O temido Pote 4



A Fifa chega a costa do Sauípe com sua empáfia e arrogância costumeira. As noticiais que a cada dia nos revoltam, dão hoje lugar ao campo e bola. Cairemos no erro, na ingenuidade de quem não consegue ficar imune ao sorteio do Mundial. Com os cabeças de chave definidos através do ranking da Fifa divulgado no final de Agosto, ficou estabelecido que o pote 4, repleto de campeões mundiais e seleções tradicionais do velho continente, seria o responsável por armar  dois, ou talvez três grupos da morte. 



A França, vigésima primeira colocada no ranking da Fifa, entrou no pote 4 de ultima hora, no grito e na movimentação politica da UEFA, dirigida por  Michel Platini. Ameaçada de cair em um grupo com outros dois campeões mundiais, os Les Bleus conseguiram fugir a priori do pote 2 - que contém Chile, Equador e os cinco representantes africanos - inchando o pote europeu e forçando um pré-sorteio que dirige um dos europeus para o grupo de um dos cabeças de chave sul-americano - Brasil, Argentina, Uruguai ou Colômbia. Eis as nove seleções que habitam o temível pote 4 que pode jogar até duas seleções no caminho brasileiro na primeira fase:


A França   tentará  apagar a péssima imagem deixada no último mundial - quando foi eliminada na primeira fase - e do sufoco que passou contra a Ucrânia na repescagem. O time comandado por Didier Deschamps atua no 4-3-3. A dependência de Ribery é bastante sentida. O meio-campo é  talentoso, porém a juventude do tridente Cabaye, Matuidi e Pogba fazem da França um time pouco confiável na criação. No comando de ataque, Benzema - em má fase no Real Madrid -  deve travar um duelo acirrado com Giroud em busca da titularidade. Pela direita do ataque, Valbuena vem ganhando espaço, deixando os badalados Nasri e Remy no banco, como no jogo decisivo contra a Ucrânia em Saint Dennis. 

O ponto fraco dos Les Bleus esta na defesa; após a derrota contra a Ucrânia, Deschamps desfez a dupla de zaga titular - formada por Koscielny e Abidal - dando confiança para Varane do Real Madrid e Sakho do Liverpool. Os laterais são Debuchy e Evra, enquanto no gol Hugo Lloris do Tottenham segue soberano.


A Inglaterra de Roy Hodgson vem ao Brasil com a sua habitual solidez britânica e  o pouco brilho característico dos últimos mundiais. Postado sempre no 4-4-1-1, o English Team volta a apostar nas duas linhas de 4 e no talento de Wayne Rooney. O craque do Manchester United vem atuando como segundo atacante, um pouco mais recuando, servindo  Sturridge do Liverpool. No meio-campo bons nomes para acompanhar Steven Gerrard: Carrick, Wilshere e Cleverley disputam a vaga de primeiro volante, enquanto Lampard deve ficar como opção no banco. Na ponta direita, o jovem Townsend acabou se consagrando no final das eliminatórias como um dos heróis da classificação; na esquerda, sem muitas opções, Welbeck acabou atuando pelo setor, mas nos últimos amistosos até mesmo Lallana do Southamptom foi testado. Na lateral direita Glenn Johnson vai precisar correr para recuperar a posição; Smalling vem ganhando espaço e foi o titular na reta final das eliminatórias. Na lateral esquerda Rodgson deu a titularidade para Leyton Baines do Everton por sua qualidade no apoio. O miolo de zaga também foi renovado, os jovens  Cahill e Jagielka fecham a defesa. No gol, apesar de ter parado na reserva nos últimos jogos do Manchester City, Joe Hart segue intocável.

A Azzurra vem ao Mundial com a base vice-campeã da ultima Eurocopa. Cesare Prandelli tenta implantar um novo estilo a Itália, distante do catenaccio de outrora. La Nazionale atua no 4-3-1-2 com a base da Juventus, bicampeã nacional. Andrea Pirlo é a referencia no meio-campo, regendo a orquestra como primeiro volante. No amistoso contra a Alemanha em Novembro, Marchisio e Thiago Motta - que disputa a posição com Daniele De Rossi - ficaram com a missão de dar equilíbrio ao meio campo. Na criação, ora pelos extremos, ora pelo centro, Montolivo fecha o losango do meio campo como armador. No ataque, Prandelli vem quebrando a cabeça para achar o parceiro ideal para Balotelli. Contra a Alemanha jogou Osvaldo, mas Florenzi, Insigne e Candreva seguem na disputa. A defesa conta com a dupla de zaga da Juventus - Bonucci e Barzagli. Nas laterais a disputa segue aberta. Pela direita Abate e Maggio brigam pela titularidade, enquanto pela esquerda Criscito, Pasqual e Balzaretti seguem com chances.



