Mineirão em silêncio: 35 anos

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Há exatos 35 anos, no dia 05/03/1977, o São Paulo vencia o poderoso Atlético/MG no Mineirão lotado, na disputa por pênaltis, e era pela primeira vez campeão brasileiro. Como não homenagear essa linda data?

O que mais chamou a atenção naquela final foi o contexto em que os dois times se enfrentariam. O Galo, super favorito, jogava em casa por ter a melhor campanha (invicto, estava a mais de 10 pontos na frente do Tricolor na classificação geral) e era muito favorito. A atmosfera estava ao seu favor.

Apesar da vantagem, o Atlético precisava vencer para ser campeão. E, para isso, não contava com seu grande craque, o artilheiro Reinaldo, suspenso por 4 jogos após uma confusão num jogo contra o Fast, ainda na segunda fase. Curiosamente, o centroavante e também destaque do São Paulo, Serginho Chulapa, havia agredido o bandeirinha em um jogo anterior e também foi suspenso da final.

Na tensa semana anterior à decisão, a imprensa mineira, indignada com a suspensão do artilheiro, resolveu botar fogo no jogo. Anunciou que Reinaldo iria jogar, independente de qualquer coisa, botando uma pressão imensa em cima do nosso time. O que fizeram? Rubens Minelli, então nosso treinador, mandou buscarem Serginho (acharam-no em um bar na capital paulista) no dia do jogo e trazerem ele para Belo Horizonte. E lá foi ele para o estádio com toda a delegação, fazendo a tensão tomar conta dos dois times.

O mistério só foi resolvido quando os dois times vieram a campo - não, nenhum dos camisas 9 subiram para o gramado. E rolou a bola.

O jogo foi bom, várias chances, torcida atleticana incendiando o Mineirão, mas acabou no 0x0. Ou seja, as penalidades máximas decidiriam o título nacional.

A postura do time são-paulino frente a força atleticana foi perfeita. Como a pressão era toda em cima do Galo, a obrigação de ganhar a decisão com toda a torcida a favor e um time melhor era deles, os paulistas foram cobrar tranquilos. Sorrindo para os mineiros, sem nenhum peso nas costas. O goleiro, Waldir Peres, olhava para os batedores, passava a mão em suas cabeças e ficava em cima da linha, sorridente, deixando o adversário muito nervoso.

Deu resultado.

Getúlio começou perdendo para o Tricolor. Sorte que Toninho Cerezo, desde já sendo ídolo, chutou para fora. Chicão bateu mal e também não converteu. Coube ao Ziza abrir o placar, para o Galo. Peres empatou no próximo. Em seguida, Alves fez 2x1. Antenor empatou, já na quarta cobrança. E, na mesma série, Joãozinho Paulista jogou pra fora. Na última cobrança dessa série de 5 do São Paulo, Bezerra colocou o Tricolor na frente. Só falta o zagueirão do Galo, Márcio, errar a cobrança.

Aconteceu. Pra fora. O São Paulo ganhava o primeiro dos seis campeonatos brasileiros. Há 35 anos.



Diogo Magri


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Autor: Diogo Magri

17 anos, são-paulino do interior. Tenho trauma de bola parada, de pênaltis e de elogios ao goleiro antes do fim do jogo. No C11, falo de futebol europeu. Na vida, tento sofr... digo, ser jornalista.
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