Pagando pelos erros

A Copa do Nordeste ficou no sonho. Foto: Esporte Interativo

Se pudesse, o torcedor tricolor passaria uma borracha na noite de ontem, 05 de fevereiro de 2014. Noite do capítulo final do Bahia na primeira competição do ano, a Copa do Nordeste. Apesar de ter vencido o CSA, líder do grupo, o Bahia sucumbiu no certame regional em função do triunfo do Santa Cruz no Lomanto Júnior, diante do Vitória da Conquista.

A história de 2013 se repete. Em um grupo relativamente fraco, o Bahia fica de fora da fase de mata-mata, nos apresentando aquela sensação filadaputa que atende pelo nome de frustração. Pode soar repetitivo e chato, mas a incompetência não poderia ser premiada de outra maneira. Tudo aconteceu do jeitinho que cartolas, comissão técnica e jogadores pediram. A sequência de erros não poderia culminar em um desfecho diferente. 

Os cartolas erraram quando contrataram jogadores reprovados em outros clubes. Um dirigente que se respeita e respeita o seu torcedor não pode me aparecer com HUGO, reserva do lanterna Náutico, na reapresentação do elenco. Um dirigente que se respeita não pode aceitar parceria com empresário que empurra meia dúzia de carniças no clube e diz estar ajudando. Dirigente que se respeita não faz uma troca MAMBEMBE, como diria o próprio Sidônio, da revelação, titular absoluto e principal peça no setor de marcação do clube por um pseudo-craque produzido pela Globo. Um dirigente que se respeita não vê o time gritando por um camisa 9 e fica empurrando a situação com a barriga. Vai lá e resolve.

O treinador errou quando nas primeiras palavras em seu novo clube prometeu o que não tinha condições de cumprir. Não sabia do material humano que tinha à disposição e, pra jogar pra galera, disse que faria do Bahia um Bayern de Munique da vida: um volante e ofensividade como principal característica. Demagogia pura. O treinador erra constantemente nos conceitos. Retranca quando deve soltar a equipe, faz substituições dignas de um Roberto Cavalo e continua pedindo paciência com atletas com ciclo encerrado dentro do Esporte Clube Bahia.

4 a 1 contra o CSA, 2 a 1 contra o Santa Cruz, com gol aos 30 segundos. Demonstrações claras de que faltou brigar, faltou deixar o sangue em campo, faltou encarar as cores e tradição do Bahia como devem ser encaradas. A soberba predominou em alguns momentos e pagamos caro por isso. O Bahia é, acima de tudo, transpiração. Falta isso em MUITAS PEÇAS dentro do elenco. Hélder, Fahel e Titi, bases da equipe, precisam procurar novos ares. Não vejo mais perspectiva de contribuição deles para o time, por exemplo. É hora de mudança, uma repaginada no setor defensivo do Bahia. (Vale destacar Rhayner e Wilson Pittoni, muito bem em suas funções. Serão muito importantes daqui pra frente. Menção também para o criticado Guilherme Santos, que começou mostrando serviço e dizendo que pode, sim, calar os cornetas - me incluo nesse time)

A eliminação do Bahia, por mais dolorosa que seja, não foi em vão. Os erros citados foram o ponto de partida para a queda. E mostraram que, de fato, faltou critério em alguns pontos. A nova direção merece ser exaltada por muitas coisas. Mas isso não me impede de “Dar a César o que é de César (lá nele elevado a enésima potência). O principal erro - escancarado com a campanha, diga-se -  foi a troca bizarra com o Flamengo. Entregar Feijão e trazer Rafinha, que deve ter 10, 20... 100 clones, se duvidar, nos times do interior de São Paulo, com a desculpa de que não precisávamos de volantes, é vergonhoso. Só não foi mais vergonhoso que as tuitadas com aspas de Zico, ídolo do Flamengo (?), servindo de relator da biografia do rapaz. Uma pergunta básica: Quem é Zico na Ladeira da Fonte, meus queridos?!!!

Imaginemos pois uma balança. De um lado, vamos colocar todos esses erros. Do outro, vamos colocar a vaga na próxima fase da competição. Toda nossa esperança era justificada pela cegueira da paixão. Era impossível avançar. Querendo ou não, os cartolas, a comissão técnica e parte do time fizeram força pra não classificar. Esse tipo de situação me faz desconstruir um clichê barato que diz que futebol não tem justiça. A eliminação do Bahia é o quê? Injusta? 

Não é fácil aceitar uma eliminação como essa. Existe um torcedor aqui escrevendo tudo isso e se questionando tinha que ser mesmo assim?”. O pior é saber que não foi por falta de aviso. Muita gente boa, que vê futebol de maneira bastante inteligente, fez questão de alertar sobre alguns equívocos. Todos receberam diversos rótulos: neo-corneteiro, neo-secador, neo-terrorista e afins. Ter avisado, entretanto, não os faz mais torcedores que ninguém. Mas tenho certeza que neste momento a eliminação é mais "aceitável" para eles. Afinal, não existiu, em momento algum, utopia.

Domingo é dia de uma nova competição. A dica aos responsáveis por tamanha vergonha é simples:  guardem seus lamentos e corram pra corrigir os erros. O Bahia tem carências na equipe, e elas precisam ser sanadas com atletas que vistam a camisa e entrem no time pra resolver. Foi por apostar demais que o Bahia pagou caro nesta primeira competição. E tudo que o torcedor tricolor deseja é que a história não volte a se repetir.

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Autor: Unknown

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