A França, renovada por Didier Deschamps, e a sólida Suíça, de Ottmar Hitzfeld, são os claros favoritos para avançar no Grupo E. O Equador, sem seu principal jogador - a altitude - corre por fora pela segunda vaga com seu futebol físico e emergente. Os hondurenhos jogam por seu amor próprio e uma sonhada primeira vitórias em mundiais.
Após o fracasso na Euro 2012, Didier Deschamps assumiu os Les Bleus com a missão de renovar a seleção rumo ao mundial. O caminho nas eliminatórias foi difícil, já que o ingrato sorteio colocou os espanhóis como rivais pela vaga direta no Grupo I. Com 5 vitorias, 2 empates e 1 derrota - justamente contra a Fúria -, os franceses terminaram em segundo lugar do grupo, tendo de disputar a repescagem frente a Ucrânia. Em Kiev, uma derrota por 2 a 0 pôs em risco a classificação. Eis que no jogo de volta em Saint Dennis, a França conseguiu a classificação com um 3 a 0 categórico, em ótima atuação de Karim Benzema.
Deschamps escala a França no 4-3-3, que varia para o 4-1-4-1, com a recomposição de Ribéry e Valbuena pelos lados do campo, somado ao posicionamento de Cabaye à frente da zaga. Hugo Lloris, do Tottenham, segue como o goleiro titular. A linha defensiva tem Mathieu Debuchy, do Newcastle, como lateral-direito, e o veterano Patrice Evra, do Manchester United, como lateral-esquerdo. O miolo de zaga é o setor de maior risco, já que foi bastante modificado durante a campanha: Eric Abidal e Koscielny perderam a posição após a acachapante derrota em Kiev. Na última data Fifa - vitória por 2 a 0 contra a Holanda -, os jovens Raphael Varane, do Real Madrid, e Eliaquim Mangala, do Porto, foram os zagueiros - Mamadou Sakho, do Liverpool, corre por fora pela vaga de titular.
No meio-campo, Deschamps encontrou o equilíbrio necessário posicionando Yohan Cabaye como primeiro volante e liberando os ótimos Paul Pogba, da Juventus, e Blaise Matuidi, do PSG, que completam o tridente de volantes com chegada ao ataque, boa qualidade no passe e recorrido pelos lados do campo. No ataque, a França conta com todo o talento de Frank Ribery, um dos maiores ponteiros do futebol mundial, que joga aberto pelo lado esquerdo. Mathieu Valbuena, do Olympique Marseille, atua pelo flanco oposto, enquanto no comando do ataque, Karim Benzema, recuperando a boa fase e a titularidade - havia perdido a posição para Olivier Giroud no segundo turno das eliminatórias - chega com a missão de ser o homem gol dos Les Bleus em busca do bicampeonato.
Suiça
A Suíça aposta no longo trabalho do competente treinador alemão Ottmar Hitzfeld - bicampeão da Champions League - que está no comando desde 2008. Os suíços se classificaram de forma tranquila com 7 vitórias e 3 empates no grupo E. Destaque para a defesa que sofreu apenas 6 gols. Hitzfeld apostou no 4-2-3-1 com muita compactação entre as linhas e troca constante de posição do veloz tridente de armadores.
Diego Benaglio, do Wolfsburg, vai para o seu segundo mundial como goleiro titular. A sólida linha defensiva tem Stephan Lichtsteiner, da Juventus, como lateral-direito e Ricardo Rodriguez, do Wolfsburg, como lateral-esquerdo. A zaga conta com a dupla Johan Djourou, do Hamburgo, e Steve Von Berger, do Young Boys; Fabian Schär, do Basel, corre por fora pela vaga de titular. Os volantes suíços contam com o trunfo do grande entrosamento, lembrando que Valon Behrami, Gökhan Inler e Blerim Dzemaili atuam no Napoli. Behrami e Inler foram os titulares durante a campanha aliando forte poder de marcação e boa qualidade no passe durante a transição ofensiva.
O forte da Suíça esta no talentoso tridente de armadores composto por Xherdan Shaqiri, do Bayern de Munique, e Valentin Stocker, do Basel, como ponteiros, além de Granit Xhaka, do Borussia Monchengladbach, como meia centralizado. A grande dúvida de Ottmar Hitzfeld está no comando do ataque. Haris Seferovic, da Real Sociedad, foi o centroavante titular durante a exitosa campanha nas eliminarias. No entanto uma temporada cheia de lesões e poucos gols, deu ao jovem Josip Drmic, do Nuremberg, a chance de ser titular na última data Fifa. Drmic que já anotou 16 gols na atual temporada da Bundesliga, se destacou no último amistoso frente aos croatas, onde marcou os dois gols no empate por 2 a 2.