Portugal vem ao Mundial após vencer a repescagem contra a Suécia graças aos gols de Cristiano Ronaldo. Segundo no Grupo F das Eliminatórias, atrás da Rússia de Fabio Capello, o time dirigido por Paulo Bento chega uma vez mais distante dos principais favoritos. O time atua no 4-3-3, explorando os contra-ataques puxados por Nani e Cristiano Ronaldo. No meio campo, João Moutinho é a grande referência na criação. A defesa conta com João Pereira e Fabio Coentrao como laterais, e a dupla de zaga é formada pelos ríspidos Pepe e Bruno Alves. Rui Patricio é um goleiro sempre sujeito a chuvas e trovoadas, e assim como o centroavante Helder Postiga, representam um dos pontos débeis dessa seleção portuguesa.

A Holanda, algoz brasileira do último mundial,  tenta apagar a imagem deixada na Eurocopa do ano passado, quando foi eliminada ainda na primeira fase. Van Gaal assumiu a bronca com a missão de renovar uma seleção cheia de jogadores veteranos e descompromissados. As mudanças fundamentais vieram com uma defesa repleta de jogadores da seleção sub-21. Foi o sistema mais modificado durante a tranquila campanha das eliminatórias - 9 vitórias e 1 empate. Nos últimos jogos, Van Gaal testou o lateral-direito Jennmat do Feyernoord, enquanto pela esquerda Daley Blind do Ajax seguiu como titular. O miolo de zaga é formado pelo jovem Vrij, além do já experimentado Vlaar do Aston Villa . No meio-campo, Nigel De Jong é o grande cão de guarda, ao passo que Strootman da Roma fica com a missão de dar qualidade na saída de jogo. O time varia taticamente do 4-1-4-1 para um 4-3-3 tipicamente holandês. Na armação, Sneijder perdeu espaço na ultima temporada, e assim, Rafael Van der Vaart segue como titular, com a missão de ligar o tridente ofensivo formado por Arjen Robben, Jeremain Lens e Van Persie. A maior dúvida de Van Gaal esta no gol; O jovem Cillessen do Ajax vem atuando nos últimos jogos, porém Tim Krul do Newcastle e Michael Vorm do Swansea seguem com chances de serem os titulares dos laranjas no Mundial.


A Rússia volta a uma Copa do Mundo graças ao ótimo trabalho do italiano Fabio Capello. Ordem e compromisso fazem dos russos um time difícil a ser batido. Os bons resultados nos amistosos comprovam a evolução da equipe que venceu o seu grupo das eliminatórias, mandando Portugal para repescagem, além de quase vencer o Brasil em amistoso no começo desse ano. O time atua no 4-1-4-1, o mesmo esquema usado por Capello em seu ciclo na seleção inglesa. Todos os titulares atuam na liga local, fato que pode ser considerado um trunfo. O miolo de zaga é formado por Ignashevich e Berezutskiy do CSKA, enquanto os laterais Dmitri Kombarov e Koslov são do Spartak de Moscou. Peça fundamental no esquema de Capello, Glushakov é o cão de guarda a frente da defesa, ao passo que a dupla Fayzulin e Roman Shirokov do Zenit fica encarregada de dar equilíbrio e municiar o tridente de ataque formado por Kokorin, Samedov e o artilheiro Kerzhakov. No gol, Akinfeev do CSKA fica com a responsabilidade de honrar a tradição russa de goleiros lendários como Yashin e Dasaev.


A Croácia volta a um Mundial após sua última participação em 2006. Niko Kovac,  então capitão daquela  equipe que seria derrotada pelo Brasil na estreia do Mundial da Alemanha, foi o responsável por guiar a Croácia nas eliminatórias. Os croatas ficaram em segundo lugar do grupo A, atrás da talentosa seleção belga. Na repescagem bateu a Islândia, sofrendo além da conta. O time atua no 4-2-3-1. Destaque para o lateral Srna do Shakthar Donetsk, o meia Luka Modrid e o centroavante Mandkuzic do Bayern de Munique.



A Grécia dirigida pelo português Fernando Santos respeita a sua tradição defensiva, suas duas linhas de 4 bem próximas, sempre explorando os contra-ataques puxados por Salpigidis e Samaras. Símbolo, e um dos poucos remanescentes do título da Eurocopa de 2004, Karagounis segue como o meia armador, apesar da fase declinante na carreira. Destaque também para o centroavante Mitroglou, herói da classificação na repescagem contra a Romênia e um dos artilheiros da Champions League pelo Olympiakos.



Grande surpresa das eliminatórias europeias, a Bósnia chega ao Brasil com um time repleto de jogadores que atuam em ligas importantes do velho continente. A Bósnia foi a líder do grupo G, enviando a favorita Grécia para a repescagem.Uma classificação repleta de simbologia geopolítica por sua recente independência. A equipe dirigida pelo ídolo nacional, Safet Susic, atua no 4-3-1-2. Rahimic, Medunjanin, Pjanic da Roma e o armador Misimovic formam um losango de boa técnica no meio-campo. O forte da equipe dos bálcãs esta na sua badalada dupla de ataque formada por Dzeko do Manchester City e Ibisevic do Stuttgart.
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Autor: Felipe Bigliazzi

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