos como contra Vitória e Grêmio, uma bola alçada na área bem ensaiada poderia resultar em uma sorte melhor. Pra encerrar, o conhecido '8 ou 80' de nossos laterais. Sorte do Flu que não dependemos mais com tanta força de Carlinhos. O lateral esquerdo entrou no seu mundo paralelo, na sua bolha imaginária e simplesmente parou de jogar futebol. Merecidamente comparado, parece o Tonho da Lua. Já Bruno, é uma situação complexa. Comparado ao futebol mesquinho e nojento de 2013, nosso camisa 2 vem bem, dentro de suas limitações. Esse ano acertou mais cruzamentos do que somando as duas últimas temporadas, mas ao lembrar de Mariano, a torcida se revolta com o menino limitado da lateral direita.
Aonde quero chegar com isso tudo? Nosso time vai brigar na primeira parte da tabela, mas se quiser voltar a Libertadores, precisa do elenco com variedades. E teremos no segundo semestre. Fabrício estreou ontem muito bem e Henrique será outro zagueiro a disputar vaga no time titular, podendo desbancar Gum ou Elivélton. Edson, volante, polivalente, é nossa esperança de acordar Jean, titular absoluto por falta de concorrência. Cícero, ah, o Cícero. O jogador que a gente tanto desejou, está a uma assinatura de vestir nosso manto novamente. Vai agregar qualidade no passe, no chute, na marcação e na compactação que Cristóvão implanta no time. Pode também tirar nossa Conca e Wágner dependência, um dos nossos principais problemas em dias pouco inspirados de ambos. Por fim, Wellington Nem. Cria de Xerém, atacante de velocidade, destruidor de retrancas. Depende da liberação do Shakhtar Donetsk para voltar a dar alegrias ao Fluminense e sua torcida.
Além de tudo isso, a parada para a Copa dará a Cristóvão uma oportunidade única de montar um verdadeiro monstro a ser batido, podendo quem sabe, brigar com o Cruzeiro como melhor equipe. O Corinthians também pode encaixar com Elias e Lodeiro, o São Paulo tem um Muricy que sabe muito de gerir um elenco e é tetracampeão brasileiro. Quando falo montar um monstro, digo justamente de trabalhar e corrigir nossos erros, dando de uma vez a confiança total da torcida para o restante da temporada, seja no Brasileirão ou Copa do Brasil/Sulamericana. Temos a faca e o queijo na mão.
Pra quem chegou até aqui, desculpa e muito obrigado. Desculpa por um texto tão grande e obrigado pela paciência e fidelidade em ler tudo. Agora é pegar a pipoca e assistir a Copa, morrendo de saudades do amor mais bonito e importante de nossas vidas.
Saudações tricolores.

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