Equador
O Equador luta pela segunda vaga apostando no conjunto e na experiência internacional de sua espinha dorsal. Reinaldo Rueda apostava no sistema 4-4-1-1, dando protagonismo para a afiada dupla de ataque formada por Chucho Benitez e Felipe Caicedo. Eis que, por essas voltas da vida, Christian Chucho Benitez, acabaria falecendo com um parada cardiorrespiratória em julho de 2013. Na reta final das eliminatórias, Reinaldo Rueda apostou no jovem Enner Valencia, do Pachuca, para acompanhar Felipe Caicedo no comando de ataque.
Alexander Dominguez da LDU é o goleiro titular. Na lateral-direita, Juan Carlos Paredes, do Barcelona de Guayaquil, ficou encarregado de substituir Reasco, tendo com sua principal característica o apoio a Antônio Valencia pelo setor direito do ataque. Na lateral-esquerda, o inoxidável Walter Ayovi, um dos símbolos da geração de ouro do futebol equatoriano, segue como titular, apesar da idade avançada para a posição; Oscar Bagüi, do Emelec, corre por fora . O miolo de zaga é o ponto fraco do Equador: Jorge Guagua, do Emelec, e Frikson Erazo, do Flamengo, formam uma dupla sujeita a chuvas e trovoadas. Nas eliminatórias a defesa equatoriana foi vazada 16 vezes. Gabriel Achilier, do Emelec, briga com Erazo pela posição de titular na quarta zaga.
A dupla de volantes está definida com Segundo Castillo e Christian Noboa. Ambos, contam com uma boa experiência internacional, tendo como característica principal a forte marcação. Noboa é a peça chave na saída de bola, enquanto Castillo chega mais ao ataque com bons arremates de media distancia. A grande arma do Equador é jogar nos contra-ataques puxados pelos ponteiros Antônio Valencia, do Manchester United, pela direita, e da grande revelação e principal jogador do Equador na reta final das eliminatórias, o insinuante Jefferson Montero, do Monarcas Morelia, que atua pelo flanco esquerdo do ataque.
Honduras
Honduras vai ao seu segundo mundial consecutivo - o terceiro de sua história - com a ambição de enfim, vencer o seu primeiro jogo em Copas do Mundo. O colombiano Luis Fernando Suárez assumiu o comando da seleção hondurenha em 2011, substituindo o seu compatriota Reinaldo Rueda. Nas eliminatórias da Concacaf, Honduras terminou em terceiro lugar do hexagonal final, atrás dos Estados Unidos e da Costa Rico, com 4 vitórias, 3 empates e 3 derrotas. Luis Fernando Suarez aposta no contra-ataque e na solidez de suas linhas compactas do sistema 4-4-1-1.
O veteraníssimo goleiro hondurenho Noel Valladares, do Olímpia, vai para o seu segundo mundial como titular. A linha defensiva possui laterais de forte poder de marcação como Arnold Peralta, do Rangers da Escócia, na direita, e Emilio Izaguirre, do Celtic, na lateral-esquerda. O miolo de zaga é composto por Maynor Figueroa do, Hull City, e Victor Bernardez, do San Jose Earthquakes dos Estados Unidos. A segunda linha hondurenha tem a dupla de volantes Jorge Claros, do Club Deportivo Motagua, e Wilson Palacios, do Stoke City. Bonieck Garcia, do Houston Dynamo, e Roger Espinoza, do Wigan, fecham a segunda linha combatendo os avanços dos laterais rivais. No ataque, Honduras aposta em Carlo Costly, do Real España, como enlace e Jerry Bengtson, do New England Revolution, como centroavante.
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Esta foi a quarta edição do Taticando na Copa, com Felipe Bigliazzi, comentando sobre o grupo E em que a França passa com tranquilidade; Suiça e Equador brigando pela segunda vaga. Divulguem este texto, vale a pena sempre ler sobre essa parte no futebol. Estimular a leitura sobre táticas enriquece conhecimento e é cultura!





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